domingo, 13 de dezembro de 2015

Estudantes goianos criam soluções de transparência aos dados do Governo



Cerca de 85 estudantes de diversas faculdades goianas dos cursos de tecnologia e informática, engenharia, administração, entre outros, passaram o final de semana imersos numa maratona programada pelo Governo de Goiás: a Hackatona Let´s GO. O evento, realizado na Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia, desafia os estudantes a proporem soluções a partir de dados do orçamento do Governo estadual em três eixos: contratação de produtos e serviços de forma mais intuitiva, mecanismos para acesso facilitado às despesas do Estado e, fornecimento de inteligência sobre dados de arrecadação e despesas por setor e atividade econômica.

Os vencedores da Hackatona serão conhecidos nesta segunda-feira (14/12), às 10 horas. Escolhidos por um júri de entidades do terceiro setor e empreendedores, os vencedores serão submetidos a uma “mentoria criativa” e, com os prêmios recebidos, poderão desenvolver suas propostas no mercado. 

O primeiro lugar da maratona hacker ganhará 40 dias de incubação para a startup criada durante a Hackatona, além de bolsas de estudo Empretec, que, promovido pelo Sebrae, é considerado uma das principais soluções para contribuir com o desenvolvimento de características do comportamento empreendedor. O segundo lugar irá ganhar 30 dias de incubação e o terceiro, 20. Durante esse período, os vencedores terão total suporte e treinamento de empreendedores para que eles desenvolvam ideias e as transformem em empreendimentos com potencial de sucesso.

A estudante de pós-graduação em Gestão e Negócios Renata de Fátima Alves, formada em administração de empresas, é uma das participantes da Hackatona e pretende trabalhar no evento as 54 horas de duração e ainda participar das palestras que virão em seguida. “Deixei o meu fim de semana de balada para me juntar a outros colegas com o propósito de buscar mecanismos facilitadores de acesso às informações do Governo estadual. Percebo que as informações estão disponíveis, porém, de difícil acesso aos leigos. Precisamos melhorar isso”, afirma Renata.

Essa é também a percepção do secretário Thiago Peixoto, de Gestão e Planejamento. “O Governo estadual disponibiliza todas as informações através da internet, de forma transparente, mas reconheço que o acesso nem sempre é fácil. Por isso, através da Hackatona, com a participação dos estudantes goianos, queremos buscar a melhor solução de acesso ao banco de dados do Estado e criar uma rede de inovação e empreendedorismo em Goiás”, afirma o Secretário.

O estudante do 4º período de engenharia da produção, da Universidade Federal de Goiás, Leonardo Souza Costa, participante da Hackatona Let´s GO, espera adquirir conhecimentos na área do empreendedorismo com os tutores da área que estão no evento e criar uma proposta mais efetiva para resolver a questão do acesso às informações do Governo, de forma ainda mais transparente. “A iniciativa da Segplan é muito louvável, criando incentivo de inovação. Tem muita galera aqui em Goiânia disposta a contribuir com o Governo”, garante.

Organizada pela Secretaria de Gestão e Planejamento (Segplan), com apoio da Controladoria Geral do Estado (CGE) e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SED), por meio do Inova Goiás, a hackatona, que é a primeira parte do Let´s GO, divide os participantes em equipes, sempre representada por um programador, um designer e um empreendedor e o pessoal de criação e apoio. Ao todo, eles trabalharam 54 horas seguidas construindo soluções para tornar mais facilitado o acesso aos dados públicos.

Mais informações em: www.lets.go.gov.br


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

XBRL: Transparência e Gestão




Simplificar e uniformizar o intercâmbio das informações financeiras e contábeis, este é o objetivo da tecnologia XBRL, sigla que em inglês significa Extensible Business Reporting Language . Criada pelo auditor independente norte-americano Charles Hoffmann, é derivada da linguagem XML, até então de uso incipiente e largamente utilizada com a massificação da internet. 

Assim como outras tecnologias desenvolvidas nos últimos anos para garantir maior transparência no mundo dos negócios a XBRL quer garantir que as informações contábeis sejam publicadas de modo transparente, padronizado e compreensível. O novo modelo de comunicação de dados financeiros, desenvolvido desde 1998, já é utilizado por alguns países. A intenção é automatizar a transferência de informações contábeis financeiras, como os balanços, feitas ainda em papel por meio de arquivos nos programas Word, Excell ou PDF, entre outros. No novo sistema, os dados poderão ser acessados via internet.

O padrão XBRL é gerenciado pela XBRL Internacional, um consórcio mundial com fins não-lucrativos, contando com a participação de aproximadamente 550 companhias, empresas de auditoria e informática e por várias agências e entidades internacionais, que têm por objetivo construir essa linguagem, promovendo e oferecendo suporte a sua adoção. De acordo com o especialista em governança, gestão de risco e compliance da PricewaterhouseCoopers Evandro Carreras, um dos grandes motivadores do desenvolvimento dessa nova tecnologia é a Securities and Exchange Commission (SEC) - o equivalente norte-americano à brasileira Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 

Nos Estados Unidos, a SEC já investiu algo em torno de U$ 54 milhões para criar um ambiente de comunicação com suporte em XBRL para substituir o banco de dados existente até então. O professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) Edson Luiz Riccio é o responsável pela introdução no Brasil do XBRL. Ele integra a Comissão Brasileira de Implementação do XBRL, criada pelo Conselho Federal de Contabilidade. Para adotar esse formato, é necessário que seja criada uma jurisdição brasileira, que regulamentará o seu uso no País.

Hoje, os grandes limitadores para a análise de balanços são o acesso às informações financeiras, diversidade de padrões contábeis e principalmente um padrão único para disponibilização dos relatórios contábeis. O XBRL vem viabilizar as soluções destes problemas. As principais Centrais Públicas de Balanço ao redor do mundo começam a usar o XBRL como padrão de informações. "Estas centrais começam a surgir em vários mercados, inclusive no Brasil", estima o contador e professor universitário Alexandre Alcântara. 

