quinta-feira, 27 de abril de 2017

Modelo de Maturidade em Governança Corporativa e a Lei das Estatais - Parte 4

No post anterior abordamos algumas práticas do Nível 3 - Institucionalizado de Maturidade em Governança Corporativa, o roteiro de recomendações proposto pela Lei das Estatais, o Decreto nº 47.154 e o FACIN.

Nesta postagem abordaremos o alinhamento das demais práticas do Nível 4 - Aprimorado de Maturidade, com a legislação e com o FACIN, para que possam ser aplicadas nas empresas públicas através do Modelo em Rede de Maturidade em Governança Corporativa.

O Modelo da figura 1 pode ser acessado em: https://kumu.io/Guto/maturidade-em-governanca

Figura 1 – Dimensões e Níveis de Maturidade em Governança 

O modelo é constituído de dois componentes: elementos e conexões. Navegue por ele selecionando a Dimensão ou o Nível que deseja visualizar, com um clique do lado esquerdo da tela, para filtrar as práticas diretamente relacionadas.

Em seguida selecione o elemento, clicando sobre a bola do lado direito, para acessar as práticas relacionadas aos níveis de maturidade e os respectivos Capítulos, Seções e Artigos do Decreto, de acordo com a figura 2.



Figura 2 – Detalhamento das práticas relacionadas aos níveis e o Decreto


Para voltar à tela inicial basta clicar em qualquer lugar vazio do lado direito da tela.

Os elementos são conceituados de acordo com sua especificidade e são relacionados a outros elementos por intermédio de conexões.

As conexões são estabelecidas de acordo com o elo de ligação entre os elementos identificados no modelo objeto dessa avaliação.

Siglas utilizadas nesse artigo: Conselho de Administração (CA), Comitê de Auditoria Estatutário (CAE), Conselho Fiscal (CF), Governança Corporativa (GC), Assembléia Geral (AG) e Recursos Humanos (RH).

O mapa com as Práticas do Nível 4 - Aprimorado de Maturidade foi desenhado de acordo com a figura 3.

Figura 3 – Mapa das Práticas do Nível 4 - Aprimorado de Maturidade

O mapa destaca as conexões do Nível 4 - Aprimorado de Maturidade com as seguintes Práticas:

A composição do CA e a seleção de seus membros são definidas mediante processo estruturado e consideram as necessidades da companhia.
Decreto nº 47.154 - Capítulo I - Disposições preliminares
Seção I - Do âmbito de aplicação e das definições
Artigo 2, inciso VII
Decreto nº 47.154 - Capítulo II - Do regime societário das empresas estatais
Seção III - Do estatuto
Artigo 21
Seção V - Do administrador
Artigos 24 e 25
Seção VI - Das vedações para indicação para compor o Conselho de Administração
Artigo 26
Seção VII - Da verificação dos requisitos e das vedações para administradores e Conselheiros Fiscais
Artigo 27

As metas, avaliação e remuneração da Diretoria Executiva consideram objetivos de curto a longo prazo, incluindo aspectos socioambientais.
Decreto nº 47.154 - Capítulo I - Disposições preliminares
Seção V - Do administrador
Artigo 34

Cabe ao Diretor-Presidente a indicação dos Diretores e a proposição de suas remunerações para aprovação do CA.
Decreto nº 47.154 - Capítulo VI - DISPOSIÇÕES FINAIS
Artigos 55 ao 60

Há direito a voto para todas as ações.
Decreto nº 47.154 - Capítulo I - Disposições preliminares
Seção I - Do âmbito de aplicação e das definições
Artigo 2, incisos I e III

O CA estabelece e monitora o plano de sucessão para o Diretor-Presidente da companhia.

O CA promove sessões executivas e apenas seus membros ficam presentes no momento das deliberações.

