quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Transformação de processos

Ao participar do BPM Global Trends tive a oportunidade de trocar diversas e boas experiências com novos e velhos amigos que encontro poucas vezes no ano, em encontros como o do início desta semana. O formato escolhido, de poucas e intensas palestas, parece ter agradado ao público, que exigiu sessões em dobro e participou ativamente do debate, com alto nível de qualificação.

Tão bom quanto discutir em sala foi aproveitar os intervalos para conversar com pessoas especiais, como os colegas de blog Marcus Vinicius e Herbert Garcia, o professor Fuad Gattaz Sobrinho e o vice-presidente da ABPMP, José Furlan. Em especial, reproduzo aqui alguns pontos do animado papo que eu os os dois últimos tivemos logo após o almoço.

Em determinado momento falávamos da velocidade cada vez maior das mudanças em nossas vidas e de como poderíamos auxiliar a transformação de contextos / negócios, promovendo resultados satisfatórios e sustentáveis para a sociedade. No dia anterior tinha participado de uma reunião de pais com a coordenação da escola de meus filhos e saí daquele encontro com apenas um incômodo (que não irá me alcançar nos próximos três ou quatro anos, mas mesmo assim é um ponto de atenção para o futuro): a formatação das turmas e conteúdos do programa educacional busca preparar as crianças e jovens para participarem, com sucesso, dos processos seletivos para ingresso no mercado de trabalho; mas... de que mercado e de que profissões estamos falando? Cada vez que vejo as propostas escolares se concentrarem em estimular a aprendizagem de comportamentos e conhecimentos que estão muito distantes do que a vida moderna apresenta. Dou um exemplo: as escolas pregam turnos mais longos - e a sociedade reclama jornadas reduzidas de trabalho; profissionais segmentados vão aos colégios falar de suas áreas de atuação - enquanto, lá fora, as pessoas experimentam a transdisciplinariedade a cada momento; o ambiente escolar é marcado por locais fechados, lugares marcados e disciplina - mas o novo paradigma parece exigir desestruturação de ambientes, tecnologias compartilhadas e espalhadas pelo mundo e a busca da felicidade completa.

Sem saber disso, Furlan contava-nos como substituiu seu plano de um doutorado formal (em uma universidade física, com disciplinas, programas e professores bem definidos), por um conteúdo disperso, atual, individualizado à sua necessidade e que gera produção intelectual mais frequente e comentada por aqueles que estão sintonizados com os temas do seu interesse. Ele não tem dúvida alguma de que seu conhecimento e sua resposta para a comunidade são infinitamente superiores (em qualidade e também em quantidade) do que se estivesse seguindo um modelo clássico. Sua provocação atual é ter seu magnífico exemplo reconhecido pela academia.

Fuad mencionou algo bem similar que o fez - junto com outros idealistas - desenvolver e aprovar programas de mestrado e doutorado junto a universidades pelo mundo, em moldes como o descrito pelo Furlan. Aulas à distância, independência para escolha das referências, estímulo à criatividade e, principalmente, resultados transformadores, parecem ser a tônica dessa forma de enxergar a realidade, muito mais próxima do ideal (não seria real?) de respeitar cada indivíduo como alguém único e valioso para o todo.

Nosso papo ia longe, concluindo ser esse o verdadeiro paradigma de processos (ou de projetos, de planejamentos, de arquiteturas e outros instrumentos de gestão): o poder de transformar a realidade e de acrescentar valor ao ser humano.

Quase ficamos tristes quando as sessões recomeçaram e tivemos de interromper a conversa - mas, aí, entramos em sala e vimos, na prática, as transformações ocorrendo na interação com os participantes...

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