O especialista ressalta que o mundo já está em franco processo de convergência às normas internacionais de contabilidades. Mais de cem países estão empenhados na uniformização das IFRS (International Financial Reporting Standard) e da (International Financial Reporting Standard). O próprio Brasil, com a promulgação da Lei 11.638/2007, que alterou significativamente o capítulo referente às demonstrações contábeis, também caminha nesse sentido. O International Accounting Standards Board (IABS) já adotou o XBRL como padrão de referência de divulgação dos relatórios contábeis.

Nos Estados Unidos, a SEC já liberou o acesso público à ferramenta Financial Explorer e esta possibilita aos investidores a manipulação do XBRL das demonstrações contábeis publicadas pelas companhias americanas de capital aberto, permitindo dentre outras possibilidades a produção de gráficos, indicadores e tabelas com maior facilidade.

"Com o XBRL estamos criando um ambiente propício para análise de balanço dentro de um mercado global, com normas convergentes. Os analistas ganham, sim, um grande aliado em seu trabalho", destaca. De acordo com o Alcântara, os benchmarkings ficarão potencialmente mais viáveis com surgimento de ferramentas de coleta e análise de dados em escala global.

Por parte dos governos, os maiores ganhos serão sentidos para as bolsas de valores. Normalmente vinculadas aos governo federal, passarão a usar o mesmo padrão de linguagem de todas as bolsas ao redor do mundo. Os grandes estudos e discussões atuais da XBRL estão focados na definição das taxonomias específicas para seus usuários. É na taxonomia, por meio de um vocabulário controlado, que poderão ser construídos documentos para a área financeira. Essa especificação dos dados, que é a explicação técnica do que vem a ser o XBRL e de como funciona (metalinguagem), forma a base da linguagem e viabiliza a função principal da mesma. Esta função é facilitar a divulgação de ampla gama de conteúdos contábil-financeiros, apesar da complexidade das informações e regras que esses devem seguir, de maneira que possam ser facilmente compartilhados, compreendidos e manuseados pelos usuários.
Assim, conforme Alcântara, será viabilizado o intercâmbio de informações contábeis e financeiras. Ele destaca que os governos, por força legal, não têm apresentado restrição no acesso aos dados contábeis das empresas. "O XBRL apenas deixa mais fácil esta exigência, pois as empresas poderão usar uma linguagem e taxonomia no momento de enviarem seus dados aos órgãos governamentais." Diante do exposto, é necessário além das ações que ocorrem ao redor do mundo e em particular no Brasil, a adoção do padrão XBRL, por parte das entidades governamentais em todos os sistemas que são alimentados por dados contábeis a exemplo das obrigações acessórias da Receita Federal de forma a minimizar possíveis erros por duplicação de informações.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

NYC Business Express, o Departamento de Assuntos do Consumidor de NYC (DCA): Portal para Initiativas de Licenças para Negócios e o reconhecimento do governo

NYC Business Express, the NYC Department of Consumer Affairs (DCA):  Business License Portal Initiative and the government recognition


 By Eugene Weinstein, MBA
Public Service Enterprise Group
(PSEG, USA)

Portuguese version:  Ilan Chamovitz , D.Sc.
( Ministry of Health, Brazil)

August 2015


This article presents how New York City – Department of Consumer Affairs (DCA) solved a process problem by implementing a data transfer protocol based on Information Technology and how the NYC government recognized this innovation.

The project team has had issues assuring the data provided to DCA due to the complexity of organizational and personal business licensing requirements that needed to be captured electronically.  Additionally, the structure of the data exchanges had to comply with the NYC Government data exchange standards, which mandated the use of the National Information Exchange Model (NIEM), the US Federal Government data exchange standard, for the data exchange payload structure and the corresponding information domain had not yet been developed in NIEM repository at that time.

In order to assure the data being transferred to DCA the team has developed an innovative data exchange quality assurance process based on the extensive data documentation and on the automated payload structure checking support in the XML Spy tool.  The data documentation included a line of sight mapping from the user interface to the payload structures, building on the exchange data dictionary, which had always been developed as the first step in the process.

In order to assure the acceptable level of the data exchange soundness the project team agreed with the client to conduct a set of tests to find and flag the data exchange issues. The tests included the XML Schema compliance (an automated test capable of wielding out 70% of the issues), the data completeness check that compared the data in the exchange XML document to the data provided in the online form (another 20% of issues), and the referential integrity check of the exchange data (NIEM-based structures have built-in references).

As the project scope expanded, the team has added source data definition structuring, profiling, and the reconciliation of the source data and the data exchange definitions in order to make sure that the type and cardinalities of the source data elements match those defined in the data exchange payload specifications thus enabling the XML Schema compliance test. The team has conducted the source data reconciliation sessions during which the source data mapping was clarified and added to the data mapping document provided to the quality assurance team as a part of the exchange documentation.

The NYC business licensing portal (nyc.gov\Business) is now capable of accepting the online applications for over forty license types, delivering license applications, receiving supporting data, and coordinating approvals with six NYC Government departments, as well as accepting and processing applicant’s payments. The portal has changed the arduous NYC business license application process that had required multiple personal appearances and weeks of waiting to an online one where, in many cases, an applicant was capable of completing an application in a matter of hours and of receiving the license by mail within days without a need for a personal appearance. For their outstanding performance the project team has been awarded a NYC Government Certificate of Recognition.

NYC Business Express, o Departamento de Assuntos do Consumidor de NYC (DCA): Portal para Initiativas de Licenças para Negócios e o reconhecimento do governo


Por Eugene Weinstein, MBA
Public Service Enterprise Group
(PSEG, USA)

Versão em Português:  Ilan Chamovitz , D.Sc.
( Ministério da Saúde, Brasil)

Agosto  2015


Este artigo apresenta como a equipe do departamento de Assuntos do Consumidor de Nova York solucionou um problema de processo por meio da implementação de um protocolo de transmissão de dados fundamentado em Tecnologia da Informação e como o governo de Nova York reconheceu esta  inovação

A equipe de projeto NYC Business Express de Nova York (NYC-DOITT)  experimentava   problemas para assegurar os dados fornecidos para o DCA, devido à complexidade dos requisitos organizacionais e pessoais de licenciamento de negócios que precisavam ser capturada eletronicamente. Além disso, a estrutura dos intercâmbios de dados teve de cumprir com as normas de intercâmbio de dados do governo de NYC, que exigiu o uso do National Information Exchange Model (NIEM), o padrão de troca de dados do Governo Federal dos EUA, a troca de dados entre  a estrutura de carga útil e o correspondente domínio da informação que ainda não havia  sido desenvolvido em repositório NIEM naquele momento.