O CA revê, periodicamente, seus comitês de assessoramento e as políticas da companhia.
Decreto nº 47.154 - Capítulo II - Do regime societário das empresas estatais
Seção II - Da gestão de riscos e controle interno
Artigo 19, inciso II

O Código da Conduta é abrangente e contempla o relacionamento entre administradores, conselheiros, acionistas, empregados, fornecedores e demais partes interessadas (stakeholders).
Decreto nº 47.154 - Capítulo II - Do regime societário das empresas estatais
Seção II - Da gestão de riscos e controle interno
Artigos 18, incisos II, V e VI e 20

O relatório anual de administração é abrangente, tem padrão internacional e é auditado.
Decreto nº 47.154 - Capítulo II - Do regime societário das empresas estatais
Seção I - Das normas gerais
Artigo 13, inciso IX 
Seção IX - Do Comitê de Auditoria Estatutário
Artigo 36, inciso VII

O sistema de controles internos e gestão de riscos são avaliados periodicamente por auditor externo independente.
Decreto nº 47.154 - Capítulo II - Do regime societário das empresas estatais
Seção I - Das normas gerais
Artigo 12
Seção II - Da gestão de riscos e controle interno
Artigo 16

Os acordos de acionista arquivados na companhia não restringem os direitos ou competências do CA, CF e/ou Diretoria Executiva.
Decreto nº 47.154 - Capítulo II - Do regime societário das empresas estatais
Seção IV - Do acionista controlador
Artigos 22 e 23
Seção V - Do administrador
Artigo 35

Todas as políticas da companhia são deliberadas pelo CA e estão disponíveis publicamente.
Decreto nº 47.154 - Capítulo II - Do regime societário das empresas estatais
Seção I - Das normas gerais
Artigo 13, incisos I e III

Todos os sócios são estimulados a incluir assuntos e participar das AGs.
Decreto nº 47.154 - Capítulo VII - Disposições transitórias
Artigo 62

Visões do FACIN relacionadas aos Artigos do Decreto 47.154:
Governança, Risco e Conformidade: 2, 12, 13, 18 a 26, 34, 55 a 60 e 62
Dados: 12, 13 e 34
Aplicações: 12, 13 e 34
Infraestrutura: 12, 13 e 34
Segurança: 12, 13 e 34

Acesse aqui o detalhamento completo das práticas de governança.

No próximo e último artigo dessa série abordaremos as práticas do Nível 5 - Completo de Maturidade em Governança Corporativa, fiquem ligados!

Autores: Guttenberg Ferreira Passos, João Souza Neto e Pedro Bramont

terça-feira, 25 de abril de 2017

Transparência como estímulo a uma Sociedade mais participativa - Visualização em ambientes com muitos participantes

Hoje vou falar sobre como a Transparência Pública estimula uma sociedade mais participativa e representa um celeiro de ideias e pesquisas interessantes que podem se transformar em “coisas” úteis para estimular uma maior participação da sociedade.

Cenário comum: Todo mundo já reclamou de entrar em um fórum de discussão online, ou em um fórum para discutir uma enquete ou um documento e se deparar com o fato de que 500 pessoas já passaram por lá e deram sua opinião. O que o cidadão normalmente faz? (1) Deixa sua opinião sem sequer saber se já existem opiniões convergentes ou completamente divergentes (e principalmente porquê) ou (2) Lê as opiniões que estão na última página (normalmente uma função de paginação é oferecida para que o sistema web não apresente a “tripa” inteira de entradas no fórum de uma vez) e dá seu veredito.

Quem perde com isso são os dois lados: O lado de quem está promovendo a enquete, avaliação ou discussão de uma ideia, proposta ou documento e o lado de quem tem interesse em participar da discussão.

Essa “discussão política” se caracteriza pela ocorrência de interesses conflitantes relacionados à uma decisão a ser tomada. Participantes dessas discussões precisam se posicionar na discussão, fortalecer uma opinião e influenciar os demais participantes visando favorecer sua visão de solução na tomada de decisão. Os tomadores de decisão, por sua vez, precisam identificar o que é mais popular, mais consensual e mais polêmico, possivelmente encontrando subsídio para sua decisão.

E daí, para alcançar esses objetivos, é desejável identificar rapidamente um conjunto de informações que auxiliem o acompanhamento da discussão.

Existem diversas abordagens que visam tratar de como organizar e apresentar informações que atendam estes fins. E, para isso, essas abordagens precisam entender aspectos como: Quem são os participantes?; Quais fatores moldam as preferências, percepções e posições dos participantes?; Qual a influência de cada participante? Como a posição, a influência e os movimentos de cada participante se combinam para gerar decisões e ações?

Bem, vamos retroceder e pensar em uma das primeiras ações na tentativa de agrupar opiniões que estão fortalecendo ou fazendo uma crítica a algo dito anteriormente: O uso de comentários encadeados. A resposta da resposta! Bobo, né? Mas isso já foi considerado avançadíssimo para a época. Para quem usa Gmail não sei se vai lembrar quando a google disponibilizou a função de aninhar e-mails respostas aos e-mail que foram respondidos, de forma que não precisássemos ficar procurando pelo e-mail original. Chorei de emoção!

