quinta-feira, 17 de agosto de 2017

O FACIN na prática com o Projeto GEO - Parte 2

No post anterior abordamos o Zachman Framework, um dos padrões utilizados no desenvolvimento do Framework de Arquitetura Corporativa para Interoperabilidade e Apoio à Governança (FACIN), que corresponde a um conjunto de fundamentos da comunicação encontrado nos questionamentos primitivos: Que, Como, Quando, Quem, Onde e Porque.
Nesta postagem abordaremos os padrões TOGAF, ArchiMate e o Modelo de Conteúdo do FACIN, insumos utilizados na Oficina FACIN-ABEP, realizada pelo Serpro em parceria com a Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação (ABEP).

·   TOGAF® – The Open Group Architecture Framework

Entre os padrões colaborativos, desenvolvidos através de fórum de praticantes, fornecedores, acadêmicos e especialistas na área de Arquitetura Corporativa, o TOGAF  é o mais amplamente conhecido e praticado mundialmente. O TOGAF é mantido e desenvolvido pelo The Open Group, que suporta o desenvolvimento de outros padrões baseados em tecnologia, os quais potencializem a interoperabilidade entre informações e serviços.

O TOGAF é uma estrutura e uma metodologia comprovada de Arquitetura Corporativa utilizada pelas principais organizações ao redor do mundo para melhorar a eficiência dos negócios. Publicado pela primeira vez em 1995, TOGAF foi baseado no Framework de Arquitetura Técnica para Gerenciamento de Informação do Departamento de Defesa dos EUA, TAFIM (Technical Architecture Framework for Information Management). A partir desta base desenvolvida, o The Open Group desenvolve versões sucessivas do TOGAF em intervalos regulares e as publica em seu site de forma pública (http://www.opengroup.org).

O TOGAF na edição atual (versão 9.1) é um framework de arquitetura corporativa que fornece uma abordagem para o desenho, planejamento, implementação e governança de uma Arquitetura Corporativa. Ele utiliza uma abordagem de alto nível para a desenho baseada em quatro domínios: Negócios, Aplicações, Dados e Tecnologia. Seus componentes (figura 1) estão descritos a seguir:


Figura 1: Framework TOGAF

      O Método de Desenvolvimento da Arquitetura (ADM) é o núcleo do TOGAF e descreve um método para desenvolver e gerenciar o ciclo de vida da arquitetura corporativa.
      O Framework de Conteúdo de Arquitetura descreve um metamodelo estruturado para criação de artefatos de arquitetura e de Blocos de Construção de Arquitetura (BCA) reutilizáveis, permitindo uma visão geral das entregas típicas de uma arquitetura.
      Os Modelos de Referência fornecem padrões e modelos de arquitetura como referência aos trabalhos de desenvolvimento de artefatos. São sugeridas, minimamente, duas referências, o Modelo de Referência Técnica do TOGAF (TRM) e o Modelo de Referência de Infraestrutura de Informação Integrada (III-MR).
      As Orientações e Técnicas descrevem um conjunto de guias e práticas disponíveis para uso na aplicação do ADM, em cada fase.
      O Continuum da Corporação descreve taxonomias apropriadas e ferramentas para categorizar e armazenar os resultados das atividades de arquitetura em uma organização.
      O Framework de Capacidade de Arquitetura descreve a organização, processos, habilidades, papéis e responsabilidades exigidas para estabelecer e operar a prática de arquitetura corporativa dentro de uma organização.

·   ArchiMate® 

De forma complementar, o The Open Group desenvolveu um padrão de linguagem de modelagem livre e independente para Arquitetura Corporativa, denominada ArchiMate®. O padrão ArchiMate (figura 2) fornece instrumentos para permitir que arquitetos corporativos possam descrever, analisar e visualizar as relações entre os domínios de uma arquitetura de uma forma compreensiva e inequívoca.
Figura 2: Padrão de Linguagem ArchiMate

O uso destes dois padrões de Arquitetura (TOGAF e ArchiMate) é amplamente utilizado, de forma conjunta (figura 3), por organizações ao redor do mundo, ao longo do desenvolvimento e implementação de seus próprios Frameworks, principalmente governos.