A fim de assegurar os dados que estão sendo transferidos para DCA, a equipe desenvolveu um processo inovador de garantia de qualidade baseado na extensa  documentação de dados na  troca de dados e no suporte à verificação da carga de transmissão da ferramenta  XMLSpy.  A documentação de dados incluiu uma linha de mapeamento visual , da interface do usuário para as cargas de transmissão, criando no dicionário de dados de trocas, que sempre havia  sido desenvolvido como o primeiro passo no processo.

A fim de assegurar o nível aceitável da solidez de intercâmbio de dados, a equipe do projeto acordou  com o cliente para se realizar um conjunto de testes para encontrar  e marcar as questões relacionadas ao  intercâmbio de dados. Os testes incluíram o cumprimento de esquema XML (um teste automatizado capaz de empregar  70% das questões), a verificação de integridade de dados, que comparou os dados no documento XML de troca com os dados fornecidos no formulário on-line (outros 20% das questões) e a verificação de integridade referencial dos dados de troca (estruturas baseadas em NIEM comportam referências  embutidas).

Coma expansão do  escopo do projeto , a equipe adicionou estruturação de definição de fontes de dados, perfis, e a reconciliação das fontes de dados e as definições de intercâmbio de dados, a fim de certificar-se de que o tipo e cardinalidades dos elementos de fontes de  dados  coincidiam com aqueles dados definidos nas especificações de  intercâmbio de carga de transmissão permitindo assim o teste de conformidade Schema XML. A equipe conduziu as sessões de reconciliação de dados de origem durante as quais o mapeamento de dados de origem foi explicado  e adicionado ao documento de mapeamento de dados, e fornecido  para a equipe de garantia de qualidade como parte da documentação de câmbio.

O portal para licenciamento de negócios NYC (nyc.gov \ Business) é agora capaz de aceitar os aplicativos on-line para  mais de quarenta tipos de licença, provendo  os pedidos de licença, recebendo dados de apoio, coordenando aprovações com seis departamentos governamentais de  NYC, bem como aceitar e processar pagamentos do requerente.  O portal mudou o árduo  processo de aplicação para  licença de negócio em NYC  que exigia vários comparecimentos pessoais e semanas de espera para uma licença online, onde, em muitos casos, o requerente era  capaz de completar uma aplicação em questão de horas e de receber a licença por correio  após alguns dias sem a necessidade de comparecimento  pessoal. Por seu excelente desempenho a equipe do projeto recebeu um Certificado de Reconhecimento Governo  de NYC.



Por que precisamos conectar os dados publicados na Web?

Por Thiago Ávila*

No primeiro artigo desta série, abordamos a problemática da oferta de dados que vem crescendo exponencialmente no âmbito da economia digital, mas com qualidade e poder de reutilização muito baixo. Conforme já explorado, estes dados estão, predominantemente, em formato não estruturado - o que limita sua descrição e reutilização por outras aplicações e pessoas. Além disso, devido à baixa qualidade dos dados disponibilizados, o processo de reutilização tem sido caro [1].

Nesta direção, novas abordagens em torno dos dados foram sendo desenvolvidas ao longo dos anos e atualmente, busca-se o estabelecimento de um conceito de dado que possa ser amplamente utilizado sem restrições de uso e aplicações, de tal maneira que o ciclo de produção de conhecimento possa ser mais rico e aprimorado [2]. O conceito de dados abertos foi estabelecido neste horizonte e consistem de Dados que podem ser utilizados livremente, reutilizados e redistribuído por qualquer pessoa - sujeito apenas, no máximo, com a exigência de atribuir o compartilhamento pela mesma licença [3].

Os dados abertos permitem que pessoas e organizações utilizem informações públicas livremente para gerar aplicativos, fazer análises ou mesmo produtos comercializáveis. Para que um conjunto de dados seja considerado aberto, ele precisa permitir que o cidadão acessasse com facilidade e o utilize ou redistribua sem restrições. Ademais, os dados precisam ser facilmente encontrados em um lugar indexado, sem impedimento de leitura por máquinas ou restrições legais [4].

No âmbito governamental, para conceituar o como devem ser os dados abertos governamentais foram estabelecidas três leis, ou seja, as condições para que um determinado dado governamental seja considerado como aberto [5]:

Se o dado não pode ser encontrado e indexado na Web, ele não existe; 
Se não estiver aberto e disponível em formato compreensível por máquina, ele não pode ser reaproveitado; e 
Se algum dispositivo legal não permitir sua replicação, ele não é útil. 

Complementarmente, a The Association of Computing Machinery’s publicou uma recomendação para dados governamentais, onde estabeleceu que:

"Os dados publicados pelo governo deve ser em formatos e abordagens que promovam a análise e reutilização desses dados." [6].

Desta forma, o conceito de dados abertos governamentais emergiu como uma forte referência à publicação de dados na web, criando novos canais de comunicação entre governos e seus cidadãos, onde inúmeros portais e catálogos de dados web foram desenvolvidos, em nível continental, como o da União Europeia (www.publicdata.eu – reunindo catálogos de 29 países), em nível nacional como o dos E.U.A. (www.data.gov), do Reino Unido (www.data.gov.uk) e do Brasil (www.dados.gov.br), e ainda em nível local, como o do Estado de Alagoas (www.dados.al.gov.br), ofertando milhares de conjuntos de dados online. Tais iniciativas têm sido bastante impulsionadas em nível global, como o estabelecimento da Parceria para o Governo Aberto (Open Government Partnership) [7] que reúne cerca de 65 países (incluindo o Brasil) em torno do estabelecimento de Governos mais transparentes, participativos e que engajem a sociedade na co-criação e colaboração em torno de soluções de interesse público.