Pois, acontece que quando a coisa toda escala, o problema vai crescendo na mesma proporção.

O que fazer quando você se depara com 130 mensagens e precisa entender o que está acontecendo nessa discussão? Eu desanimaria na hora!


A questão é que em um mundo onde diversas pessoas estão dispostas a oferecer sua opinião de forma eletrônica, é necessário tratar os problemas listados abaixo para oferecer transparência para as discussões e fomentar a e-participação: 
  • Quantidade de manifestações e participantes: muitas vezes os envolvidos deixam de se envolver nas discussões políticas porque não conseguem tempo para se envolver ou entender a discussão. 
  • Complexidade da informação: a complexidade da informação que cada participante deseja ou precisa extrair da discussão para compreendê-la e participar é um fator importante, pois pode exigir muito tempo, esforço e ainda resultar em interpretações erradas. 
  • Sistemas de comunicação não oferecem suporte adequado: embora os sistemas de discussão atuais armazenem as manifestações dos participantes, possibilitando a participação assíncrona na discussão e a análise das manifestações enviadas, eles não são suficientes para auxiliar o envolvido a descobrir informações relevantes para o entendimento de discussões políticas. 
Entender essas questões significa que existem duas grandes áreas de pesquisa/desenvolvimento de ideias: 
  1. Métodos e algoritmos para: identificar assuntos correlatos; minerar textos em linguagem natural; identificar opiniões conflitantes; identificar pessoas com as mesmas opiniões; identificar pessoas com opiniões divergentes; identificar o que é uma reclamação, uma sugestão ou somente uma observação; identificar ruídos; identificar assuntos que não tem nada a ver com o objeto em discussão; muitos etc. 
  2. Métodos e projetos de visualização de informações que trata de como mapear dados em estruturas visuais que forneçam poder de análise útil. Isto está ligado ao relacionamento ou evolução desde o DADO passando pela transformação em INFORMAÇÃO, até se tornar CONHECIMENTO incorporado pelas pessoas [1]. De forma simplificada a ideia é que o dado é combinado e processado e produz algo mais complexo que é a informação. Esta, por sua vez precisa ser personalizada e contextualizada para permitir análise e socialização e, dessa forma, promover o conhecimento nas pessoas (sim, são pessoas que geram conhecimento e não papel). 
Quando se pensa na combinação dessas questões é necessário identificar que tipo de método ou algoritmo é mais interessante para apresentar um determinado tipo de informação que tenha o propósito de responder questões específicas. Então dá pra perceber que um mesmo conjunto de informações pode ser representado de diversas formas dependendo do que se quer destacar.
Imagina a representação gráfica abaixo. O gráfico de participação possibilita que o envolvido na discussão política identifique quais os participantes estão mais engajados na discussão. É possível identificar que na primeira discussão, a discussão está sendo centralizada em um grupo pequeno de participantes, enquanto que na segunda discussão, um participante apenas monopoliza a discussão. Já na terceira discussão, a distribuição de manifestações é maior entre os participantes.
Agora imaginem as possibilidades em ambientes como o Participa.Br e outros canais que tem o mesmo objetivo? Além de prover informações relevantes, ambientes que oferecem formas diferentes de visualização de informação costumam conquistar os usuários. 

E é muito simples: conteúdos visuais alcançam o cérebro de um indivíduo de forma mais rápida e mais inteligível do que conteúdo textual. Ou, mais precisamente, o cérebro de uma pessoa é programado para reconhecer e dar sentido para informação visual de forma mais eficiente, o que é extremamente útil considerando que 90% de toda a informação que vem ao cérebro é visual. 

Ou seja, muita coisa interessante e legal para investigar e prover transparência de um jeito visual e convidativo. 

Até a próxima!

Obs.: Esse texto utilizou como base o trabalho de pesquisa da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) que culminou na dissertação de mestrado de Rafael Lage intitulada "Visualizações para Apoiar o Acompanhamento de Discussões Políticas" (2012).

