quarta-feira, 16 de julho de 2014

BPM e o Medo da Mudança

(Imagem: lounge.obviusmag.org)

“Não se pode percorrer duas vezes o mesmo rio”

Este fragmento sintetiza o pensamento de Heráclito, filósofo pré-socrático, considerado pai da dialética, o qual afirmava: “Panta rei os potamós”, traduzido como "Tudo flui como um rio", isto é, tudo é considerado um eterno fluxo, tudo está em eterna mutação.
Mas porque temos tanto medo da mudança?
A mudança traz algo que desconhecemos e como temos um instinto de autopreservação ainda muito forte, decorrente das condições de vida de nossos antepassados, olhamos com muito receio o devir, a passagem de um estado para outro. Prezamos muito a chamada zona de conforto.
A Gestão por Processos ou BPM é uma disciplina de gestão que lida essencialmente com a eterna evolução dos processos de negócio e, portanto, deve administrar esse sentimento dos atores envolvidos, pois a mudança não se faz apenas com idéias, mas também com pessoas e, deste modo, deve-se trabalhar no sentido de diminuir as resistências e obter o maior apoio possível para a mudança.
Em primeiro lugar ao comunicar a necessidade de mudança o foco deve estar nos benefícios a serem alcançados e não na própria mudança em si.
Entendida a necessidade de mudança, além do acolhimento da alta direção, é essencial que se envolva no projeto o maior número possível de executores do processo de negócio em seus diversos níveis. Agindo desta forma, os envolvidos na mudança introjetam um sentimento de propriedade, na medida em que identificam no projeto suas próprias idéias.
Outra questão a ser abordada é a magnitude da mudança, pois dependendo do objetivo proposto envolverá custo, benefícios e riscos diferentes.
A mudança pode envolver uma simples Melhoria de Processo (BPI – Businesse Process Improvement), uma mudança radical, desruptiva ou até mesmo uma nova opção de modelo de negócio. Importante é ter em mente que a complexidade do projeto aumenta conforme a profundidade da mudança sendo, por vezes, necessário um profissional experiente para conduzir a sua evolução.
Quando a mudança envolve muitos recursos e pessoas, com um impacto muito grande o receio da mudança aumenta proporcionalmente. Neste contexto, é interessante que o projeto possa ser subdividido  em projetos menores, os quais poderão ser mais bem controlados e implementados de acordo com um plano que leve em conta as restrições da organização, colhendo-se gradativamente os benefícios dela decorrentes.
O esforço para trabalhar estes sentimentos contrários à mudança está longe de ser elementar e pode colocar em risco todo um projeto de evolução dos processos de negócio, principalmente quando lidamos com o serviço público que já possui uma estrutura mais sedimentada, seja por força da legislação, seja por um imobilismo atávico.
Desta forma, o profissional de BPM deve prever em seus projetos o “Medo da Mudança” como um fator de risco, identificando e analisando sua presença e agindo preventivamente, de forma a mitigar os impactos deste.
Até a próxima!



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