sexta-feira, 6 de junho de 2014

Inclusão Digital

                             

Hoje em dia, no Brasil, muito se fala em “inclusão digital”, seja por estudiosos, políticos ou governantes. A Inclusão Digital - projeto de democratização do acesso às tecnologias da informação – acaba, muitas vezes, se transformando em discurso retórico em que não são observados os requisitos técnicos e nem é dada a devida atenção à observação dos resultados esperados.

O projeto tem o objetivo de melhorar as condições de vida do “incluído” com a ajuda da tecnologia, melhorando as condições sociais a partir do uso de equipamentos digitais. A inclusão pressupõe três pilares: "a banda-larga, o equipamento digital e o domínio dessas ferramentas, pois não basta apenas o cidadão possuir um simples computador conectado à internet que iremos considerar-lo, um incluído digitalmente. Ele precisa saber o que fazer com essas ferramentas". [1]

Promover projetos de compra ou doação de computadores para criancinhas pobres em escolas ou comunidades menos abastadas, é uma analogia errônea e, portanto, um equívoco. Essas ações ajudam a propagar cenários surreais, como é o caso de ver computadores novos que nunca foram usados porque não há linha telefônica disponível para conectarem-se à internet ou pela falta de treinamento dos professores encarregados de repassar o conhecimento técnico para o uso dos equipamentos.

No Reino Unido, por exemplo, toda a rede escolar fundamental e média é digitalizada. Além disso dispõe de professores qualificados, incentivados pelo governo a dar aulas, seja qual for a sua matéria, utilizando equipamentos digitais, na medida em que "o uso das TIC é uma prioridade em todos os currículos de escolas e faculdades". [3]

Portanto, não basta dar computador para pessoas, ou promover a venda de equipamentos mais baratos, pois isto NÃO É, definitivamente, inclusão digital. Para promover e induzir a Inclusão Social através da tecnologia digital, o Brasil precisa repensar o objetivo e, sobretudo, a abrangência desse projeto.

Vamos promover a inclusão digital no Brasil ?...

Que brasileiros serão contemplados por esse projeto ? ...


Será que a questão demográfica, nesse caso, é destino ? … veja o mapa abaixo e reflita !...




Links de referência : 

6 comentários :

  1. Esse mapa é de quando? Qual é a fonte?

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  2. O Mapa é de quando e qual é a fonte?

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  3. Para leigos, iniciados ou desavisados em geral, a advertência de Marcio Ayala é muito oportuna. Em todos os casos, quando está pautado o debate a respeito de políticas públicas de democratização de acessos em nosso país, é essencial ter em perspectiva o quadro dominante e resistente das desigualdades sociais; aqui, expresso com eloquência no mapa que ilustra a ótima publicação.

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  4. Para mim, acho que já existe o reconhecimento que as TIC são importantes em diversas áreas. Tenho visto diversos trabalhos acadêmicos que atestam sua usabilidade e eficácia, no entanto é preciso destacar como o Márcio Ayala fez, que não basta dar um computador a uma pessoa para que esta se sinta incluída no meio digital. Isto se deve ao fato de que incluir é acrescentar algo na mistura, com o objetivo de torná-la melhor. Nesse contexto é importante ressaltar o papel importante que os profissionais de TIC possuem para criar diretrizes operacionais e estratégias que viabilizem o acesso e diminuam as distâncias. Cabe aos políticos consultar esses profissionais a fim de promover boas práticas. Não adianta nada fornecer caças militares ultratecnológicos para um país que não vai saber operá-los, que não tem gente que saiba fazer a manutenção e que tampouco tem um plano estratégico de defesa do país.

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  5. Republicando comentário postado em 06/06: As considerações do texto do prof. Marcio Ayala em torno das reais necessidades do processo de inclusão digital são atestadas em ações como as que realizamos aqui no RS onde através de eventos de inclusão digital promovidas pelo SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), entidade semelhante ao SENAI ou SENAC, porém com foco na sociedade do meio rural, observa-se que este processo vai muito além da distribuição gratuita de equipamentos de informática. Parabéns pela abordagem realista do tema.

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