Figura 3: O uso do TOGAF e ArchiMate 

·   Framework de Conteúdo do FACIN

O FACIN pretende ser o padrão de referência para apoio à governança, propiciando a oferta de serviços eletrônicos interoperáveis e viabilizando a simplificação, a agilidade e a efetividade entre os governos e destes com os cidadãos, organizações e empresas.

O Framework de Modelo de Conteúdo do FACIN é formado por visões que abrangem todo o ambiente corporativo, como apresentado na figura 4.


 Figura 4: Framework de Modelo de Conteúdo do FACIN

Acesse aqui o detalhamento completo da aplicação da dinâmica de Análise de Cenário, apresentada na Oficina ABEP-FACIN e utilizada pela PRODEMGE, para implantar uma solução corporativa de geoprocessamento no Estado de Minas Gerais, utilizando o FACIN.


A implantação de um geoprocessamento corporativo no Governo do Estado de Minas Gerais envolve todas as visões do modelo de conteúdo do FACIN, com especificidades que serão abordadas posteriormente. 

No próximo artigo abordaremos o detalhamento da visão Estratégia do Projeto GEO utilizando o FACIN, não percam!

Autores: Ademilson Jorge de B. Monteiro, Antonio Plais, Guttenberg Ferreira Passos, Leonardo Grandinetti Chaves e Sandro Laudares

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O FACIN no apoio a Transparência - Impressões da Oficina FACIN/ABEP

Conforme já divulgado recentemente nas diversas mídias da Comunidade Áreas de Integração, o FACIN foi utilizado na Oficina FACIN/ABEP, realizada entre os dias 13 de junho e 25 de julho, momento em que o framework foi posto em prática pelas entidades estaduais associadas à Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação - ABEP-TIC

Essa Oficina teve como objetivo principal, para as associadas, trabalhar a interoperabilidade entre os estados e entre estes e o governo federal e discutir como o FACIN pode apoiar na análise e tomada de decisão dentro de um órgão, porém em uma visão compartilhada.    

A oficina foi realizada com base em uma dinâmica de cenários. Dentre alguns cenário propostos, um foi selecionado. A oficina passou então a focar na questão levantada pelo cenário compreendendo as atividades de identificação da situação atual do cenário (problema), identificação da proposta de situação futura (a solução), análise e modelagem dos cenários atual e proposta.

Bem, nos meus artigos em 2016 tratei bastante do tema Arquitetura Corporativa e como este tema pode atuar como uma ferramenta no apoio a implantação e transparência pública.

O que eu vinha discutido e repito aqui, é que transparência significa mais do que prover acesso a informação. Também está relacionada a facilitar o uso, garantir a qualidade, melhorar o entendimento e garantir a auditabilidade. Mas para que isso tudo seja possível, devemos pensar em organização e relacionamento de informações antes de qualquer coisa, porque não temos como tornar transparentes informações que estão desorganizadas, onde nada se conecta com nada.

E foi isso que pode ser percebido durante a realização da oficina. Através de uma linguagem comum e o uso de conceitos e relacionamentos uniformes (através do framework de conteúdo do FACIN) foi possível estabelecer um caminho de discussão e interação, onde todos puderam participar e, principalmente, onde todos falaram a mesma língua.

Através de depoimentos dos participantes, foi possível perceber que:

-       O Framework de Conteúdo do FACIN foi capaz de unificar a forma como o conhecimento sobre o problema e sobre a proposta de solução era visto por todos.
-       O Framework de Conteúdo do FACIN foi também testado para definir se a semântica (de conceito e relacionamento) proposta contempla o necessário para apresentar (transparecer) todas as informações relevantes para a análise e tomada  de decisão por parte de órgãos e entidades de governo.
-       As ações realizadas para a condução da oficina, e que também servirão de inspiração para a construção do método de desenvolvimento da arquitetura corporativa de um órgão, tiveram um preocupação grande, ao meu ver em:
o   Discutir o foco no cidadão e nas suas necessidades. Apesar do cidadão não ter feito parte do processo (o que o tornaria mais transparente) por questões de tempo, discutiu-se a visão do cidadão em relação a como o agendamento de serviços poderia ser provido da melhor forma e quais os objetivos da Sociedade de forma geral em relação a essa questão.
o Entender e modelar o cenário não somente pelo seu aspecto tecnológico, mas transparecer sua relação com objetivos a serem alcançados e com o serviço de governo em termos de procedimentos e relações interinstitucionais, antes de definir os tratamentos tecnológicos necessários. Este racional ajuda a transparecer porque decisões são tomadas e os desafios nas suas diversas camadas.    