Assim, o volume de dados e informações produzido, bem como a atual descentralização destas estruturas de produção impõem desafios cada vez maiores, pois a tomada de decisão precisa ser subsidiada por informações integradas, comumente decorrente do cruzamento de várias bases de dados. Neste contexto, os consumidores de dados visualizam que a oferta de dados atual vastamente espalhada pela web representa um grande inconveniente, pois existe a necessidade de primeiro obter e armazenar estes dados localmente, antes que possam ser utilizados para a produção de informações relevantes [8].

Cumpre ressaltar ainda que, mesmo que a informação do setor público esteja disponível em formato aberto, pode estar publicada de forma caótica. Ademais, a mesma informação pode ser encontrada em diferentes locais da web e ainda, sem haver nenhuma conexão entre tais fontes de informações, apresentando, por exemplo, qual é a informação mais atualizada. Diante desta situação, para que os usuários tenham confiança nos dados disponibilizados eles buscam analisar a sua procedência, dando preferência àqueles que são originários de fontes confiáveis. Por outro lado, estes dados confiáveis são naturalmente disponibilizados por fontes distribuídas, não sendo incomum a ausência de hiperlinks para informações relacionadas, ora armazenadas no mesmo repositório de dados ou não [9].

O desafio presente consiste no fornecimento de meios eficazes para acessar dados das fontes distribuídas, e ainda, estipular mecanismos através dos quais eles podem ser conectados e integrados [8]. Outro desafio reside na limitação dos seres humanos em processar e conectar a atual oferta de dados e informações disponíveis, considerando que a internet faz com que a riqueza do conhecimento humano esteja disponível para qualquer pessoa, em qualquer lugar. Mais um desafio reside em como classificar e efetivamente utilizar o crescente volume de informação disponível para a obtenção das respostas necessárias.

Uma iniciativa interessante na direção deste desafio foi à proposição, por Tim Berners-Lee de uma escala de maturidade dos dados, conhecida como Esquema das 5 Estrelas dos Dados Abertos[10], conforme descrito abaixo: 

1-Estrela: O dado está disponível na web, em qualquer formato (pdf, png, jpeg);

2-Estrelas: O dado está disponível como sendo legível por máquina e estruturado (uma planilha do Excel);

3-Estrelas: O dado está disponível num formato não-proprietário (uma planilha CSV).

4-Estrelas: O dado é publicado usando os padrões de dados abertos do World Wide Web Consortium, como o (RDF e SPARQL) e possui identificadores universais (URIS); 

5-Estrelas: Todos os itens acima se aplicam, além de links para dados de fontes diferentes e utilização de semântica, ou seja, o dado é enriquecido e conectado com outros dados.


Figura 01 – Esquema de maturidade 5 Estrelas dos Dados Abertos [11] 

Além dos novos conceitos estabelecidos, desta importante escala de maturidade, do conjunto de esforços que vem sendo desenvolvidos pelo W3C, há uma grande intenção em aprimorar a oferta de dados gerados pela economia digital, afinal, os dados estão bem espalhados em sistemas e catálogos de dados mundo afora e, relembrando o primeiro artigo desta série, 67% da oferta de dados em 2020 poderão ser inúteis para reuso e apoio a construção do conhecimento e subsidiar a tomada de decisão e esta oferta de dados estará cada vez mais distribuída ao redor do globo. 

Precisamos ou não pensar em como melhorar esta oferta de dados e conectando-a e enriquecendo-a efetivamente? 

No próximo artigo desta série apresentaremos uma das perspectivas em desenvolvimento para a melhoria de dados na Web, que são os “Dados Conectados” apresentaremos este conceito e ao longo dos próximos posts, seu potencial, casos e uso, vantagens e limitações.

Até a próxima!!!

* Estes artigos contam são oriundos de pesquisas científicas desenvolvidas no Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (NEES), do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e contam com a contribuição direta dos pesquisadores Dr. Ig Ibert Bittencourt (UFAL), Dr. Seiji Isotani (USP), e Armando Barbosa, Danila Oliveira, Judson Bandeira, Thiago Ávila e Williams Alcântara (UFAL).

[1] Alcantara, Williams; Bandeira, Judson; Barbosa, Armando; Lima, André; Ávila, Thiago; Bittencourt, Ig & Isotani, Seiji. (2015). Desafios no uso de Dados Abertos Conectados na Educação Brasileira. Anais do DesafiE - 4º Workshop de Desafios da Computação Aplicada à Educação. CSBC 2015. Recife: Sociedade Brasileira de Computação.
[2] Bandeira, Judson; Alcantara; Williams; Barbosa, Armando; Ávila, Thiago; Oliveira, Danila; Bittencourt, I. & Isotani, S. (2014). Dados Abertos Conectados. Jornada de Atualização em Tecnologia da Informação. Anais do III Simpósio Brasileiro de Tecnologia da Informação - SBTI 2014. 
[3] OKFN. Open Data HandBook. Why Open Data ?. Open Knowledge Foundation. Disponível em: http://opendatahandbook.org/guide/en/why-open-data/. Acesso em: jul. 2015
[4] Neves. Otávio Moreira de Castro. Evolução Das Políticas De Governo Aberto No Brasil. Anais do VI Congresso Brasileiro de Gestão Pública – CONSAD. Brasília, Brasil. 2013. Acesso em out. 2014. Disponível em: http://consadnacional.org.br/wp-content/uploads/2013/05/092-EVOLU%C3%87%C3%83O-DAS-POL%C3%8DTICAS-DE-GOVERNO-ABERTO-NO-BRASIL.pdf 
[5] Eaves, David. (2009). The Three Laws of Open Government Data. Disponível em Eaves.ca: http://eaves.ca/2009/09/30/three-law-of-open-government-data. Acesso em: jul. 2015
[6] ACM. Association of Computing Machinery. ACM Recommendation On Open Government. 2009. Disponível em: http://www.acm.org/public-policy/open-government
[7] OGP. Open Government Partnership. Participating Countries. 2014. Acesso em: jul. 2015. Disponível em: http://www.opengovpartnership.org/countries
[8] Heath, T. (2011). Linked Data — Welcome to the Data Network. IEEE Internet Computing archive. Volume 15 Issue 6. Pages 70-73
[9] Galiotou, Eleni and Fragkou, Pavlina (2013). Applying Linked Data Technologies to Greek Open Government Data: A Case Study. Journal of Social and Behavioral Sciences, p 479-486, vol. 73; doi: 10.1016/j.sbspro.2013.02.080.
[10]Berners-Lee, Tim (2006). Linked Data. W3C. Acesso em: jul. 2015. Disponível em: http://www.w3.org/DesignIssues/LinkedData.html
[11] 5 STARS OPEN DATA... “5 Stars Open Data”. 2012. Acessado em set. 2014. Disponível em: http://5stardata.info/