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[1] NONAKA, I. TAKEUCHI, H., Criação de conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação, Rio de Janeiro, Ed. Campus, 1997.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Estudo de caso aberto em Mineração de Processos – parte 2

Continuando o último post apresentamos mais detalhes do Business Process Intelligence Challenge - BPIC 2017, que nos propõe atualizar a análise de um caso tratado no desafio de 2012. A organização dona do processo implementou algumas das recomendações recebidas em 2012 e reapresenta o caso para nova análise.

Antes de examinar o log de eventos fornecido, vamos estudar as informações disponíveis para buscar um entendimento preliminar do processo. Na página do BPIC  2017 temos algumas informações e, excepcionalmente este ano, também temos aqui os artigos apresentados no desafio de 2012. Para compensar o fato de não podermos resolver dúvidas e obter esclarecimentos adicionais acessando diretamente a organização dona do processo, o Fórum de Discussões do ProM (Process Mining) abriu aqui um canal de discussão específico para o BPIC 2017. Representantes da organização acompanham este fórum e tentam responder às questões colocadas pelos participantes do desafio.

Pelas informações disponíveis nessas várias fontes verifica-se que o processo a ser analisado tem como objetivo controlar a concessão de empréstimos solicitados por pessoas físicas. O processo é apoiado por um sistema de informação, através do qual são executadas e registradas as ações do processo. O sistema é também responsável por dois artefatos de negócio produzidos pelo processo, a Solicitação de Empréstimo e a Proposta Financeira.

O processo inicia quando o Cliente submete uma Solicitação de Empréstimo. Após avaliação preliminar, a Organização rejeita o pedido ou oferece uma Proposta. Se o Cliente aceitar a Proposta, uma nova avaliação é realizada que, mais uma vez, pode resultar numa aprovação ou rejeição. Na mesma Solicitação o Cliente pode receber múltiplas Propostas, mas pode aceitar apenas uma. O processo pode encerrar de várias formas, pela aprovação da Solicitação após o aceite de uma Proposta, pela rejeição da Solicitação pela Organização ou pela desistência do Cliente.

O Log de eventos fornecido para o desafio contém 3 fluxos de eventos distintos interligados. Dois fluxos tratam de eventos associados a mudanças de estado dos artefatos sistêmicos: Solicitação e Proposta. Ou seja, os eventos registram o resultado de ações ou decisões que determinam os estados da Solicitação de Empréstimo e da Proposta Financeira. O terceiro fluxo trata dos eventos associados às atividades executadas no processamento da Solicitação, em geral corresponde às ações manuais executadas pelos funcionários da organização que participam do processo.

Os nomes dos eventos no Log são identificados por um prefixo associado a cada fluxo. Os eventos referentes aos estados da Solicitação são identificados pelo prefixo “A” de Application e os referentes aos estados da Proposta são identificados pelo prefixo “O” de Offer. Os eventos que se referem às atividades executadas no tratamento da Solicitação são identificados pelo prefixo “W” de Workflow.

Neste ponto, já podemos arriscar uma primeira tentativa de modelo descrevendo os passos do processo e estados da Solicitação e Proposta:
  1. Cliente faz uma Solicitação de empréstimo através de uma página web. A Solicitação é criada no estado A_Submitted 
  2. Sistema faz primeira checagem e Rejeita ou Aceita a Solicitação. Uma Solicitação pode ser criada pela organização ser avaliada diretamente sem passar pelo estado A_Submitted 
  3. No caso de rejeição, a Solicitação é automaticamente encerrada com estado A_Denied 
  4. No caso de aceite, a Solicitação passa para estado A_Concept e continua sendo processada 
  5. Funcionário analisa a Solicitação e verifica as informações registradas. Se necessário, contata Cliente para pedir informações adicionais 
  6. Funcionário avalia a Solicitação e conclui pela rejeição ou aprovação 
  7. No caso de rejeição, a Solicitação é encerrada com estado A_Denied 
  8. No caso de aprovação, a Solicitação passa para o estado A_Accepted 
  9. Funcionário cria uma ou mais Propostas de Empréstimo no estado O_Created 
  10. Funcionário envia Proposta ao Cliente (e-mail e/ou correio), a Solicitação passa para o estado A_Complete e a Proposta para o estado O_Sent 
  11. Caso o Cliente não aceite nenhuma Proposta a Solicitação é encerrada no estado A_Denied 
  12. Caso o Cliente desista da Solicitação ou abandone sem dar retorno, a Solicitação é encerrada no estado A_Cancelled 
  13. Caso o Cliente aceite, devolve a Proposta assinada junto com documentos necessários (identificação, renda, etc.). A Solicitação passa para o estado A_Validating, a Proposta é marcada como O_Selected e colocada no estado O_Sent Back 
  14. A Solicitação é novamente analisada e, se necessário, o Cliente é contatado para prestar informações adicionais. Havendo pendências do Cliente a Solicitação é colocada no estado A_Incomplete 
  15. Funcionário avalia a Solicitação para decidir pela rejeição ou aprovação 
  16. No caso de rejeição, a Solicitação é encerrada com estado A_Denied e a Proposta passa para o estado O_Declined 
  17. No caso de aprovação, o Valor do empréstimo é disponibilizado ao Cliente e a Solicitação passa para o estado A_Pending, a Proposta passa para o estado O_Accepted

