segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Uma mente brilhante

Dirigido por Ron Howard em 2001, "Uma mente brilhante" apresenta a versão romanceada da vida do matemático norte-americano John Nash, famoso tanto por sua atribulada relação com a esquizofrenia quanto por suas magníficas contribuições a campos do conhecimento como a Teoria dos Jogos.

Se não sou traído pela memória, há uma cena do filme em que o personagem vivido por Russell Crowe observa o movimento de alguns pombos pela janela de seu quarto e, imediatamente, começa a rabiscar as correspondente equações no vidro. No fim do filme é mostrada a premiação de Nash com a medalha Nobel de Ciências Econômicas, reconhecendo o valor de sua produção intelectual.


Tenho um amigo que conhece Nash pessoalmente e já participou de algumas iniciativas com ele, até mesmo aqui no Brasil. Segundo ele, o matemático teria feito uma avaliação das premiações que recebeu na vida e, fazendo um paralelo com a cena do filme, teria dito:

- Ganhei prêmios importantes, dados por pessoas que compreenderam as equações que explicam o movimento caótico dos pombos. Mas também ganhei prêmios de quem não entendeu nada do que fiz - como se me reconhecessem somente por eu ser dono de um pombo...

Quando trabalhamos com medições de desempenho - por exemplo, quando avaliamos nossos processos e tomamos decisões quanto ao melhor caminho a seguir, ou mesmo quando analisamos os resultados de instituições e as reconhecemos, em ciclos periódicos de prêmios de qualidade - precisamos ter uma ideia bem clara se o que estamos observando é realmente o que é relevante. Ou ainda, se há relação entre os critérios que damos maior peso com o fenômeno avaliado.

Não é incomum escolhermos aquilo que é mais fácil medir (há uma antiga anedota que diz que preferimos procurar as chaves perdidas de nosso carro não no local onde as esquecemos, mas onde há uma melhor iluminação), ou usarmos critérios ou álgebras inapropriadas ao contexto em que vivemos. O trabalho pode ser exaustivo, até certo ponto gratificante e chegar a apontar alguns aspectos que têm a ver com os resultados pretendidos - mas terá limitações que podem ter grande impacto (e levar a frustrações) em nossas ações.

Cada situação que vivemos é única, por isso é vital usarmos todo o saber armazenado e vivências passadas como grandes referenciais para o que temos de resolver agora - mas devemos orientar nossa visão ao valor a ser gerado pelos nosso processos de trabalho, estar sempre dispostos a sermos surpreendidos com algo que ainda não conhecemos e ter a mente aberta para incorporarmos as inovações às nossas referências.

Sob pena de também estarmos enxergando apenas pombos onde há movimento...




Um comentário :

  1. Eu diria que a reflexão precisa ir muito além da questão da relevância daquele ponto específico naquele contexto específico.

    É muito importante sim enxergar o movimento dos pombos, e não apenas os pombos isoladamente. Porém, o movimento e o voo dos pombos depende dos ventos que sopram, que por sua vez dependem da rotação da Terra, que por sua vez depende da movimentação dos outros corpos do sistema solar, que por sua vez depende do movimento de outros sistemas e galáxias...

    Logicamente que considerar tudo isso em toda e qualquer análise levaria a um gasto de tempo, energia e outros recursos que tornaria a análise impraticável, mas precisamos elevar os olhos um pouco além dos pombos e seu movimento.

    Por exemplo:
    A quantidade de itens vendidos é importante no setor comercial? Sim, é.
    Maiores vendas trazem melhores resultados? Sim, trazem,

    A quantidade de itens produzidos é importante no setor de produção? Sim, é.
    Maior produtividade traz melhores resultados? Sim, trazem.

    Visto de forma isolada, estes elementos parecem ser relativamente simples e intuitivos, mas... adianta o setor comercial vender se o setor de produção não estiver conseguindo atender a demanda?
    E adianta produzir se o setor comercial não estiver conseguindo vender?

    Muitas vezes olhamos para as coisas com uma visão muito parcial, o que faz com que façamos análises muito parciais, e consigamos resultados muito parciais também.


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    Fábio Hideki Kawauchi
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