sexta-feira, 10 de abril de 2015

Tendências que nortearão o mercado público e privado de sistemas de informações geográficas (SIG)

Há uma grande expectativa quanto a utilização de sistemas de inteligência geográfica em todos os setores da economia. A ideia é que essas ferramentas se transformem em uma plataforma integradora de todos os tipos de tecnologia geoespacial. Empresas dos mais variados ramos estão suportando seus processos de negócio em fluxos de trabalho fundamentados no conceito, permitindo que suas equipes façam uso de mapas cada vez mais simples e disponíveis para compartilhar, comunicar e analisar dados em qualquer momento, lugar e dispositivo. A seguir, listamos onze apostas do que esperar para os próximos meses nesse sentido.




Agronegócio – Tudo conectado “antes, dentro e depois da porteira”
Para 2015 a Inteligência Geográfica aplicada no Agronegócio será elemento chave para resolver um dos principais problemas do setor hoje em dia, que é a gestão integrada dos processos das cadeias produtivas. Novas tecnologias como computação em nuvem, Big Data, redes sociais, mobilidade e IoT(Internet of things) revolucionará a coleta, o tratamento massivo dos dados e a integração de diferentes tipos de informações geradas em todos os subsegmentos do Agronegócios. A tendência é de convergência de tecnologias e informações entre os diferentes elos de transição do Agronegócio - “Tudo conectado - antes, dentro e depois da porteira”. A análise espacial de diferentes tipos de informações permitirá aperfeiçoar o uso dos insumos agrícolas, reduzir os impactos ambientais da produção e aumentar a lucratividade, o que é imprescindível para ganhar em competitividade e sustentabilidade da produção.
Novas oportunidades na área de Educação
Enquanto alguns professores - do ensino fundamental ao superior - se perguntam ‘como desligar os tablets, smartphones e laptops em sala de aula’, estão nestes dispositivos grandes e novas oportunidades de aprendizado integrado, utilizando o conceito de Bring Your Own Device (BYOD) para área de Educação, tendo o Espaço Geográfico como ponto de união entre as disciplinas e uma Plataforma Tecnológica baseada em Sistemas de Informações Geográficas para ir muito além do aprender a criar mapas ou pontos em uma imagem de satélite.
A grande novidade é a Inteligência Geográfica aplicada, que integra Geografia e Tecnologia transformando aprendizes em descobridores do planeta e mestres em planejadores e interventores para mudanças positivas nas condições físicas, sociais e ambientais do mundo, trilhando um caminho do homem em harmonia com a Geografia.
Telecomunicações
As empresas do setor Telecomunicações contarão com uso da Inteligência Geográfica para dois grandes objetivos em 2015: ampliar a fidelização de seus clientes e melhorar seus entendimentos sobre expansão do LTE. Ao posicionar pontualmente ou por regiões seus dados críticos; como clientes, ativações, churn, chamados e problemas; essas empresas terão à disposição análises geográficas expostas em painéis de gestão compreendendo a correlação entre os fenômenos. Para a expansão da banda larga, modelos geo-estatísticos sustentam as decisões, permitindo a análise cruzada de diferentes dados, incluindo histórico, potencial, rede e operação.
Serviços financeiros
Para 2015, a busca por melhor entender os riscos pontuais e regionais para enriquecimento dos modelos de análises e exposição, são tendências na utilização da Inteligência Geográfica. Ao posicionar pontualmente o histórico de ocorrências, clientes e rede, as análises geo-estatísticas possibilitam o entendimento do contexto e a ampliação da capacidade de tomada de decisão. A adoção de aplicações móveis para a equipe em campo tem também apontado as inciativas geográficas do setor.
Varejo
Melhoria operacional, fidelização e visão única do cliente apontam as tendências de Inteligência Geográfica para o Varejo. Antes utilizada para a expansão, a Inteligência Geográfica permite ao setor varejista ter uma visão única do cliente, conectando informações e mídias sociais, localidades de consumo, residência, cupons, entre outras interações. O monitoramento da fidelização é potencializado ao adicionar a visão geográfica dos dados, que também sustenta a melhoria efetiva da operação, com a gestão de supply chain, logística, manutenção e gestão de ativos.
Governo Municipal
Para 2015, os governos municipais irão buscar cada vez mais a integração dos dados e das tecnologias numa plataforma geográfica para condução de suas ações de gestão do município. Um desafio a ser enfrentado com essas integrações é transpor as paredes das prefeituras e capacitar os gestores a darem respostas ágeis aos cidadãos. Algumas tendências para continuar esse processo e promover a transparência, são:
Nuvem - A adoção crescente da Inteligência Geográfica e de outras soluções na nuvem dentro das prefeituras irá transformar a maneira como as secretarias investem e alocam seus recursos de TI.
Governo como plataforma – o governo deve se estruturar como uma plataforma, na qual soluções podem ser construídas.
Colaboração - a utilização crescente de meios de comunicação social como uma ferramenta de colaboração dos cidadãos proporcionará uma mineração de informações para os gestores. Os municípios que utilizarem novas tecnologias estarão bem posicionados para gerir melhor seus recursos, executar os processos com mais eficiência e atender as demandas dos cidadãos.