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Normalização e estratégias de negócios


A visão que temos, normalmente, na criação e uso de normas técnicas é baseada em premissas usadas no sistema internacional de normalização:  a garantia de que materiais, produtos, processos e serviços estejam alinhados a seus objetivos. Com isso, cria-se uma base para que permita verificar a adequação de produtos e serviços a requisitos de segurança, confiabilidade e boa qualidade. Para as empresas, as normas podem ser usadas como elementos de otimização de custos e aumento de produtividade, além de habilitá-las a explorar novos mercados, possibilitando às pequenas empresas chegar em níveis de qualidade equivalentes aos de empresas de grande porte.

Mas é realmente possível alinhar os trabalhos de normalização ou uso de normas às estratégias empresariais?

A resposta, obviamente, não é simples e depende muito de como a empresa se posiciona atualmente em seu mercado e como pretende estabelecer seu caminho de evolução. Em alguns segmentos de mercado, a empresa pode estar atuando defensivamente, estar em momento de manutenção de sua fatia de mercado, estar em processo de crescimento com grande nível de pró-atividade ou se comportar agressivamente para deslocar concorrentes e solidificar uma posição privilegiada de mercado. Em cada um desse cenários a empresa pode escolher com o uso, ou criação, de normas pode estar alinhado com sua atuação.

Para novos participantes de mercado, o uso de normas é normalmente baseado na premissa de que seus clientes potenciais esperam que determinadas características de seus produtos ou serviços estejam alinhados, ou em conformidade, com determinados padrões com os quais o mercado consumidor já esteja acostumado ou que os reguladores entendam ser adequados ao estabelecimento de uma maior competitividade entre as empresas ou itens obrigatórios de segurança ao consumidor. Neste caso, a conformidade de seu produtos e serviços a padrões estabelecidos e/ou requeridos no mercado é fundamental, enquanto se busca um conjunto de normas que possam acelerar seu crescimento ao permitir que novos desenvolvimentos de serviços e produtos estejam adequados às demandas de segmentos de mercado mais exigentes.

Para empresas que se estabelecem como "seguidores da onda", a adoção de padrões estabelecidos lhes permite navegar com certa tranquilidade no seu mercado alvo, sem grandes surpresas e maior previsibilidade de penetração de mercado. Como todo negócio de baixo risco, as margens que podem ser obtidas são menores mas, teoricamente, de maior segurança. É possível, com essa estratégia, estabelecer um crescimento moderado de negócios, sempre escolhendo áreas onde as tecnologias já estão bem estabelecidas.

Para líderes de mercado, ou para aqueles que querem se tornar membro deste clube, o uso de padrões mais novos, normalmente elaborados por consórcios de indústria que garantam o estabelecimento de diferenciais positivos a seus produtos e serviços é normalmente o recomendado. Nesse cenário, normalmente a empresa líder é aquela que promove e colabora com a criação de novos padrões técnicos que permitam a seus produtos e serviços maior penetração e consolidação no mercado. Um dos elementos importantes na estratégia dos líderes de mercado é o uso de padrões na construção de um ecossistema de empresas que produzam produtos e serviços complementares àqueles da sua linha principal de negócios, aumentando o valor adicionado e trazendo conforto ao consumidor quanto à longevidade ou usabilidade futura dos produtos.

Se quisermos olhar para essas estratégias de mercado, podemos olhar com atenção o mercado de smartphones. A Apple é, sem dúvida, líder inconteste no mercado premium desses dispositivos, com lançamentos anuais ansiosamente aguardados pelos mercados consumidores. A Nokia, com sua "negação" ao fenômeno dos smartphones viu a empresa ir perdendo seu valor e sua participação de forma gradativa, a ponto de desaparecer nesta década.

Outros exemplos de negação, desta vez no mercado fotográfico, são os da Kodak e da Polaroid, líderes incontestes num passado não tão distante e hoje apenas uma lembrança na memória de poucos.  Essas empresas olharam para os novos desenvolvimentos como simples modas e ameaças ao seu quinhão de mercado e se recusaram a entrar fundo nas discussões dos novos padrões de tecnologia e de mercado, perdendo sua capacidade de influenciadores e de líderes de seus segmentos.

A adoção ou criação de padrões não é o único elemento que define o sucesso ou o fracasso das iniciativas mas é, definitivamente, uma atividade que pode reforçar ou destruir por completo a capacidade de sobrevivência da empresa, muitas vezes a curto prazo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