Ainda é necessário trabalhar formalmente os aspectos de transparência necessários a cada camada de arquitetura corporativa (estratégia, negócio, aplicações, dados, infraestrutura, GRC, segurança, programas/projetos e sociedade), mas já foi possível perceber o caráter natural do FACIN em promover transparência dentro de um órgão e entre eles.

Até a próxima!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Categorias de desempenho nos processos organizacionais

A forma como as organizações geram valor para seus clientes e stakeholders é definida por seus processos organizacionais, também conhecidos como processos de negócio ou processos de trabalho. E um processo organizacional é composto pelo conjunto de atividades que as áreas funcionais precisam realizar para gerar o valor correspondente ao objetivo do processo.

As atividades executadas pelas áreas funcionais podem existir independentes do processo, mas isoladamente, as áreas funcionais não conseguem entregar valor aos clientes e stakeholders externos à organização. O processo organizacional é o fio condutor que interliga a produção das áreas funcionais na forma necessária para entrega do valor, refletindo a forma de operar da organização independente dos limites formais estabelecidos pelo organograma.

O exemplo na figura ilustra como o valor gerado no processo é produzido pela colaboração das unidades funcionais na execução de suas atividades. As marcas em vermelho mostram o fluxo de execução das atividades, desde a demanda do cliente até a entrega do valor, atravessando horizontalmente a estrutura funcional vertical representada pelo organograma.


Dado que as organizações entregam valor a seus clientes e stakeholders através de seus processos, podemos concluir que é através desses processos que as organizações executam suas estratégias de negócio. Daí que, para assegurar a execução de suas estratégias de negócio as organizações precisam gerir o desempenho de seus processos organizacionais. Este é o objetivo principal do BPM (Business Process Management), também conhecido como Gestão de Processos.

Neste contexto, projetos de BPM só valem a pena quando realizados com objetivo de introduzir melhorias que aumentem o desempenho do processo. Mas essa melhora no desempenho não pode ser apenas declarada, ela precisa ser explicitamente identificada e demonstrada através de medições adequadas e de acompanhamento contínuo. E ao tratar do desempenho de processos organizacionais devemos considerar 3 categorias distintas de desempenho:
  • Eficiência – medidas de eficiência focam no desempenho dos meios de produção e recursos consumidos para execução das atividades do processo. Estas medidas nos dizem se estamos fazendo certo as atividades definidas para o processo e atendendo as metas operacionais estabelecidas. Indicadores típicos são: Tempo de execução da atividade, Número de atividades executadas, Custo de recursos, etc.;
  • Eficácia – medidas de eficácia focam no resultado do processo completo, de ponta a ponta, no atendimento de metas de produção e qualidade do processo. Estas medidas nos dizem se estamos executando bem o processo definido e atendendo as metas de gestão estabelecidas. Indicadores típicos são: Satisfação do cliente, Tempos de entrega, Falhas do processo, Níveis de qualidade, etc.;
  • Efetividade – medidas de efetividade focam na contribuição do processo para os objetivos estratégicos da organização. Estas medidas nos dizem se o processo que estamos executando é o processo certo para atender a estratégia da organização. Indicadores nessa categoria devem derivar dos objetivos estratégicos;

Em boa parte das organizações, as estruturas funcionais promovem a execução dos processos de forma fragmentada, introduzindo barreiras no fluxo de execução e complexidades nos procedimentos que carregam o processo, consumindo mais recursos que o necessário e resultando em maiores custos e tempos. Frequentemente, procedimentos são desenhados e otimizados com foco nos interesses da área funcional, resultando em atividades padronizadas que não contribuem para a otimização do processo de ponta a ponta.

