quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O que o Gato e a Arquitetura Corporativa têm em comum?

Se você pudesse explicar tudo, você estaria sempre reduzindo tudo a outra coisa, e então nada existiria. Há elementos que você não pode entender na sua totalidade; você pode apenas compreender certos aspectos, se você aceitar a tensão entre os aspectos que você compreende e aqueles que não compreende mas sabe que existe. Acertar o ponto de equilíbrio entre essas duas exigências, que é um equilíbrio instável, é o único critério científico válido.
COF, Olavo de Carvalho

Eu vi um gato.

O gato que eu vi tem quatro patas, duas orelhas, um rabo, é peludo e mia. Essas características, embora verídicas, ajudam a descrever o gato que eu vi?

E se eu dissesse que o gato que eu vi era verde com bolinhas coloridas e estava falando russo? Isso é impossível! Naturalmente ou estava no País das Maravilhas ou estou louca! Nós sabemos que essa informação não condiz com a realidade. Por esse motivo, também não é necessário que eu diga que o gato não estava falando russo.

O gato que eu vi era rajadinho com a barriga branca e com o rabo bem peludinho. Agora, sem dúvida, a minha descrição se tornou mais relevante.  Eu posso ainda acrescentar que o gato que eu vi estava sentado com as patinhas juntas em cima de uma cristaleira.

Com essas descrições, provavelmente, você já estará imaginado um gato bem diferente daquele imaginado quando leu a primeira frase.

Para tornar a minha descrição ainda mais fidedigna, eu posso mostrar uma foto:

Mas, mesmo assim, ainda há muitas informações faltantes. Por exemplo, quando o gato subiu na cristaleira? Estava de dia ou de noite? Qual a idade do gato? O gato está saudável? Há outros gatos no ambiente? Quem é o dono do gato? É um gato ou uma gatinha?

Por mais que eu tente responder todas essas perguntas, outras surgirão! Isso ocorre porque uma descrição, por mais irretocável que seja, nunca reproduz EXATAMENTE toda a complexidade da realidade.

O ideal, então, é que eu saiba as razões pelas quais estou querendo descrever o gato que eu vi. Eu pretendo apenas contar uma história fofinha? Eu desejo chamar um veterinário? Eu quero discorrer sobre os perigos aos quais os gatos domésticos estão expostos?

Sabendo a finalidade para qual a descrição será utilizada e, igualmente importante, as pessoas interessadas nessa descrição, eu poderei direcioná-la e focar nos atributos mais relevantes. Assim, embora a imprecisão da descrição não seja completamente solucionada, as informações concedidas serão suficientes para suprir a necessidade existente.

Vamos à analogia! Tendo isso em mente, eu questiono:

Sendo Arquitetura Corporativa, em sua essência, uma descrição da empresa, que elementos precisaremos modelar para que tal descrição seja realmente útil?

Posso garantir que a resposta a essa questão, juntamente com o perfil do arquiteto comentado no artigo anterior, são fatores determinantes para o sucesso da iniciativa de Arquitetura Corporativa.

Há muito assunto ainda para ser tratado! Continuemos!

Até lá!

Nenhum comentário :

Postar um comentário