segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Um cara fenomenal!

Não consegui enganar o tempo e fiz aniversário no último sábado - o que, aliás, foi ótimo! Depois de mais de dez anos sem ter bicicleta em casa, ganhei da Cláudia, do Felipe e da Luísa uma especialíssima, feita de alumínio, e passei o fim-de-semana pedalando em trilhas e mais trilhas.

Outro presente que eles (generosos) me deram foi a recém-lançada biografia de Gustavo Kuerten, "Guga - um brasileiro". Guga parece uma unanimidade nacional, mesmo tanto tempo após sua aposentadoria. Seu carisma, sua simplicidade e sua conexão com a torcida brasileira o colocam em um patamar dos grandes ídolos nacionais.



Não me contive e comecei a ler o livro imediatamente; os capítulos vão se alternando entre histórias mais recentes (quando Kuerten começou a colocar seu nome na história do esporte brasileiro) e outras da infância e do período de formação do ídolo. Logo em uma das primeiras passagens, Guga menciona aspectos da sensacional partida contra Kafelnikov em Roland Garros, no ano de 1997. E fala de coisas que acontecem no dia-a-dia dos processos pessoais e organizacionais.

Quando se enfrentaram, Kafelnikov era o campeão do torneio francês e figurava na terceira posição do ranking mundial - Guga, por sua vez, estava abaixo da octogésima colocação e tinha ganho uma única vez de um adversário classificado entre os top ten. Seu plano para vencer o russo era uma mistura de aspectos práticos e aspectos contextuais: de estilo similar ao seu, Kafelnikov gostava de trocar longas bolas no fundo de quadra, cansando o oponente, e desferir potentes backhands. O técnico de Guga, Larri Passos, sabia que Kafelnikov tinha duas principais deficiências: demorava a entrar no jogo e se complicava com bolas altas. Assim, Guga montou o seu "processo de jogo" dando grande atenção a subir a altura das bolas que devolvia e, também, estendendo seu aquecimento até a hora do início do jogo (assim, entraria mais "ligado" em quadra e aproveitaria os primeiros games).

 Até aí, eu diria que é a parte que todos costumamos identificar em nossos processos - aspectos mais voltados a fatores objetivos, ao mundo das "atividades". O que Guga transmite com tanta clareza, porém, é todo um outro conjunto de aspectos contextuais e comportamentais que fazem parte do jogo, e que podem determinar seu resultado: o voo de um pássaro sobre a quadra que desconcentra permanentemente o tenista, medos do passado que voltam à tona quando um ponto fácil é perdido, a reação às manifestações da torcida e a imprevisibilidade natural que cerca o esporte - e, por que não?, a vida.

Pilotar um avião pode envolver um conjunto de procedimentos complicados e sensíveis - mas tão ou mais importante que isso é saber se o experiente piloto está com alguma preocupação e se apresenta um bom estado físico quando no comando da aeronave. As representações modernas de processos, em geral, trazem registro desses outros aspectos e, principalmente, apresentam planos para condições que podem ocorrer mesmo quando não conhecemos direito as atividades envolvidas ou as causas para sua existência.

Fenômenos incríveis que fazem, por exemplo, um menino feliz, magrelo e desengonçado se tornar o número 1 do mundo!



Nenhum comentário :

Postar um comentário