quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Os Negócios Digitais e a Arquitetura Corporativa

A rede mundial de computadores, ou Internet, surgiu em plena guerra fria, ainda na década de 1960, visando objetivos militares. À época, os Estados Unidos buscavam uma maneira de manter suas comunicações ativas, mesmo em caso de ataques sobre os meios tradicionais de comunicação.

Ainda em seus primórdios, durante os anos 70 e 80, foi bastante utilizada no meio acadêmico permitindo a professores e estudantes universitários a troca de mensagens e ideias sobre pesquisas.

Na década de 1990 a Internet obteve ampla expansão em função da disponibilização dos navegadores, das interfaces gráficas e do surgimento de provedores de acesso.

Ainda hoje, a Internet revoluciona o funcionamento da sociedade, sendo fundamental para um modelo econômico denominado “Economia Digital”. Nesta nova economia, as redes e infraestruturas de comunicação digital fornecem  uma plataforma global onde as pessoas e organizações, definem estratégias, interagem, comunicam, colaboram e procuram informações para atuações conjuntas.

A professora Jeanne W. Ross é a principal cientista de pesquisas no MIT Sloan School of Management e diretora do MIT Sloan School Center for Information Systems Research (CISR), especializada em Arquitetura Corporativa, Governança de TI e Gestão. Ela utiliza muito de seu tempo estudando como as empresas estão se preparando para a economia digital.

Jeanne Ross foi a principal palestrante no evento Oracle Enterprise Architecture Summit 2014, onde apresentou suas experiências na interação com executivos de empresas que buscam desenvolver uma vantagem competitiva por meio da implementação e reutilização de plataformas digitais, transformações de negócios baseadas no uso intensivo da Tecnologia da Informação e inovação digital.

Ross observa que os negócios digitais estão em alta, mas exigem cuidados. Ela sustenta que há uma cartilha para a economia digital. “Para se tornar um negócio digital, todas as funções de negócios precisam ser integradas”, diz ela, “e é isso que a arquitetura corporativa faz, entretanto, nem todos os executivos se dão conta disso”.

Ross usa a sigla SMACIT (Social + Mobile + Analytics + Cloud + Internet of Things) para descrever as principais tecnologias de negócios digitais da atualidade: Redes Sociais, Dispositivos Móveis, Analytics, Computação em Nuvem e Internet das Coisas. No entanto, tornar-se um negócio digital não se trata apenas de adotar essas tecnologias.

As empresas estão inundadas com dados. Elas precisam processar esses dados, bem como coordenar as atividades, tanto dentro como fora da organização. Para atingir estes objetivos de uma forma positiva, Ross delineia quatro estratégias de negócios, que são mostrados na figura a seguir:

Indústrias como a de viagens e meios de comunicação têm sido completamente atropeladas por estas tecnologias. Elas foram forçados a repensar suas ofertas em termos de estratégia de produto e serviço digital. Muitos outros segmentos da indústria estão começando a ver grandes benefícios na adoção de tecnologias SMACIT e buscam aproveitar os recursos digitais para criar produtos e serviços mais competitivos.

Muitas dessas empresas não sabem o que precisa acontecer “nos bastidores”, dentro dos domínios do Marketing, Operações Digitais, Local de Trabalho Digital e Segurança. Sem o uso da arquitetura corporativa, as empresas tendem a abordar estas oportunidades em silos, muitas vezes criados por linhas individuais de negócios e, em seguida, "ligados entre si" por pessoas de TI, como mostrado abaixo, o que, nem sempre, leva a bons resultados.


A tarefa dos arquitetos corporativos é a concepção de plataformas de negócios coesas, não apenas aplicações pontuais. Os arquitetos devem dar um passo atrás para considerar a base tecnológica que suporta todas as linhas de negócios, combinada a aplicativos específicos que compartilham dados e apoiam os processos de forma disciplinada. Como arquitetos corporativos impõem padrões, otimizam o núcleo da organização buscando  modularização e reuso de recursos, eles podem melhor integrar os esforços e plataformas que a empresa utilizará  para se tornar uma empresa digital.

No próximo artigo descreveremos algumas histórias reais apresentadas pela professora Ross, sobre empresas que adotaram tecnologias SMACIT associadas a iniciativas de arquitetura corporativa.

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