A Gestão de Processos deve identificar e eliminar os obstáculos que prejudicam o desempenho do processo, cuidando para que os esforços de melhoria e otimização do desempenho considerem a hierarquia implícita nas 3 categorias de desempenho: a efetividade é mais importante que a eficácia, e esta é mais importante que a eficiência.

Apesar das questões de eficiência serem geralmente mais visíveis e numerosas, seu impacto no resultado geral do processo será menor que o das questões de eficácia e efetividade. Assim, é preciso estar atento para que a busca por eficiência das atividades não comprometa a eficácia e efetividade do processo.

Um exemplo desse conflito pode ser observado nos serviços de telemarketing e atendimento a clientes, nos quais procedimentos adotados com base na otimização da eficiência/produtividade do agente do serviço, prejudicam a qualidade do contato com o cliente e consequentemente o resultado do processo.

Até o próximo post

Referências:


Processos de Mudança e Modelagem Organizacional, Marília Magarão, Pós-graduação em Gestão Publica, Fundação Getúlio Vargas
  

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

As nove Visões do FACIN - Parte 1 - Introdução

Olá pessoal! 

A partir de hoje daremos início a uma nova série de artigos abordando as nove visões do FACIN (Framework de Arquitetura Corporativa para Interoperabilidade no apoio à Governança), considerando os documentos atuais que constituem o framework. 

O FACIN tem por objetivo construir uma visão consistente dos modelos de representação das capacidades de cada organização governamental. Por meio do estabelecimento da Arquitetura Corporativa e de padrões de interoperabilidade, o FACIN apoia a Estratégia de Governança Digital Brasileira (EGD), ampliando a colaboração entre as organizações do Governo Federal e melhorando a eficiência dos serviços de governo eletrônico para a sociedade (cidadãos, governos, organizações e empresas). Como padrão, incorporado à Arquitetura ePING de Interoperabilidade, o FACIN atua como uma referência para os diversos órgãos da Administração Pública Federal (APF).

Importante salientar que este artigo inicial da série será de maior valia para aqueles que ainda não tiveram contato com o FACIN. Aqui abordaremos uma visão geral do Framework e nos demais artigos apresentaremos cada uma de suas visões, considerando o conjunto de documentos já elaborados para compor o framework.