XBRL a serviço do Governo Federal



A utilização de XBRL se baseia em taxonomias e instâncias. Taxonomia XBRL é o conjunto estruturado de arquivos com a especificação de todos os conceitos utilizados nos relatórios, e as instâncias são os arquivos que reportam os valores dos conceitos definidos na taxonomia.
Trata-se de uma tecnologia muito difundida, baseada em eXtensible Markup Language – XML , linguagem recomendada pelo W3C, o consórcio que define padrões utilizáveis na web. Portanto, o padrão XBRL é uma especialização do XML idealizada pelo consórcio XBRL International com o objetivo de torná-lo linguagem universal para divulgação de dados financeiros. No Brasil, o XBRL passou a aparecer na arquitetura e-Ping de interoperabilidade, após sugestão de servidores do Tesouro Nacional e de outros entusiastas.
O primeiro sistema governamental no Brasil que utiliza a tecnologia XBRL é o Siconfi – Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro, desenvolvido pela Secretaria do Tesouro Nacional.
De acordo com o art. 51 da Lei de Responsabilidade Fiscal - LRF, o Poder Executivo da União dispõe de até o dia 30 de junho para promover a consolidação nacional, e por esfera de governo, das contas das unidades federativas referentes ao exercício anterior, bem como divulgar os dados por meios eletrônicos de acesso público.
Como objetivo estratégico da STN, restou definida a estruturação do Siconfi para recebimento e disseminação de informações com vistas a identificar metodologias, processos e oportunidades para aprimorar a transparência da gestão e da utilização de recursos públicos, bem como pautar as decisões de médio e longo prazo. Concluída a estruturação do Siconfi, a STN editou a Portaria STN nº 86/2014, que estabelece as novas regras para recebimento dos dados contábeis e fiscais das unidades da Federação.
Sensível ao esforço global de modernização das práticas contábeis, a STN decidiu desenvolver o Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro - Siconfi visando obter ganhos de eficiência e facilidade de uso.
Com a publicação da Lei Complementar nº 131, de 27 de maio de 2009, os instrumentos de transparência foram ampliados para além dos relatórios gerenciais mencionados. O conceito de transparência agora se traduz em liberação ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira, em meios eletrônicos de acesso público. A necessidade de automatização e de padronização do fluxo de informações contábeis e fiscais no país tornou-se patente.
O objetivo desse sistema é reunir num mesmo ambiente os dados fiscais de todas as unidades federativas, inclusive o Relatório Resumido de Execução Orçamentária – RREO e o Relatório de Gestão Fiscal – RGF, criados pela LRF, de modo a apresentar as informações necessárias à transparência dos recursos públicos e aos controles estabelecidos pela legislação.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Cidades Inteligentes: Um belo exemplo de sistemas

Estou participando, de 26 a 31 de outubro de 2015, da 30ª Reunião Plenária do ISO/IEC JTC 1 em Beijing, China. Durante esta reunião foi apresentado o relatório final do grupo de estudo sobre as Cidades Inteligentes (Smart Cities), grupo foi liderado pela China por um período de dois anos e que, na reunião plenária do ano passado, teve seu relatório considerado ainda incompleto e, como consequência, o grupo de estudo teve seu tempo de vida estendido até a plenária deste ano. A apresentação realizada por Yuan-Yuan, a líder deste grupo de estudo, terminou sob aplausos dos países presentes à reunião e isto foi bem significativo por ter sido a primeira vez que um trabalho recebeu aplausos durante a semana.

No relatório, um extenso trabalho de levantamento das diversas iniciativas sobre as cidades inteligentes foi apresentado, com uma visão consistente de necessidades de complemento deste trabalho com futuras normas que possam ser criadas sob o escopo de trabalho do JTC 1. Diversas áreas de conhecimento foram abordadas e têm propostas de continuidade para trabalhos futuros na área de cidades inteligentes:
  1. Framework de TI para as cidades inteligentes, que considera os trabalhos já em andamento de várias organizações que trabalham atualmente em cidades inteligentes como, por exemplo, a própria ISO (através do ISO/TC 268), IEC, ITU.
  2. Ontologia de alto nível para as cidades inteligentes, que identifica os padrões para serviços comuns e integrados e propõe a criação de um guia de orientação sobre os padrões existentes que já podem ser usados no desenvolvimento de capacidades comuns e/ou compartilhadas para as cidades inteligentes
  3. A identificação de documentação de melhores práticas para os líderes e profissionais envolvidos na gestão e governança de cidades inteligentes, incluindo o papel de TI na criação e disponibilização de serviços centrados aos cidadãos, a inclusão de serviços de localização a serviços já existentes, a garantia da continuidade dos serviços de TI no caso de eventos ambientais de grande impacto, elaboração de e manutenção de modelos espaciais interoperáveis incluindo recursos fixos e dinâmicos, as implicações da Governança de TI no tocante à entrega de serviços e dados público/privados/comunitários e reconhecimento da necessidade de se apoiar a adoção de tecnologias potencialmente disruptivas
  4. Elaboração de uma proposta para a criação de um trabalho sobre os indicadores de TI relativos às cidades inteligentes, de forma a poder determinar se os recursos estão sendo usados no lugar e no momento certos, integrados aos trabalhos do ISSO/TC 268 e outros
  5. Levantamento das necessidades de requisitos de segurança cibernética e privacidade com foco nas cidades inteligentes
  6. Levantamento da necessidade de se elaborar um guia sobre a gestão automatizada de riscos em sistemas e ambientes de alta complexidade e sua relevância na aplicação em cidades inteligentes
Ao final da apresentação do relatório, ficou claro que já existem diversas organizações que já estão trabalhando na produção de produtos e alguns serviços, mas que a complexidade da interação entre esses diversos sistemas e produtos exigem de todos um grande esforço para discutir quais são as melhores formas de interoperabilidade, integração, gestão e governança e, mais importante de tudo, como passar essa informação, complexa em si e mais complexa quando vista como conjunto, para os gestores das cidades inteligentes, de forma a habilitá-los a melhor gerir esses os resultados e o impacto que essas tecnologias tem na qualidade de vida dos cidadãos e na qualidade de serviços que podem ser oferecidos. Fiquei muito satisfeito em ver também que o aspecto de continuidade de serviços em casos de eventos ambientais também foi incluído.

Como consequência da conclusão deste relatório, com tantos itens de trabalho propostos, a criação de um Grupo de Trabalho (WG) para produzir o trabalho foi proposta e aprovada pelos países presentes à reunião. Também foi confirmada a continuidade do grupo de trabalho sobre Internet das Coisas e do grupo de trabalho sobre redes de sensores, que agora está expandindo sua atuação para a criação de padrões sobre sensores submarinos.


