sexta-feira, 17 de abril de 2015

Transparência Organizacional
O que isso tem a ver com Arquitetura Corporativa ?
Parte I
Desde 2011 venho trabalhando com o tema de Transparência Organizacional dentro da Universidade. Já no mercado a visão de Arquitetura Corporativa é o que norteia a realização de qualquer serviço, consultoria ou produto que construímos.
E há algum tempo eu já pensava que essas duas coisas têm tudo a ver!
Por isso nessa série de artigos (ainda não sei quantos – tsc tsc totalmente sem transparência !) vou falar a minha visão sobre a importância deste conceito, porque você deveria levar em consideração, o que significa implementar transparência e como.
Então neste primeiro artigo deixa eu começar por ela mesmo. A transparência! Tá na moda. É demandada por lei para as empresas públicas. Mas o que as pessoas ainda não perceberam é que gera benefícios para todos!
Bem, muitos debates surgiram e continuam surgindo na literatura acadêmica, no mercado (bastante tímida ainda) e, principalmente, no governo, referente à implementação das leis e sobre seus resultados iniciais. A Lei brasileira de Acesso à Informação que regulamenta o direito constitucional de acesso às informações públicas (Lei 12.527 2011); a Lei complementar brasileira 131 (Lei 131 2009) que determina a disponibilização de informações sobre a execução orçamentária e financeira das instituições públicas; e o Decreto brasileiro número 6.932 (DECRETO 6.932 2009) que estabeleceu a obrigatoriedade de disponibilização da Carta de Serviços com informações dos serviços prestados pelos órgãos públicos, são os exemplos mais notórios das ações do governo para fomentar a transparência organizacional.
Mas ainda estamos num momento de entender o que de fato significa ser transparente e por onde começar a aplicar.
Inicialmente vamos parar de usar o termo para falar de associar o termo ao ato de simplificar o entendimento sobre a realização de ações e serviços para as pessoas. É comum a expressão: “Esse procedimento tem que ser simples e fácil para o cidadão. Ele não precisa perder tempo e ser confundindo com tudo isso. Ele entrega o documento e recebe a resposta. Vamos fazer o mais transparente possível pra ele“. O que você queria dizer não é "o mais opaco possível"? Afinal se eu não sei como as coisas funcionam, então ela não é transparente.
Transparente é aquilo que se pode ver através, que é evidente. 
Portanto, uma organização transparente é aquela que torna pública suas informações. 
Transparência Organizacional, não consiste somente em permitir o acesso, mas também em facilitar o uso, garantir qualidade, melhorar entendimento e garantir a auditabilidade de processos e informações.
Não amigos, o nirvana da transparência não é “só“ disponibilizar as informações no site da organização e está tudo bem. Esse é sim um grande primeiro passo, dado o passado opaco em que vivíamos e ao presente ainda bastante “fosco“ em que nos encontramos.
O caminho é longo, mesmo quando se trata de dar acesso as informações. Por exemplo, saber quais informações devem ser transparentes e em que nível ainda é bastante difícil de definir, muito mais por interesses políticos do que pelo real interesse de tornar o cidadão mais participativo; saber como divulgar informações específicas, considerando públicos distintos e suas diferentes linguagens de comunicação; saber como estabelecer mecanismos de contínua disponibilização das informações, etc.
Ufa... O primeiro passo foi dado (ou melhor cobrado), mas ainda há muito a se fazer. E claro que as leis e diversas iniciativas independentes (em exemplos citados na figura abaixo) representam instrumentos importantes para discutir, implantar e fiscalizar a adoção de ações de transparência.

Mas o que me peguei pensando nos últimos meses é: por que alguém (leia-se uma empresa de qualquer natureza) iria querer ser transparente?
Ok, vamos por partes. Primeiro vou separar, de forma bem simplificada, as empresas em públicas e privadas. Agora vou refazer minha pergunta:
Por que uma empresa pública quer ser transparente?
A resposta óbvia é: para se adequar ao que a lei manda. A propósito, a FGV fez um trabalho bastante interessante sobre o panorama atual do atendimento às leis de acesso à informação em alguns estados brasileiros, disponível em: http://www.transparencyaudit.net/node/16.
Mas, a resposta que, em minha opinião, deveria estar na cabeça de nossos governantes é: para fazer do cidadão mais um participante da gestão pública do seu município, cidade, estado e país. Por participante entendo que ele não será apenas um fiscal, mas um integrante ativo dentro do seu contexto social. Basta olhar a avaliação que citei anteriormente para perceber que não é exatamente essa a intenção de todos, principalmente olhando o resultado referente ao Rio de Janeiro que é, no mínimo, lamentável.
Agora vamos à segunda pergunta:
Por que uma empresa privada quer ser transparente?
Aha! Bem, aqui também há uma resposta óbvia; se a empresa privada estiver fazendo negócio com uma empresa pública, as informações referentes a esse negócio também devem estar de acordo com as leis de acesso à informação. Mas, para que outras situações podemos pensar em transparência na iniciativa privada? 
Bem, existe uma verdade sobre empresas privadas e é que elas precisam obter lucro para se manterem. Então? Será que transparência poderia contribuir com este objetivo? A resposta é: Sim. Porque quanto mais transparência houver, mais acionistas e mais clientes serão atraídos já que a empresa demonstrará sua idoneidade e passará informações confiáveis não somente sobre seus produtos, mas também sobre sua saúde financeira.Tanto para empresas privadas como públicas, práticas que contribuem para transparência como, clareza, atualidade, integridade, detalhamento, verificabilidade e disponibilidade são vantajosas de serem implementadas.
Daí alguns de vocês (espero que todos) falam pra mim: Legal! De acordo! Mas....
No próximo artigo falarei sobre como Arquitetura Corporativa pode ajudar nessa empreitada e como podemos “fazer transparência” aos poucos, sem afobação. 
Até a próxima!

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