quarta-feira, 3 de agosto de 2016

BPM - Uma Obra em Movimento




(Imagem: http://hugojhoaz.blogspot.com.br/)


Estou lendo um ensaio que há algum tempo estava na fila de leitura, do famoso autor Umberto Eco, chamado Obra Aberta, no qual o mesmo explora cientificamente a Obra de Arte e a dinâmica da relação entre o autor e o observador do objeto artístico. Eco descreve como o observador traz toda uma bagagem cultural, sensorial e intelectiva para “interpretar” a poética transmitida pelo artista. O autor, em sua pesquisa, analisa obras concebidas com uma aparente univocidade, passando por produções já com uma simbologia mais aberta, chegando às obras contemporâneas  deliberadamente abertas, nas quais os autores convidam os fruidores a interferirem e co-criarem  o objeto artístico, se tornando, por sua  capacidade de assumir estruturas infinitas, Obras em Movimento.

Foi impossível, para mim, não fazer um paralelo com o mundo dos processos organizacionais.

Quando inauguramos um projeto de melhoria de processos e iniciamos as atividades de modelagem há sempre alguém que espera que surja da análise uma solução mágica a ser proposta unilateralmente pela equipe do projeto. Há diversas questões, neste ponto, que devem ser exploradas.

A modelagem é uma aproximação da realidade.

Por uma limitação de tempo e orçamento, a modelagem nunca vai ser uma representação perfeita da realidade do processo de trabalho. A complexidade do dia a dia do processo, levando-se em conta todas as suas dimensões, é muito grande, cabendo ao analista fixar um escopo que traga elementos suficientes para realização da análise.

O Analista de Processo é especialista em BPM.

O analista quando se debruça sobre os processos da organização, deve sempre estudar toda a sua dinâmica, regras e relações com outros processos, no entanto, dificilmente terá um conhecimento tão profundo quanto os especialistas dos processos que lidam com os mesmos diariamente e há muito mais tempo.

Os clientes devem ser envolvidos no processo de análise.

Como já observamos em posts anteriores, o envolvimento dos clientes na análise é essencial, não somente porque conhecem mais profundamente os seus próprios processos, mas também são ¨contagiados¨ por um sentimento de pertencimento ao projeto, fazendo com que se envolvam emocionalmente com a ¨obra¨ a ser construída.

O modelo proposto é somente um ponto de partida

Após a análise do processo, realizada ao lado do cliente, o analista ajuda na prospecção de soluções possíveis para a melhoria do processo, formando uma Agenda de Melhoria, na qual as mudanças e os ganhos delas decorrentes estarão descritos. Após a sua implementação e estabilização, o novo modelo deverá, em tese, propiciar a almejada melhoria. No entanto, tal melhoria é somente um ponto de partida. Se dotarmos o processo de pontos de monitoramento e o dono do processo de mecanismos de intervenção permanente no mesmo, o processo se torna uma Obra em Movimento.

Assim como na obra de arte, nos projetos de intervenção em processos quanto maior a interação entre o analista de processos e seus clientes, mais rico será o resultado alcançado e maior a chance de sucesso do projeto de BPM.


Até a próxima!

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