Como sempre, fica o alerta aos leitores do blog que temos ampla possibilidade de participar ativamente e ser influenciadores nos trabalhos futuros dessas áreas no âmbito do JTC 1, através de uma participação estruturada na Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Artigo escrito por Fernando Gebara, que está em viagem.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

João Pessoa é apontada como a segunda capital mais transparente do Nordeste e a nona do país


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A cidade de João Pessoa conseguiu destaque em mais um levantamento nacional sobre transparência pública nos municípios. De acordo com o ranking estabelecido pelo projeto Cidade Transparente, de São Paulo, a capital paraibana é a segunda capital mais transparente em toda a região Nordeste, além de ocupar a nona colocação entre as 26 capitais brasileiras e o Distrito Federal.
O resultado aparece um dia após a divulgação de estudo feito pela agência classificadora de risco Austin Ratings, onde João Pessoa aparece como a segunda cidade brasileira com melhor execução orçamentária, entre os 5.565 municípios brasileiros.
Entre os motivos que levaram ao resultado está a transparência da gestão na execução orçamentária e aplicação em obras públicas. Só em 2015, estão sendo aplicados pela gestão municipal um total de 167 milhões em obras já entregues, como as creches, Unidades de Saúde, Academias de Saúde, a Praça da Juventude, Praça da Independência e milhares de unidades habitacionais.

Além disso, ainda há investimentos em fase de conclusão. É o caso do novo Parque Solon de Lucena, da calçadinha da Orla, da UPA de Cruz das Armas, as pontes da Beira Rio e cinco novas escolas em tempo integral.
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“Ficamos muito felizes com estes resultados e percebemos que eles estão diretamente ligados”, destacou o prefeito Luciano Cartaxo. “Nosso orçamento sempre foi trabalhado de forma planejada e transparente, o que permitiu a continuidade de obras em benefício do povo até mesmo em um período de crise. Quando unimos uma gestão equilibrada e a participação da população, o resultado é muito positivo”, complementou.
Para fazer a pesquisa sobre transparência, as organizações coletaram dados para responder a 129 questões-chave sobre os dados disponibilizados, a qualidade dos canais de informação e o funcionamento dos mecanismos de participação social, como audiências públicas e os conselhos de saúde e educação. A nota foi atribuída de acordo com as respostas.
João Pessoa recebeu pontuação 47,94, atingindo a faixa de avaliação de cidades como Cuiabá, Recife, Brasília, Belo Horizonte e Rio Branco. As pontuações mais altas foram obtidas por Vitória, Curitiba, São Paulo e Porto Alegre. Outras 17 capitais acabaram recebendo notas apontadas pelos pesquisadores como de nível baixo.
O projeto – O “Cidade Transparente” é uma iniciativa do Instituto Ethos e da Amarribo Brasil, em conjunto com outras doze entidades destinadas à avaliação da gestão pública. A análise também contou com a consultoria da OXY Pesquisa para refinamento do instrumento de pesquisa, coleta, sistematização e análise de dados, além da produção de manual metodológico.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Como Arquitetura Corporativa pode apoiar a implantação de Transparência Organizacional

Como Arquitetura Corporativa pode apoiar a implantação de Transparência Organizacional
A Arquitetura TOGAF no apoio a implantação de Transparência – Fase D



No artigo anterior eu discuti o desenvolvimento da Fase C tendo como objetivo a implantação de transparência organizacional. 

O desenvolvimento das Fases B, C e D, acontecem a partir da Fase A do TOGAF, onde todos devem ter uma ideia comum e compartilhada da expectativa de como realizar o trabalho e do resultado esperado. O objetivo é construir os modelos necessários para entender os conceitos e como a organização funciona (chamada arquitetura de linha de base) e o que deve melhorar e se quer alterar/evoluir (chamada arquitetura alvo). 

Repetindo pela última vez o último artigo, na analogia com a construção de uma casa, imagina que agora é necessário criar os modelos que representem diversos aspectos da sua construção.


É assim também com transparência! Transparência não está somente na arquitetura de dados (uma informação que deve ser transparente), mas também nos processos de negócio, na visão estratégica, nos sistemas de informação, nas tecnologias utilizadas e na infraestrutura que suporta tudo isso. Quando se constrói e analisa cada modelo desses que é criado, transparência converte-se em um requisito desta análise. 

Só um lembrete: Quando falamos que a partir da fase A, desenvolvemos as fases B, C e D, isso não quer dizer que serão sempre construídos modelos das três fases (alguns chamam de domínio). Exemplo: Um conjunto de informações não será trabalhado em nenhum sistema nesse momento, somente ficará armazenado no banco de dados (pensar em sistema está previsto em uma rodada futura). Então não faz sentido pensar na fase D para esse conjunto de informações. Dependendo do objetivo da rodada, não será nem trabalhado na fase C. Por isso a fase A é tão importante: Ela estabelece o que será trabalhado, e em que nível. Equaliza expectativas!


Então vamos ao que interessa: Hoje eu vou falar sobre a fase D. Arquitetura de Tecnologia.



As perguntas, de uma forma geral, estão agora relacionadas à: Qual a infraestrutura atual de software, hardware e comunicações e como essa infraestrutura dá apoio ao uso de sistemas e dados? Qual é visão de futuro para evoluir este apoio e identificar os gaps existentes?

Esta fase envolve a construção das arquiteturas de tecnologia de software e hardware e comunicação entre si e com a arquitetura de Sistemas de Informação de linha de base (atual / as-is) e alvo (futura / to-be). E a partir daí são analisadas as diferenças (gap analysis).

Um dos modelos de uma Arquitetura de Tecnologia trata dos modelos de servidores.

Lá naquele nosso exemplo do artigo anterior, os processos X, Y e Z foram selecionados dentro do escopo da rodada de arquitetura na fase A. Na fase A, foram definidos os processos e foram definidos os requisitos de transparência que são relevantes, necessários ou mandatórios para o escopo definido.

No exemplo as características de transparência selecionadas foram: Publicidade, Portabilidade, Clareza e Rastreabilidade.

