quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Não seja um Arquiteto de Pena e Tinta


“… eu, como os outros marujos do porto, era apenas mais um ensejo para que ele escrevesse documentos oficiais, preenchesse formulários com toda a sua superioridade artificial que um homem de pena e tinta nutre em relação aos homens que lidam com realidades fora das sagradas paredes dos prédios oficiais. Devíamos parecer-lhes fantasmas! Meros símbolos manipulados em livros e em pesados registros, sem cérebros nem músculos nem perplexidades; coisas de utilidade questionável e sem dúvida inferiores.”
Joseph Conrad, no livro A Linha da Sombra

Em essência, Arquitetura Corporativa é um conjunto de modelos que representa a empresa. É claro que Arquitetura Corporativa não é só isso! Há, por exemplo, toda a prática envolvida no uso desses modelos. Mas, se não houver diagramas descritivos da empresa, não há Arquitetura Corporativa.

O problema residente nessa situação é focarmos apenas na criação dos modelos e esquecermos da realidade que acontece fora das sagradas paredes do escritório de Arquitetura Corporativa. Arquitetos corporativos sempre correm o risco de se tornarem um homem de pena e tinta e focarem apenas na criação de modelos arquiteturais, de se tornarem burocratas exigindo documentações que nunca serão utilizadas.


Quando isso acontece, a iniciativa de Arquitetura Corporativa está fadada ao fracasso! É claro que modelos precisam ser criados e novas atividades precisam ser incluídas na rotina da empresa, mas é preciso ter sempre em mente como o uso dos modelos acontecerá.

Arquitetura Corporativa precisa ser viva! A empresa precisa perceber a utilidade de Arquitetura Corporativa e, digamos, tornar-se dependente dela. É a necessidade diária por arquitetura que assegura o sucesso da iniciativa, pois essa necessidade funciona como garantidor da consistência entre os modelos e a realidade.

Dito isso, sinto-me confortável para falar, especificamente, sobre outro padrão envolvido com Arquitetura Corporativa: o ArchiMate.


O AchiMate® é uma linguagem de modelagem que fornece uma representação uniforme para diagramas que descrevem Arquiteturas Corporativas[1].


Eu já mencionei o TOGAF (aqui e aqui), explicando mais detalhadamente o seu principal componente: Método para Desenvolvimento da Arquitetura – ADM. De acordo com o ADM, a modelagem da arquitetura acontecerá efetivamente nas fases B, C e D, porém o TOGAF não indica como essa modelagem deve ser feita. Essa resposta encontraremos no ArchiMate.

Mas isso é assunto para um próximo post.
Até lá!




[1] http://www.opengroup.org/archimate

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