As intervenções manuais no processo acontecem através de atividades criadas pelo Sistema quando a Solicitação é colocada em determinados estados, e disponibilizadas para serem executadas pelos Funcionários participantes do processo:
  • W_Handle leads – é a primeira verificação automática realizada no registro da Solicitação. Se aprovada aciona Complete application. Na ocorrência de problema técnico esta atividade é redirecionada para execução manual
  • W_Complete application, W_Call incomplete files – correspondem a contatos com o Cliente para completar informações e documentação necessários para a Solicitação
  • W_Call after offers – atividade realizada após envio da Proposta ao Cliente para reiterar oferta, esclarecer dúvidas, etc.
  • W_Validate application – atividade de avaliação do Cliente e Solicitação
  • W_Assess potential fraud – atividades adicionais de avaliação do Cliente e Solicitação
  • W_Shortened completion – é uma atividade acionada quando o Cliente tem perfil de baixo risco que justifica uma avaliação mais simples e rápida
  • W_Personal loan collection - é uma atividade acionada em determinados casos para definição de data de pagamento das prestações

O Log contém todos os eventos referentes às solicitações de empréstimos registradas em 2016 e seu processamento até fevereiro de 2017. No total, contém 1.202.267 eventos, distribuídos nos 3 tipos de fluxos, que se referem a 31.509 Solicitações e 42.995 Propostas. No total, existem 36 eventos distintos distribuídos entre os 3 fluxos.

No Log, os eventos do tipo “A” e “O” registram a data/hora da mudança de estado e seu nome está sempre marcado pelo complemento “complete”, sinalizando que o evento registra o final de uma ação. Os eventos do tipo “W” registram a data/hora de 3 situações possíveis, a colocação da atividade em uma fila (“schedule”), o início de execução da atividade (”start”) e sua finalização (“complete”). 

Os dados de cada Evento são:
  • Etapa do ciclo de vida (ex.: ”start” ,“complete”, “schedule”,...)
  • Nome do evento
  • Recurso responsável pelo evento
  • Data/hora da ocorrência do evento

Os dados da Solicitação são:
  • Identificador da solicitação (ID)
  • Valor solicitado pelo Cliente (euros)
  • Tipo de solicitação
  • Motivo da solicitação

Os dados da Proposta são:
  • Identificador da proposta (ID)
  • Valor da proposta
  • Valor da retirada inicial
  • Número de parcelas para pagamento
  • Custo mensal
  • Pontuação de crédito do cliente
  • Funcionário responsável pela proposta
  • Indicação de que a Proposta foi “selecionada” 
  • Indicação de que a Proposta foi aceita pelo cliente

No próximo post veremos mais detalhes do Log de eventos e padrões de formato para leitura pelas ferramentas de mineração.

Até lá.

Você conhece os autores do Blog Comunidade Áreas de Integração?


quarta-feira, 19 de abril de 2017

O FACIN e a EGD - O Framework de Arquitetura Corporativa

No artigo anterior, apresentamos a Estratégia de Governança Digital (EGD) do Governo Brasileiro. Pensar e agir, nesse modelo de transformação digital, raramente nos permite atuar em um modelo chamado “green-field”, ou seja, refazer completamente novas soluções e serviços “do zero” e de forma integrada e otimizada. Salvo exceções, o custo, esforço e tempo é, muitas vezes, proibitivo.

Desenvolver uma visão global e comum para todas as partes envolvidas em uma iniciativa de transformação digital, a fim de que ações mais pontuais e ágeis, possam coexistir com o ambiente atual, em um plano de longo prazo, é a missão principal das práticas de Arquitetura Corporativa.