Na fase C, foram modelados os dados manipulados pelos processos X, Y e Z e também os sistemas de aplicação que são utilizados na sua execução. 

Agora na fase D, vamos identificar e modelar os servidores que são responsáveis por armazenar e prover acesso a esses dados e sistemas. Esse é meu ponto de partida. Então quero olhar para o futuro e definir como deveria ser dado um horizonte de 12 meses. 

Publicidade

Uma das ações necessárias para implantar essa característica de transparência é se certificar que os servidores sejam estáveis e estejam operando 24x7 de forma consistente, segura e com baixo tempo de resposta. É necessário conhecer e modelar a infraestrutura de software em termos dos servidores de aplicação e de gestão de dados e sua relação com cada dado e cada processo que dá suporte e relacioná-la com os elementos da infraestrutura de hardware e física como computadores do tipo servidor, redes de comunicação, infraestrutura de data center, etc.

Atualmente os servidores de software e hardware atendem a demanda, porém não existe um modelo que relacione e mantenha o conhecimento sobre essa relação e nem o conhecimento da curva de crescimento do uso destes servidores baseado no uso dos sistemas.

Portabilidade

Uma das ações necessárias diz respeito a permitir o acesso às informações em diferentes formatos. Então é preciso definir onde cada dado, para cada tipo de formato, estará sendo armazenado e como pode ser acessado. Além disso, os sistemas de aplicações devem poder ser acessados de diferentes navegadores de diferentes sistemas operacionais.

Atualmente muitos sistemas do governo não suportam navegadores diferentes do Internet Explorer. Eu já liguei para perguntar.

Clareza

Uma das ações necessárias está relacionada a definir formas de apresentação da informação que sejam adequadas a cada público que a irá consumir. Da mesma forma é necessário definir onde cada informação estará sendo armazenada, para cada tipo de formato de escrita em que será apresentada, e como pode ser acessada. O usuário final, o cidadão, percebe isso, mas quando se projeta um sistema ou se recebe a solicitação sobre uma informação e se conhece o público para o qual essa informação vai ser veiculada, saber quais formatos existem, onde estão disponibilizados e como é acessá-los, é uma mão na roda, para não dizer que poupa alguns dias do projeto de desenvolvimento de soluções! E isso sim impacta na vida do cidadão! Quem desenvolve software sabe o quanto a busca (em algumas situações eu diria que parece mais uma garimpagem) por informações é uma atividade que tende a causar um grande estrago no cronograma do projeto.

Mas hoje, em várias situações até são estabelecidas linguagens diferentes para apresentar um mesmo assunto, mas não existe uma gerência transparente e sistemática sobre essas ações nem sobre onde essas informações estão armazenadas e por quais sistemas elas são utilizadas.

Rastreabilidade

Uma ação importante é identificar por onde os dados estão trafegando entre tecnologias de software e hardware. Uma ação importante é manter modelos que fazem o log da vida dos dados e processos e por onde passaram, quem manipulou e quando. 

Além disso, e mantendo o foco na arquitetura de tecnologia, é necessário manter o rastreamento de uso das soluções de software e hardware.

Acredito que hoje seja improvável saber quais sistemas são mais utilizados por uma empresa (imagina por uma empresa do tamanho do Governo?), quais servidores são mais utilizados e a taxa de uso. Como então prever evoluções dessa infraestrutura? Fica tudo sendo feito através de análises parciais ou até mesmo no “achismo”.

Estas situações representam uma visão bastante simplificada, mas reparem como modelos às vezes considerado simples já nos permitem ter conhecimento e transparência sobre os problemas, acertos e oportunidades? 

Formalizar e sistematizar essa organização permite não só implantar transparência, mas desenvolver a arquitetura corporativa da sua organização.

Terminada a modelagem e análise de gap, nos próximos artigos vou falar sobre as fases E, F, G e H que tratam da implantação de melhorias, governança e gestão da mudança.



terça-feira, 20 de outubro de 2015

Governo cria exigências de transparência para estatais federais

Governo cria exigências de transparência para estatais federais

As empresas estatais federais deverão divulgar na internet, com acesso fácil, as demonstrações financeiras anuais por cinco anos. Além disso, as companhias terão de adotar planos anuais de trabalho para os conselhos fiscais e submeter os balanços a auditorias independentes. As obrigações constam de três resoluções publicadas  do dia 7/10/2015, no Diário Oficial da União com medidas para aumentar a transparência e a governança das estatais federais.

Aprovadas pela Comissão Interministerial de Governança e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR), em reunião no último dia 29. Presidida pelo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, a comissão também é composta pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e pelo ministro-chefe da Casa Civil, cargo ainda ocupado por Aloizio Mercadante na data da reunião.


A primeira resolução determina que as empresas em que a União detenha, direta ou indiretamente, a maior parte do capital social com direito a voto publiquem uma série de informações nas páginas oficiais na internet.


Além de demonstrações financeiras anuais, elas terão de divulgar, também com acesso fácil e organizado, dados como estatuto social, código de ética, lei de criação, composição do capital social, integrantes da diretoria e dos conselhos de Administração e Fiscal. Caso sejam modificadas, as informações terão de ser atualizadas imediatamente.


As estatais terão ainda de manter um canal permanente de atendimento com a sociedade. As empresas deverão constituir comitês para receber sugestões, reclamações e elogios de investidores, clientes, fornecedores, usuários e empregados. As empresas deverão dar retorno às demandas, informando as providências adotadas para resolver os problemas.


A segunda resolução estabelece que todas as estatais federais deverão submeter as demonstrações financeiras anuais à auditoria de empresas independentes. A terceira resolução obriga as empresas a estabelecer um plano anual de trabalho pelos conselhos fiscais, que se encarregarão de monitorar o cumprimento das resoluções e farão uma autoavaliação anual do trabalho de fiscalização.


Em relação à publicação de informações pela internet e à constituição dos canais de atendimento, as estatais federais terão até 180 dias para implementar as determinações. Para a auditoria independente, o prazo sobe para um ano. Além dos conselhos fiscais das estatais, a Controladoria-Geral da União fiscalizará o cumprimento das obrigações.