terça-feira, 22 de julho de 2014

Um pouco sobre a história do XBRL


Em um mundo cada vez mais globalizado, usar as mesmas bases de informação é extremamente importante para o resultado das organizações. Com as mudanças nos padrões internacionais de contabilidade, tanto no âmbito da contabilidade comercial como na área governamental, é necessário que todos os países e órgãos que compartilhem a informação consigam não só entendê-la como recebe-la em um único formato, de forma a preservar a integridade do documento. 

Pensando neste contexto foi necessário pensar em padrões de envios das informações. Entretanto, com as mudanças constantes nas legislações mundiais é necessário que o padrão de reporte seja extensível e que comporte a quantidade enorme de modificações.

A linguagem XBRL surgiu de uma necessidade das empresas norte-americanas em possuir uma única taxonomia dirigida a divulgações de informações financeiras. Com a economia em expansão e possibilidade de compartilhamento dos relatórios em todo mundo e com a primeira versão das normas internacionais de contabilidade- IAS, a linguagem criou forças e, com apoio das grandes empresas de auditorias se tornou um padrão mundialmente aceito.
No Brasil, as companhias abertas devem obrigatoriamente divulgar suas demonstrações financeiras seguindo as diretrizes da Lei 6.404/76 (Lei das S.As), alterado pela Lei 11.638/07. Estas demonstrações financeiras representam o conjunto das informações referentes a toda a estrutura financeira das empresas. Elas interessam a toda a sociedade, incluindo, os órgãos controladores, acionistas e analistas.

A XBRL, por sua vez, elimina a necessidade de transcrição de dados entre as aplicações, porque o dado passa a ser independente do aplicativo no qual ele é criado (os dados são mantidos de forma independente e sob uma denominação estabelecida e padronizada). Essa definição faz com que múltiplos usuários sejam capazes de extrair e reposicionar as informações financeiras. Assim, o próprio usuário recupera as informações financeiras pela Internet e passa para o formato que desejar, de acordo com suas necessidades.

Alguns aspectos devem ser discutidos quanto à implementação da XBRL. A divulgação de informações financeiras das entidades sempre foi limitada ao material impresso, sendo que uma mudança para meio eletrônico certamente demandará estudos e discussões amplos, até que sejam aceitos e consolidados os novos procedimentos. Isto porque nela encontraremos vantagens e desvantagens nem sempre fáceis de serem avaliadas, muitas vezes compreendendo valores difíceis de serem mensurados, como agilidade, segurança, transparência e também os custos, difíceis de serem comparados, em parte devido à dificuldade de avaliar monetariamente benefícios intangíveis.

Neste aspecto houve a necessidade de aproveitamento dos dados já existentes sem precisar redigitalizá-los. Através do XBRL e após a inserção da taxonomia das normas internacionais de contabilidade, o usuário irá extrair estas informações, formatar os documentos de forma a atender os diversos órgãos reguladores e permitir a impressão em qualquer formato solicitado ou o seu envio pela internet.

Hoje em dia o uso desta linguagem está sendo testada, na área governamental, através do sistema SICONFI, criado pela Secretaria do Tesouro Nacional. Na área privada, diversos órgãos, capitaneados pelo Conselho Federal de Contabilidade estão prospectando a taxonomia que possa atender a variados setores da economia.



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