segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Processos... yeah, yeah, yeah!!!

Parece uma fonte inesgotável: apesar da separação em 1970, os Beatles continuam gerando novidades para o mercado - gravações "perdidas", arquivos oficiais digitalmente restaurados, livros de fofocas,... - a lista nunca acaba.

A primeira vez que os ouvi foi em 1973, quando ganhei as coletâneas "Azul" e "Vermelha" em meu aniversário. Desde então, a paixão só aumentou e confesso que já contribui bastante para fomentar o mercado de produtos de qualidade duvidosa - lembro-me, agora, de um livro que li (e não gostei) que fazia um comparativo entre o jeito Beatle de ser e a gestão de uma empresa.

Há alguns aspectos, entretanto, que parecem funcionar para explicar o sucesso da banda (aquela que, segundo José Emílio Rondeau e Ana Maria Bahiana, seria o "caso de amor eterno" da música) e que podem ser trazidos para nosso dia-a-dia:

- a sincronia que juntou Lennon & McCartney não foi efetivamente planejada - mas quando ocorreu, rapidamente foi considerada e alterou os rumos da dupla. John era o líder de um grupo mediano de skiffle em Liverpool e compensava sua razoável destreza na guitarra com uma postura fantástica de band-leader. Ao encontrar o talentoso Paul, teve que tomar uma difícil decisão frente ao dilema de chamar para o conjunto alguém com tanta luz própria quanto ele (e se arriscar a dividir o protagonismo) ou continuar com a confortável situação em que estava. O resultado, hoje todos nós sabemos...

- da mesma forma, George Harrison "tocava 'Raunch' como o original" e Ringo - ao contrário do que muitos pensam - era o mais profissional dos quatro no início dos anos 60 (era um crooner já bastante conhecido e participara de vários conjuntos locais). Mais que tudo, os quatro sempre foram muito maiores que a soma de seus talentos, o que pode ser percebido quando ouvimos seus trabalhos individuais - ótimos, mas sem a assinatura característica;

- a criatividade contínua sempre foi uma marca registrada da banda. Sem conhecer teoria musical, a junção do quarteto com o produtor George Martin "abriu as portas da percepção" para um novo mundo - por outro lado, Martin sempre afirmou que a curiosidade permanente dos Beatles os levava a criar sons não existentes e nunca permitia acomodação com algum sucesso anterior. Isso, sem falarmos do incrível senso de humor que tinham;

- os Beatles funcionavam como uma "democracia invertida", ou seja, se um dos quatro não concordasse com uma ideia ela não seguia em frente. Isso representava uma evolução do entendimento corrente de consenso - o que John, Paul, George e Ringo faziam ia além disso, ouvindo e incluindo todas as opiniões e criando obras-primas superiores às proposições originais (e individuais); 

- por fim... o fim! Os Beatles terminaram quando a entropia do conjunto já não justificava sua continuidade. Sabendo a hora de parar, não tiveram o infortúnio de passar a produzir material de qualidade inferior e mantiveram a chama de sua genialidade eterna.

Tomada de decisão, gestão de riscos, caça a talentos, sinergia, criatividade, inovação, bom humor, inclusão, encerramento de projetos... qual o principal motivador para escrever este artigo?

Fácil: o simples fato de Paul McCartney estar voltando ao Brasil!!!


Ringo, Paul, George & John (ou Luísa, Bruno, Cláudia e Felipe...)

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