sexta-feira, 15 de abril de 2016

Detalhando Quatro Visões no FACIN – Parte 1: Infraestrutura


Preâmbulo
Objetivo da visão de infraestrutura no FACIN: Descrever a estrutura física e de tecnologia necessária para execução dos sistemas de informação e operação da organização envolvendo a definição de regras, padrões e ferramentas necessárias à interoperabilidade de informações. Descreve ainda qualquer infraestrutura física necessária às operações da organização, não relativas a TI.

Objetivo da visão de segurança no FACIN: Descrever os requisitos de segurança necessários a todos os níveis da organização, desde processos, dados e informações até o nível de infraestrutura.

Objetivo da visão de aplicações no FACIN: Descrever o conjunto de todas as soluções de software que permitam a produção, armazenamento, transmissão, acesso, segurança e o uso e intercâmbio das informações.

Objetivo da visão de programas e projetos no FACIN: Descrever o conjunto de projetos e as relações entre si, coordenados de maneira articulada para a realização dos objetivos estratégicos da organização.

Introdução
Definir, por princípio, uma infraestrutura da área de Tecnologia da Informação como sendo um conjunto de computadores, cabeamento, refrigeração, roteadores, armazenamento, comunicação, etc. leva a um único resultado: fracasso total.

Para os profissionais que já estão no mercado há pelo menos 15 anos, a área de TI deixou de ser vista como simples automação de escritório e passou a ser vista como uma área de serviços/apoio ao negócio, variando de um valor tático, no qual é uma ferramenta focada na automação de processos (comércio ou indústria), ao valor estratégico, no qual é uma peça chave na criação de produtos, no aumento da capacidade de competição e na análise de tendências de mercado (serviços financeiros e de saúde). No centro de tudo isso, TI continua sendo imprescindível na gestão organizacional das empresas (RH e colaboração), seja ela implementada com equipes próprias ou terceirizadas. No mundo de negócios atuais é impossível pensar em uma interação e sincronização de todos os participantes de uma cadeia produtiva sem o uso das tecnologias de informação, seja em nível local quanto em nível global, onde assume um papel absolutamente fundamental.

O maior desafio para aqueles que trabalham no design de uma arquitetura da área de Tecnologia da Informação é a dificuldade de prever o futuro, não somente em relação a quais tecnologias emergentes serão adotadas efetivamente pelo mercado, quanto em relação ás preferências digitais de seu mercado consumidor. Olhar um pouco para o passado é bom, mas como dizem os contratos de fundos de investimento, a performance do passado não é uma garantia de performance futura. Em miúdos de TI: a visão que você tinha no passado nem sempre pode ser aplicada com sucesso na previsão do futuro. O exemplo que sempre me vem à cabeça é quando uma organização define uma linguagem de programação como sua linguagem única de desenvolvimento. Eu, desde que iniciei minha vida em TI, já programei em Assembly 370, ALGOL, COBOL, FORTRAN, BASIC, PASCAL, C, C++, C#. Faltam no meu currículo as linguagens Java, PHP e Ruby, muito mais pelo fato de eu não estar mais programando profissionalmente há algum tempo do que falta de interesse, E não me esqueço do impacto que os conceitos de Design by Contract da linguagem Eiffel e da Arquitetura Orientada a Objetos tiveram na minha forma de pensar no design de programas e sistemas.

A visão integrada do FACIN 
Na abertura deste post coloquei os objetivos de quatro visões do FACIN para os quais sou responsável por organizar o trabalho de produção: infraestrutura, segurança, aplicações e programas e projetos. 

Ao me deparar com esta tarefa fiquei imaginando por onde eu poderia começar e, tendo vivido uma vida passada como arquiteto de infraestrutura, meu pensamento feliz foi iniciar pela visão de infraestrutura. Mas como escrevi no primeiro parágrafo do preâmbulo, se ela for pensada da forma tradicional, qual o resultado esperado? Resposta: fracasso total. 

Minha forma de ver infraestrutura é como um conjunto de ferramentas que habilitem a execução de processos de negócio, suportem os processos de decisão estratégica, mantenham a memória da organização, sirvam de interface com o mundo humano e com o mundo digital externo a esta organização e seja um conjunto apto a se adequar a demandas regulatórias e de mercado. Desta forma, consegue-se escapar dos vícios de pensar estrutura como exemplificado no fatídico primeiro parágrafo do preâmbulo.

Quando vejo a relação entre essas quatro visões, uma estruturação possível da relação entre elas pode ser vista como no diagrama seguinte:



  • Segurança: permeia todos os elementos da arquitetura de tecnologia da organização, pessoas e processos da organização;
  • Programas e projetos: organiza e integra as atividades de execução dos projetos necessários à entrega de produtos e serviços, garantindo seu valor para a organização;
  • Aplicações: implementam as interfaces humanas e digitais, e implementam a automação dos processos e lógicas de negócio;
  • Infraestrutura: suporte físico e digital dos outros três elementos.

O usuário em seus diversos papéis
Falta aqui, porém, um elemento: o usuário, seja ele um usuário final, um usuário interno, um auditor, um regulador, um cliente ou um cidadão. O usuário é aquele que estabelece as demandas a toda e qualquer organização. O desejo de uma organização em oferecer produtos e serviços a um mercado é, e sempre será, moldado pelas demandas exercidas por seus usuários (não apenas por seus clientes ou proprietários). No foco de uma infraestrutura de TI de uma organização de governo, as dificuldades são muito maiores em vista da pluralidade de demandas e capacidades tecnológicas dos atores que usam seus serviços: cidadãos, empresas de todos tipo de tamanho e pertencentes a todos os tipos de indústria, reguladores, gestores de serviços públicos, legisladores e outros. Somente a complexidade das características de um usuário cidadão poderiam gerar algumas teses de doutorado.

Acredito que, ao olharmos a infraestrutura sob este ponto de vista, conseguiremos progredir de forma adequada no trabalho do detalhamento das visões de uma forma integrada e viável para o FACIN.

E fica aqui uma questão aos leitores e colaboradores: a infraestrutura, na demanda de serviços públicos, pode ser vista sob quais outras formas?


























































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