quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Seus projetos são em "W" ou em "M"?

Na década de 1920 o mundo do futebol viveu uma alteração fundamental de suas regras, com a redução para dois adversários entre um jogador e o gol para que fosse marcado um impedimento. Tal revolução levou o professor de geometria e treinador do Arsenal, Herbert Chapman, a armar um esquema tático revolucionário que se tornou base dos times ao redor do globo por várias décadas. Consistindo de três defensores, dois volantes, dois armadores e três atacantes, o sistema foi apelidado de "WM" pela semelhança dos vértices das letras com a disposição em campo dos jogadores. Uma das principais características daquela formação era a flexibilidade que o meio-campo assumia, podendo se adaptar facilmente a oponentes com estilos diferentes de jogo e a situações que ocorriam nas partidas.




Ainda sob os efeitos do espetacular show de Paul McCartney em Brasília, lembrei-me de outra história que usa as mesmas letras para outros fins. Em uma entrevista há muito tempo, Paul disse que um dos conhecimentos práticos que acumulou em sua vida de artista lhe foi repassado por um tio, músico amador, aconselhando-o a sempre investir em apresentações "em W" - e nunca "em M".

Segundo tal teoria, para manter a conexão do público e sua atenção durante todo o espetáculo, um artista deve iniciar o show com músicas alegres e de ritmo acelerado, reduzir para um conteúdo mais intimista e reflexivo lá pelos quarenta por cento da apresentação, subir um pouco o clima quando chegar à metade, recarregar as baterias quando estiver se aproximando do fim e, daí, acelerar o máximo que puder para concluir o show em alto estilo.

O contrário disso seria um show "em M", em que a conexão demoraria a engatar e, quando fosse a hora do artista apresentar seu conteúdo mais atraente, o público poderia não estar mais disponível.

Nossa vida e nossos projetos de melhoria de processos podem colher algumas lições do mundo "em W". Cada vez menos as pessoas dispõem de tempo e de disposição para trabalharem arduamente sem observar resultados - na verdade, elas desejam resultados mais rápidos e melhores em um ambiente de descontração, aprendizado, criatividade, bom clima organizacional e, por que não dizer, diversão.

Projetos de longo curso precisam daquelas chamadas "vitórias rápidas", que lavam a alma das equipes e demonstram que o caminho completo é possível. Da mesma forma, grandes cadeias de valor precisam ter resultados identificados e colhidos prontamente, mantendo a sintonia das pessoas com o mundo real e transformando, gradativamente, o contexto.


Veja um exemplo do show "em W" de McCartney do último dia 23, aqui em Brasília - agrupamentos de músicas em blocos com características similares, começando com "Magical Mystery Tour" e indo até "Back in the USSR".

Conexão total, empolgação, reflexão, divertimento, emoção... Em que a lógica "em W" pode auxiliar a sua vida?






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