Conforme já divulgado nas diversas mídias da Comunidade Áreas de Integração, recentemente, o FACIN foi utilizado na Oficina FACIN/ABEP, momento em que o framework foi posto em prática pelas entidades estaduais associadas à Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação - ABEP-TIC. Essa Oficina teve como objetivos principais:
  • Trabalhar a aplicação prática do FACIN em um cenário da ABEP-TIC;
  • Apresentar benefícios tangíveis do FACIN para a ABEP-TIC;
  • Desenvolver habilidades e conhecimento em Arquitetura Corporativa; e
  • Propiciar a interoperabilidade entre os estados e entre estes e o governo federal.
Para o desenvolvimento da Oficina, foram consumidos os três documentos componentes do FACIN, criados até o momento, rapidamente explanados a seguir:
  • O Documento inicial, que apresenta a evolução do governo eletrônico brasileiro, os desafios da governança digital, os conceitos que envolvem a arquitetura corporativa e uma visão inicial sobre o FACIN.
  • O Modelo de Referência (MR) está dividido em nove capítulos, que correspondem a cada uma das nove Visões, contendo um conjunto de seções:
  1. Descrição: contém uma breve exposição sobre a Visão/Modelo de Referência.
  2. Objetivos e Benefícios: onde são descritos os propósitos, incentivos e fatores críticos para se obter sucesso na implantação da Visão/Modelo de Referência.
  3. Papéis e Responsabilidades: descreve a responsabilidade de cada um dos papéis envolvidos com a implantação do FACIN.
  4. Políticas e Diretrizes: apresentam as orientações e instruções ou indicações para se estabelecer o Modelo de Referência.
  5. Padrões, Aspectos Legais e Melhores Práticas: Para a implementação do MR nas organizações governamentais, são apresentados guias, padrões e práticas que podem ser utilizados para modelagem e gestão de assuntos afetos aos temas abordados por cada Visão. Apresenta ainda a legislação relativa ao assunto.
  • O Modelo de Conteúdo (MC), por sua vez, é um documento que tem por objetivo descrever os elementos do FACIN, de forma a unificar a representação das Arquiteturas Corporativas desenvolvidas pelas diversas Organizações Governamentais, com foco na integração e construção da visão de Governo como um Todo. Este Modelo também está dividido em nove capítulos, que correspondem a cada uma das nove visões que compõe o FACIN, contendo um conjunto de seções que detalham:
  1. Modelo Conceitual: provê um conjunto de conceitos em forma de diagramas e suas respectivas representações que, por sua relevância, possibilitam a representação daquela determinada Visão em uma única Organização Governamental ou no conjunto delas;
  2. Alinhamento com as demais Visões: onde são apresentadas as integrações entre a Visão tratada em cada capítulo e suas interfaces com as outras visões do FACIN. Ou seja, cada Visão recebe entradas de outras Visões, produzindo saídas que serão utilizadas para o alinhamento das ações por toda a organização. No FACIN, em conformidade com o framework TOGAF, o gerenciamento destes requisitos é realizado a partir do Modelo de Desenvolvimento da Arquitetura;
  3. Artefatos: onde está listado o conjunto mínimo de artefatos que deve ser gerado para cada Visão, de acordo com as especificidades de cada Organização Governamental. Um artefato é um produto de trabalho arquitetural que descreve um aspecto da arquitetura. Artefatos são geralmente classificados como catálogos (listas de coisas), matrizes (mostrando relações entre as coisas), e diagramas (imagens das coisas);
  4. Taxonomias: visa prover um conjunto de termos de classificação e uma terminologia unificada dos elementos de conceitos selecionados para cada Visão, dentro do contexto do Governo como um Todo. A padronização por meio de taxonomias reduz a complexidade através da organização, abstração e simplificação de conjuntos de elementos de um determinado conceito. Esta estrutura provê uma linha de base para que todas as Organizações Governamentais unifiquem o conhecimento e fortaleçam a interoperabilidade entre elas. Adicionalmente, estabelece um dicionário de dados que visa descrever a definição de elementos classificados dentro da taxonomia, a partir da qual Organizações Governamentais podem especializar suas particularidades e também inserir termos específicos.
Conforme já foi dito, o Modelo de Conteúdo do FACIN é formado por visões que abrangem todo o ambiente corporativo, como apresentado na figura abaixo.


As visões, descritas em alto nível, são:
  • Estratégia: Descreve a missão, visão, valores, objetivos estratégicos e políticas da organização relacionando-os com os demais blocos da arquitetura.
  • Governança, Riscos e Conformidades: Descreve a coleção bem coordenada e integrada de todas as capacidades organizacionais, a implantação e monitoramento de controles necessários para apoiar o desempenho íntegro e atingimento dos objetivos estratégicos, em todos os níveis da organização, considerando a ordenação dos riscos e relacionamento de referências a legislações específicas voltadas à organização.
  • Negócios: Descreve a estrutura da arquitetura de negócios da organização contendo seus serviços, processos e regras necessárias a sua execução, seus recursos humanos, produtos e clientes. Descreve ainda a relação com processos de outras entidades bem como os serviços compartilhados.
  • Dados: Descreve o conjunto de dados e informações (estruturação e tipos), o relacionamento entre eles dentro de uma organização ou com outras organizações e o relacionamento entre os conceitos destes.
  • Aplicações: Descreve o conjunto de todas as soluções de software que permitam a produção, armazenamento, transmissão, acesso, segurança e o uso e intercâmbio das informações.
  • Infraestrutura: Descreve a estrutura física e de tecnologia necessária para execução dos sistemas de informação e operação da organização envolvendo a definição de regras, padrões e ferramentas necessárias à interoperabilidade de informações. Descreve ainda qualquer infraestrutura física necessária às operações da organização, não relativas a TI.
  • Segurança: Descreve os requisitos de segurança necessários a todos os níveis da organização, desde processos, dados e informações até o nível de infraestrutura.
  • Programas e Projetos: Descrevem o conjunto de projetos e as relações entre si, coordenados de maneira articulada para a realização dos objetivos estratégicos da organização. 
  • Sociedade: Descreve os variados perfis, interesses e formas de interação e participação da sociedade (cidadãos, empresas, fornecedores, demais organizações governamentais, etc.) com a organização.
Agora que apresentamos uma visão geral do estado atual da evolução do FACIN e e os seus documentos vigentes, vamos detalhar, no próximo artigo, a Visão de Governança, Riscos e Conformidades, abordando o que há de principal descrito nesses documentos, em respeito a essa visão.