Estruturado a partir das novas necessidades que tratam aspectos de interoperabilidade de informação e serviços para a era digital e das práticas de governança, como parte da evolução da ePing, o FACIN - Framework de Arquitetura Corporativa para Interoperabilidade no apoio à Governança – apresenta-se como um conjunto de práticas comuns e necessárias para implementação e operacionalização de soluções e serviços públicos digitais integrados.


O FACIN foi desenvolvido a partir de modelos existentes e atuais de Arquitetura Corporativa orientada a Governo, seguindo uma trajetória comum em diversos países, como parte da evolução dos padrões de apoio ao governo eletrônico, bem como da governança digital. Suas práticas e orientações seguem padrões estabelecidos de mercado, sendo uma das características inovadoras do FACIN a sua orientação aos Serviços Públicos Digitais a partir das necessidades e experiências da Sociedade.

Enquanto framework, o FACIN organiza práticas e componentes de diferentes disciplinas, de forma integrada e simplificada, a fim de assegurar os elementos mínimos e viáveis para o desenvolvimento e oferta de serviços públicos digitais. Não compete ao FACIN a aplicação de todos os padrões existentes e necessários, bem como as definições técnicas e atribuições operacionais individuais de todos os serviços, mas a orientação sobre quais são os elementos vitais e comuns, organizados em nove "Visões", a fim de permitir maior interoperabilidade, eficiência e homogeneidade entre os serviços e atores responsáveis por tais ofertas.

Estruturado em 4 principais componentes - Governança de Arquitetura (como gerir), Método de Desenvolvimento de Arquiteturas (como implantar), Framework de Conteúdo (o que implantar) e Padrões e Modelos de Referência (o que referenciar) – o FACIN representa o  “como fazer”, em relação aos direcionamentos da EGD.

O Framework está em fase de desenvolvimento porém, você pode ter acesso aos Modelos de Referência, disponibilizados anteriormente em Consulta Pública neste link. Sugiro também a leitura dos ótimos e recentes artigos dos parceiros de Blog, Antonio Plais e Hadeliane Iendrike, envolvendo a arquitetura corporativa!

No próximo artigo apresentaremos como o FACIN suporta a EGD.

Comunicando Arquiteturas Corporativas (Parte 1)

Por Antonio Plais (*)

Muito se tem falado aqui neste espaço sobre o tema da “arquitetura corporativa”. Os trabalhos de desenvolvimento do FACIN- Framework de Arquitetura Corporativa para Interoperabilidade no Apoio à Governança estão avançando de forma significativa, rumo à realização das oficinas de validação dos modelos de referência e conteúdo propostos, e atraindo a atenção de outras esferas de Governo (veja aqui).

Na Introdução do documento do FACIN é declarado que “Por meio do estabelecimento da Arquitetura Corporativa e de padrões de interoperabilidade, o FACIN apoiará a Estratégia de Governança Digital Brasileira, ampliando a colaboração entre as organizações do Governo Federal e melhorando a eficiência dos serviços de governo eletrônico para a sociedade (cidadãos, governos, organizações e empresas)”.

O termo “arquitetura corporativa” admite duas interpretações: por um lado, ele pode se referir à estrutura e aos princípios de funcionamento de uma organização, e, por outro, à descrição desta estrutura e destes princípios. Enquanto no primeiro sentido admitimos a ideia de que não possa existir uma organização sem que, de alguma, forma, exista uma arquitetura subjacente (mesmo que não documentada), no segundo sentido está clara a necessidade de algum método de descrição desta arquitetura. O FACIN é, desta forma, uma proposta de criação de um método comum de descrição das arquiteturas corporativas das organizações governamentais. Sendo assim, em última instância, o FACIN descreve um conjunto de conceitos, técnicas e artefatos que proporcionem a COMUNICAÇÃO das descrições das arquiteturas corporativas das várias organizações, permitindo que, através de uma linguagem comum, estas organizações possam efetivamente colaborar para a melhoria dos serviços prestados à Sociedade.

Esta discussão inicial nos leva, então, ao tema desta série de artigos: como comunicar arquiteturas corporativas? Que tipo de conhecimento é necessário transmitir, com qual objetivo, para quem?

