quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Liderança Estratégica e Gestão Pública

(imagem: http://psicologiaaplicadaets.blogspot.com.br)

Como combinado no artigo anterior que vocês podem ler aqui, seguimos analisando as conseqüências que o estilo de liderança pode trazer à organização e sua responsabilidade quanto desenvolvimento do seu capital humano.

O Doutor em Administração, W. Glenn Rowe, em seu artigo Liderança Estratégia e Criação de Valor, ensina que existem três tipos de liderança: a Gerencial, a Visionária e a Estratégica. 

Os líderes gerenciais são conservadores e se relacionam com as pessoas de acordo com seus papéis no processo de tomada de decisão, mantendo um baixo comprometimento emocional, tem mais conhecimento de suas áreas funcionais e valem-se de um conhecimento linear. “Precisam de ordem, e não do caos potencialmente inerente às relações humanas”. Buscam a estabilidade financeira em curto prazo e são menos propensos a tomar decisões baseadas em valores institucionais.

Os líderes Visionários estão à frente de seu tempo, “são relativamente mais proativos, moldando idéias em vez de se oporem a elas”, “se esforçam para aprimorar escolhas e abordagens novas para problemas antigos”. São desestruturadores, agitam o ambiente e expõem a organização a riscos. Relacionam-se com as pessoas de maneira intuitiva e compreensiva. São propensos a tomar decisões com base em valores e valem-se de pensamento não-linear. Preocupam-se em criar valor em longo prazo.

Os líderes estratégicos “sonham e tentam concretizar seus sonhos, sendo uma combinação do líder gerencial, que nunca pára para sonhar, e do visionário, que apenas sonha”. Utilizam-se de pensamento linear e não-linear. Afetam os ambientes internos e externos da organização. “Orientam o processo de geração de conhecimento, incentivando a capacidade de integrar conhecimentos tácitos e explícitos individuais, grupais e organizacionais para criar inovações organizacionais e tecnológicas, a fim de melhorar a performance futura.”

O autor enfatiza que o líder estratégico pode combinar as habilidades do líder gerencial e do visionário, em sinergia, e poderá realizar o máximo de criação de valor para a organização. Na mesma linha, propõe que as organizações devam criar um ambiente favorável ao desenvolvimento de lideranças estratégicas, pois estes seriam fonte de maximização do retorno sobre o investimento, resultando na criação de valor para funcionários, clientes, fornecedores e acionistas.

Quando nos voltamos para os órgãos públicos para analisar o tipo de liderança predominante, constatamos que devido às suas características, o líder gerencial é o mais comum e o mais valorizado.

A gestão burocrática estatal cria naturalmente um ambiente favorável à emersão das lideranças gerenciais, tendo em vista o princípio da legalidade estrita a qual está submetida, a necessidade da prestação de contas e o rígido controle financeiro e orçamentário. E, por conseguinte, restringe o espaço ao surgimento de lideranças visionárias e estratégicas.

No entanto, com as crescentes demandas (e necessária cobrança) da sociedade por serviços públicos de maior qualidade, os gestores vêm, aos poucos, constatando que a busca pelo avanço do modelo de gestão que receberam de seus antecessores torna-se premente.  E, nesta busca, começam a ser valorizadas técnicas e modelos gerenciais mais flexíveis e sistêmicos, através dos quais procuram otimizar recursos e maximizar os resultados na criação de valor para os stakeholders. 

Para tanto, torna-se necessário a gênese de lideranças capazes de entender e dar suporte a esse movimento desestruturante e inovador, habilitadoras de um novo modelo de gestão.

Importante ressaltar que as lideranças gerenciais cumprem um papel importante na Gestão Publica, na medida em que trabalham pela manutenção de certas estruturas essenciais ao aparelho estatal. No entanto, a sua predominância inviabiliza o surgimento dos outros tipos de liderança e os benefícios advindos destas.

Um dos desafios dos gestores atuais é buscar um melhor arranjo entre tais lideranças de forma que, mantendo um nível aceitável de riscos,  possibilitem que os líderes estratégicos e até mesmo visionários possam ter a liberdade  de  testar as fronteiras do atual modelo, de forma a permitir avanços em direção a tão almejada modernização da Gestão Pública.


Até a próxima!

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