Até lá!

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Aumento do Conhecimento ou Apenas de Registros?

Há uma cena no diálogo socrático Fedro na qual o Rei Tamos conversa com o deus Thoth tido como inventor da arte da escrita[1].

O deus Thoth apresenta as letras ao rei Tamos dizendo: “Isto, ó rei, uma vez aprendido tornará os egípcios mais sábios e aprimorará suas memórias.”
Então, o rei Tamos responde: “Sumamente engenhoso, Thoth. O fato é que essa invenção irá gerar esquecimento nas mentes dos que farão o seu aprendizado, visto que deixarão de praticar com sua memória.” 


De certa forma, o rei Tamos estava profetizando algo que efetivamente aconteceu. Enquanto no século XVI um orador era capaz de declamar toda a epopeia "Os Lusíadas", hoje, muitas vezes, não sabemos nem nosso próprio número de celular!

A quem diga que isso não é necessário porque sempre podemos pesquisar no Google o que desejamos saber. Isso é verdade, mas será conseguimos digerir toda a informação que nos é oferecida?
 
Biblioteca Britânica – uma das maiores do mundo com um acervo de cerca de 150 milhões de itens

O que as pessoas chamam de progresso de conhecimento é, na verdade, o aumento do número de registros. Mas, os registros estarem presentes fisicamente, não quer dizer que alguém os conheça. Portanto, às vezes, o progresso do número de registros também é o progresso da ignorância, ou seja, há mais coisas que você ignora[2].

E esse é um ponto crucial quando falamos de Arquitetura Corporativa. Por meio de uma iniciativa de Arquitetura Corporativa podemos registrar em modelos todo o funcionamento de uma empresa. Mas, como fazer para qualificar pessoas para que possam absorver o máximo desses registros?

Apenas registrar a informação não é suficiente, é necessário aprender a usá-la!


Por isso, o uso da informação é o fator determinante para o sucesso de uma iniciativa de Arquitetura Corporativa.



[1] Essas passagens podem ser lidas no livro Fedro de Platão (274e até 275e)
[2] Trecho da aula 391 do Curso Online de Filosofia do prof. Olavo de Carvalho.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O FACIN na prática com o Projeto GEO - Parte 1


Oficina ABEP-FACIN ocorreu em quatro encontros, nos dias 13 e 30 de junho e 17 e 25 de julho, no auditório da sede do SERPRO, em Brasília, com transmissão por videoconferência para as regionais da empresa e participação remota das entidades estaduais de TIC.


