quinta-feira, 4 de junho de 2015

Arquitetura Corporativa e o Projeto Governo Direto do Estado de Sergipe


Bandeira do Estado de Sergipe
Olá! No artigo anterior vimos como a Arquitetura Corporativa pode apoiar a adesão aos Princípios da Governança Corporativa descritos pelo IGBC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.

Neste artigo veremos como o Modelo de Arquitetura Corporativa, sugerido a partir desse artigo, está alinhado ao trabalho realizado pela Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) do Estado de Sergipe na implantação do Projeto intitulado “Governo Direto”.

O vídeo da apresentação deste projeto, realizada por Deborah Arôxa, superintendente da Seplag à época, encontra-se disponível no Canal da Comunidade Áreas de Integração no YouTube.

A Seplag foi criada em 2011, consolidando a Secretaria de Planejamento e de Administração com o objetivo de fornecer as diretrizes para todas as áreas de governo, desde o planejamento até a realização das despesas. 
 
Até então haviam grandes dificuldades na integração de iniciativas, sistemas, processos e dados de governo. Os dados dos cidadãos, por exemplo, eram duplicados em cada uma das Secretarias, sem qualquer padronização e em estruturas próprias. Essa situação gerava uma grande dificuldade para o cidadão associada à morosidade nos processos do estado e o aumento dos custos de manutenção da máquina pública.

Em suma, o Projeto Governo Direto busca tornar os serviços ofertados aos cidadãos, pelo Estado de Sergipe, mais eficazes e efetivos com menor burocracia e reduzir os gastos envolvidos na gestão de processos do Estado. 
 
A fim de coordenar as ações do estado, partindo do Planejamento Estratégico Plurianual, desdobrando-o para a implementação dos processos e projetos, com ações mais efetivas de monitoramento, um Escritório de Governança foi criado. O Escritório teve como objetivo inicial integrar as áreas de Projetos, Processos e Estratégia, a partir de 2014.

Na perspectiva da melhoria dos serviços prestados ao cidadão Sergipano, o governo contratou uma empesa especializada no intuito de otimizar os processos administrativos desempenhados pelos órgãos do estado, partindo do mapeamento de sua Cadeia de Valor. Adotou ainda o sistema Business Process Management System (BPMS), que objetiva conhecer melhor os processos das áreas e buscar a automatização destes processos.

A ação do Escritório de Governança possibilitou a monitoração e controle de qualidade na execução dos processos e na prestação dos serviços vinculados, buscando ainda uma forma única de acesso ao cidadão na busca pelos serviços públicos do estado, independente de qual órgão entregava o serviço, tanto na esfera municipal quanto na esfera estadual.

A estruturação do Escritório de Governança considerou a necessidade de enxergar as ações direcionadas pelo Escritório de Projetos de forma a garantir a sua plena integração com as ações do Escritório de Processos e ambas as áreas totalmente alinhadas com a estratégia definida.

Com recursos adquiridos por meio do Banco Mundial, o projeto Governo Direto apostou no avanço tecnológico dos cursos aliado à valorização profissional do servidor público. Ao todo, foram quatro meses de cursos de capacitação nas áreas de Administração de Bancos de Dados, Analista de Processos, Arquitetura de Tecnologia Orientada a Serviço, Business Intelligence e Ferramentas em Gestão Organizacional, clarificando os papéis e perfis dos colaboradores tanto no uso do ferramental quanto no que se refere aos processos dos quais participam.

Paralelamente foram conduzidos esforços para a criação e definição da estrutura de metadados para dados abertos, integração para a base de dados do Governo Direto, permitindo o Cadastro Integrado do Cidadão e a construção de WebServices que permitam a atualização sistemática desses dados, contemplando as áreas de saúde, educação, segurança pública e cadastro civil.

Todos os novos sistemas deverão seguir um padrão de interoperabilidade criado que agrega padrões de criptografia, regras de segurança e permissão de acesso, estrutura de dados, canais e disponibilização da informação, entre outros.

O Projeto Governo Direto encontra-se ainda em implantação, entretanto, alguns benefícios já foram notados de imediato em algumas situações. A entrega de carteiras de passe livre para idosos, por exemplo, passou de 45 dias para apenas 1 dia, apenas com a revisão de processos e simplificação de regras, com a participação de todos os atores envolvidos.

A fim de dar maior agilidade para o desenvolvimento e acompanhamento de seus projetos, bem como em suas entregas, o Escritório de Governança optou pelo uso da Metodologia Canvas para Projetos.

O Project Model Canvas (PMO) é uma metodologia robusta de gerenciamento de projetos, sem o preenchimento de inúmeros documentos e sem burocracia.

O modelo “Canvas" se basea no conceito de "design thinking", ou seja expressar ideias de forma gráfica. 
 
Este modelo é utilizado não somente para o gerenciamento de projetos mas também para a criação de produtos e criação de modelos de negócio, entre outras possibilidades.

PMO Canvas
Apoia-se também sobre a ferramenta 5W2H (na figura que representa PMO, na variação 4W2H), o qual, basicamente, é um checklist de determinadas atividades que precisam ser desenvolvidas com o máximo de clareza por parte dos colaboradores da empresa.

O nome desta ferramenta foi assim estabelecido por juntar as primeiras letras dos nomes (em inglês) das diretrizes utilizadas neste processo. Abaixo você pode ver cada uma delas e o que elas representam:

What – O que será feito (etapas)
Why – Por que será feito (justificativa)
Where – Onde será feito (local)
When – Quando será feito (tempo)
Who – Por quem será feito (responsabilidade)
How – Como será feito (método)
How much – Quanto custará fazer (custo)

O 5W2H também é a base para a maioria dos frameworks de Arquitetura Corporativas existentes. Uma arquitetura corporativa se constitui em dimensões (5W2H, ou suas variações) associadas a conceitos empresariais, como é o caso do framework Zachmann, do framework TOGAF e do Modelo de Arquitetura Corporativa proposto. 
 
A partir daí já podemos notar um forte alinhamento entre o trabalho realizado pela Seplag de Sergipe e o nosso Modelo Arquitetônico.

Modelo de Arquitetura Corporativa
Os blocos de Estratégia, Projetos e Processos do Modelo de Arquitetura estão diretamente vinculados às 3 atividades ligadas ao Escritório de Governança de Sergipe: Estratégia, Escritório de Projetos e Escritório de Processos.

O alinhamento não para aí. Os sistemas e dados a serem integrados, a necessidade de padronização de formas de acesso e infraestrutura tecnológica envolvidos se encontram no bloco de Tecnologia da Informação do Modelo de Arquitetura Corporativa.

O mapeamento dos atores, papéis e conhecimentos necessários à realização do trabalho, por sua vez, está associado ao bloco de Competência.

Os itens de segurança encontram-se previstos no bloco Riscos e Conformidade. 

Por fim, os Serviços, foco principal de melhoria buscado no Projeto Governo Direto, são previstos no bloco Negócios do Modelo.

Soma-se a possibilidade de visão integrada entre todos esses componentes organizacionais apresentado pelo Modelo de Arquitetura Corporativa. 
 
Veja também o artigo de Guttenberg Passos, o qual retrata o alinhamento do Projeto Governo Direto aos Pilares da Governança Corporativa.

No próximo artigo trataremos da relação entre a Arquitetura Corporativa e o DAMA-DMBOK .

E não se esqueça de deixar aqui a sua opinião! Até a próxima!

Nenhum comentário :

Postar um comentário