Descrever uma arquitetura é comunicar

“Descrever arquiteturas tem a ver com a comunicação. Se alguma descrição de arquitetura não é usada como meio de comunicação de alguma forma, então esta descrição não deveria jamais ter sido criada” (Erik Proper)
O padrão IEE 1471 (2000) relaciona uma série de usos potenciais para descrições da arquitetura corporativa:

  • Expressão de um sistema e sua (potencial) evolução
  • Análise de arquiteturas alternativas
  • Planejamento de negócios para fazer a transição de uma arquitetura legada para uma nova arquitetura
  • Comunicação entre organizações envolvidas no desenvolvimento, produção, estabelecimento, operação e manutenção de um sistema
  • Comunicação entre adquirentes e desenvolvedores como parte da negociação de contratos
  • Critérios para a certificação da conformidade da implementação de arquiteturas
  • Desenvolvimento e manutenção de documentação, incluindo material para repositório de reuso e material de treinamento
  • Entrada para o subsequente desenho de sistemas e atividades de desenvolvimento
  • Planejamento e suporte para orçamento
  • Revisão, análise e avaliação do sistema ao longo do seu ciclo de vida
  • Especificação para um grupo de sistemas que compartilham um mesmo conjunto de funcionalidades

Cada um destes usos da arquitetura envolve a comunicação. A comunicação proporciona a interoperabilidade. A interoperabilidade leva à evolução e ao aumento da eficiência!

Cabe notar, aqui, que o termo “sistema” é usado acima em um sentido amplo, e não apenas restrito a sistemas de informática. Um sistema é definido como:
“Uma coleção de componentes organizados para desempenhar uma função, ou conjunto de funções, específica. O termo sistema abrange aplicativos individuais, sistemas no sentido tradicional, subsistemas, sistemas de sistemas, linhas de produção, famílias de produtos, organizações completas, e outras agregações de interesses” (IEEE 1471)
Para a descrição de arquiteturas, diversas formas de comunicação podem ser usadas: textual, verbal, visual, ou qualquer combinação destas. Independente da forma utilizada, uma série de condições e requisitos se aplicam. Para definir os requisitos para a comunicação das arquiteturas, vários fatores devem ser levados em consideração: os objetivos da comunicação, as preocupações que devem ser endereçadas, os objetivos do desenvolvimento do sistema, as metas, habilidades e atitudes dos atores envolvidos, etc.

Próximos passos

Na continuação desta série de artigos, vamos discutir:
  • O desenvolvimento de sistemas como um processo de transformação do conhecimento
  • Estratégias de conversação (para a comunicação em geral)
  • Conversações para a comunicação da arquitetura
  • A linguagem ArchiMate como meio de descrição de arquiteturas

Até a próxima!!

(*) Baseado no livro Enterprise Architecture at Work, 4ª edição (2017), Marc Lankhorst et al

terça-feira, 18 de abril de 2017

A Arte de Modelar


Aqui eu comento sobre a arte de pintar e finalizo questionando sobre a analogia entre a pintura e a modelagem da arquitetura corporativa.

O ponto é que quando desejamos modelar algo, como, por exemplo, a arquitetura corporativa de uma empresa, primeiro é necessário saber sobre qual realidade o modelo será construído, ou seja, a “coisa” existente na realidade que será representada. Depois precisamos ter o conceito, ou seja, a abstração que será feita para traduzirmos a realidade. E por último, o símbolo que utilizaremos nessa representação, ou seja, os instrumentos que serão utilizados.



Esses três aspectos estão totalmente interligados em qualquer modelagem que façamos. Outra analogia que podemos utilizar é a fala, visto que esta também pode ser vista como uma forma de modelagem. Nela temos o “do que” estamos falando – a realidade –, o conceito que ele representa e o símbolo que utilizamos que é o idioma, ou seja, as palavras em si. Repare que quando fazemos uma tradução, estamos mudando apenas os símbolos. Os conceitos e a coisa continuam os mesmos e é justamente por isso que conseguimos nos comunicar.

Arquitetura Corporativa é, em essência, os modelos que representam uma organização. É claro que temos todas as práticas associadas à construção e uso desses modelos, mas não temos como praticar Arquitetura Corporativa sem modelagem.

Analise, por exemplo, o diagrama abaixo:



Essa imagem, apresentada dessa forma, sem que digamos sobre qual realidade ela está se referindo, sem indicarmos os conceitos que estão sendo abstraídos e sem identificarmos a linguagem que utilizamos, tem seu poder de representatividade reduzido a retângulos coloridos!


Essa é a Arte de Modelar!