O objetivo da oficina foi proporcionar, às empresas e órgãos estaduais de TIC, a oportunidade de conhecer mais sobre o framework e implementá-lo em suas respectivas administrações. Desta forma, elas poderão desenvolver aplicações com alto grau de interoperabilidade e reuso, custos mais baixos e maior usabilidade por parte dos governos estaduais e dos cidadãos.
A oficina foi realizada com base em uma dinâmica de Análise de Cenário, compreendendo as atividades de identificação do problema, modelagem, análise e construção dos cenários atual e proposto (solução do problema).
O uso de cenários reais tem dois benefícios importante e diretos: o entendimento, aprendizado e uso de métodos e modelos a partir de sua aplicação prática em um problema conhecido por todos, bem como a construção de uma proposta real de solução para seu tratamento.
Nesta série de artigos abordaremos a aplicação dessa dinâmica no cenário levantado pela PRODEMGE para implantar uma solução corporativa de geoprocessamento no Estado de Minas Gerais, utilizando o FACIN.
O FACIN tem por objetivo construir uma visão consistente dos modelos de representação das capacidades de cada organização governamental. Por meio do estabelecimento da Arquitetura Corporativa e de padrões de interoperabilidade, o FACIN apoiará a Estratégia de Governança Digital Brasileira, ampliando a colaboração entre as organizações do Governo Federal e melhorando a eficiência dos serviços de governo eletrônico para a sociedade (cidadãos, governos, organizações e empresas). Como padrão, incorporado à Arquitetura ePING de Interoperabilidade, o FACIN atuará como uma referência para os diversos órgãos da Administração Pública.
Um framework de arquitetura corporativa, segundo o TOGAF (The Open Group Architecture Framework), é uma estrutura fundamental ou um conjunto de estruturas, que podem ser utilizadas para o desenvolvimento de uma ampla gama de diferentes arquiteturas. 
O framework de arquitetura deve descrever um método para a criação de um estado de destino da organização, em termos de um conjunto de elementos de arquitetura (blocos de construção), e para mostrar como estes se encaixam. Também, deve conter um conjunto de ferramentas e fornecer um vocabulário comum, assim como, deve incluir uma lista de normas recomendadas e produtos compatíveis que podem ser usados para implementar os elementos principais ou complementares de uma arquitetura.
A partir desta definição, um dos componentes principais é o metamodelo de elementos de arquitetura, que define “o que” uma iniciativa que utiliza Arquitetura Corporativa deve considerar para o desenho, desenvolvimento e implementação de uma solução de negócio baseada em TI, como uma lista de verificação de itens e conteúdo. Entretanto, outros componentes são necessários a fim de suportar o uso eficiente do Framework de Arquitetura Corporativa (AC) nesta lista:
     Como – Quais etapas e técnicas são necessárias para conduzir uma iniciativa de AC?
     Onde – Em que local são armazenadas e gerenciadas as informações produzidas ao longo de todos os esforços de AC?
     Quem – Quais são os papéis e responsabilidades necessários para assegurar a operacionalização bem-sucedida das etapas de uma AC?
     Quando – Em quais momentos, o uso de conhecimentos e padrões específicos de domínios são utilizados e de que forma?
     Porque – Quais são os princípios, direcionadores, metas e mecanismos de tomada de decisão a fim de conduzir as iniciativas de AC de forma que realize benefício para as partes interessadas?
No desenvolvimento do FACIN, foram utilizadas, enquanto fonte de pesquisa e trabalhos iniciais, os padrões de mercado em AC, que seguem descritos nos tópicos a seguir.
·      Zachman Framework
Mesmo na condição de um padrão proprietário, desenvolvido, mantido e disponibilizado por Zachman International, Inc, o Zachman Framework é um dos mais antigos e mundialmente utilizados por empresas e governos ao redor do mundo desde meados dos anos 80, quando John Zachman o criou enquanto ainda atuava junto à IBM.
O Zachman Framework é um esquema que compreende a intersecção entre duas classificações históricas que têm sido utilizadas por literalmente milhares de anos. A primeira corresponde a um conjunto de fundamentos da comunicação encontrado nos questionamentos primitivos: Que, Como, Quando, Quem, Onde e Porque. É a integração de respostas a estas perguntas que permitem a descrição abrangente, composto de ideias complexas. A segunda é derivada de reificação, ou seja, transformar algo abstrato em algo concreto, inicialmente postulada por antigos filósofos gregos e é rotulado no Zachman Framework: Identificação, Definição, Representação, Especificação, Configuração e Instanciação (figura 1).

Figura 1 – Zachman Framework
Acesse aqui o detalhamento completo da aplicação da dinâmica de Análise de Cenário, apresentada na Oficina ABEP-FACIN e utilizada pela PRODEMGE, para implantar uma solução corporativa de georreferenciamento no Estado de Minas Gerais, utilizando o FACIN.

No próximo artigo abordaremos os padrões TOGAF, ArchiMate e o Modelo de Conteúdo do FACIN!
Autores: Antonio Plais, Guttenberg Ferreira Passos, Leonardo Grandinetti Chaves e Sandro Laudares