segunda-feira, 21 de abril de 2014

Processos voltados para resultados

Muito tem sido falado a respeito de processos nas últimas décadas - notações, ferramentas, abordagens, sistemas automatizados e outros elementos que com certeza contribuem para a melhoria do resultados das instituições.

Um ponto crucial para um bom entendimento e para uma boa representação de um processo é a identificação explícita dos resultados a serem gerados. Em outras palavras: mais que um fluxo de atividades, um processo deve ser, de fato, uma cadeia de valores que são gerados no percurso que vai desde que uma necessidade é percebida até o seu atendimento. Quando representamos processos sem o cuidado de termos os valores (resultados) devidamente identificados e caracterizados, temos menos chance de gestão do alcance de nossos objetivos e de integração dos participantes do processo no trabalho.

O costume de representar um processo apenas como um fluxo de atividades levou muitas pessoas e organizações a construírem modelos como visto na figura a seguir, em que o diagrama oblitera os resultados que ocorrem após cada transformação.


Tal representação pode - e deve - ser substancialmente aprimorada, se incluirmos um símbolo em nossa notação que permita o reconhecimento dos valores / resultados que estão interagindo, como, por exemplo:



E quais são as duas principais vantagens de representarmos explicitamente os valores existentes em nossos processos?

Em primeiro lugar, nossas cadeias de valor passam a merecer tal denominação, uma vez que deixamos de contar somente com cadeias de atividades para concentrarmos nossa atenção em seus resultados.

Mais importante ainda, conseguimos desacoplar dois elementos distintos que antes se encontravam unificados, gerando uma brutal diferença em nossos modelos. A atividade de produzir um determinado bem ou serviço é  diferente do seu produto (a própria entrega), e isto fica ainda mais claro quando passamos a atribuir características a cada elemento de nosso processo. Por exemplo, o custo associado a uma atividade (como o custo de produção de um bem) não é necessariamente igual ao preço que o bem será vendido no mercado (característica do valor), mas não tínhamos como perceber claramente tal distinção caso mantivéssemos a representação simplificada vista na primeira figura.

Nas próximas publicações iremos aprofundar ainda mais algumas dicas para a modelagem e a para boa gestão de processos. Até lá!



2 comentários :

  1. Prezado Bruno, artigo muito esclarecedor que, no meu entender, refuta a ideia reducionista de compreender processo apenas como "um conjunto de atividades logicamente encadeadas, que adiciona valor, etc.etc". Ora, o processo é sim uma rede social de cooperação que se estabelece para geração de valores intermediários suficientes e necessários para se chegar a um valor final, cujo vetor é um bem ou serviço de significância empresarial e social, em um dado contexto o qual pode se manifestar de forma cartesiana ou complexa, tanto faz.

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  2. Caro Jaime, grato pelas palavras. Você é professor na matéria e conhece a fundo a problemática de processos - se os valores estão bem identificados e caracterizados, mais fácil estabelecer a cooperação para gerar os resultados. Um grande abraço!

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