Óleo e Gás
A tecnologia da informação tem sido uma grande aliada na solução de problemas complexos que desafiam a indústria de Óleo e Gás. No entanto, o cenário atual – interno e externo, que vem se apresentando desde o segundo semestre de 2014 e que deve se estender ainda por 2015, está impondo severas restrições orçamentárias às empresas do setor. O grande desafio da TI estratégica nos próximos meses será apostar em tecnologias que ajudem as companhias a serem mais eficientes, que contribuam para redução dos custos de lifting e melhorem os índices de produtividade em campo. Os Sistemas de Informações Geográficas (GIS) serão ferramenta essencial nesse processo para suportar a tomada ágil e bem informada de decisão graças a duas características principais que são:
Integração - as possibilidades de integração do GIS com dados de diversas fontes e formatos, permitindo reunir informações de diferentes domínios de conhecimento dentro da indústria.
Visualização - a flexibilidade para criação de interfaces que proporcionam diversificadas formas para que o profissional de Óleo e Gás visualize e interaja com as informações.

Análise Criminal no apoio à gestão da Segurança Pública
O foco da Segurança Pública neste ano será a integração dos departamentos e secretarias destacando a gestão da tecnologia, informação e conhecimento. Neste contexto, a análise criminal será a principal ferramenta para produção de conhecimento, servindo como orientadora das políticas para as diversas pastas do setor. Na análise criminal, a informação recebida é analisada para a identificação de padrões, redes, conexões ou novas áreas de atividade criminal e, neste contexto, a Inteligência Geográfica será uma ferramenta essencial no conhecimento do espaço geográfico para os órgãos de Segurança Pública. A utilização de mapas agrega valores de variáveis oriundas de diversas fontes, possibilitando uma análise multivariada capaz de orientar visualmente as pastas responsáveis quanto aos problemas do crime.
Fator Essencial para a Sustentabilidade e Desenvolvimento do Setor Elétrico
O setor elétrico nacional – seja na Geração, Transmissão ou Distribuição, enfrenta fortes desafios neste ano, que têm sido amplamente difundidos pela mídia. A Inteligência Geográfica se torna então cada vez mais importante na condução do negócio elétrico. Vemos um aumento do uso de sensoriamento remoto integrado em GIS, e uma maior utilização de capacidades de geoprocessamento e análise espacial (Location Analytics) para apoio a decisões com impactos cada vez mais críticos e em curto espaço de tempo. Esta utilização extrapola já os campos tradicionais de uso do GIS no setor – cadastro e projeto, sendo cada vez mais o GIS o fator unificador de informação estratégica nas empresas informações em tempo quase real em GIS, possibilitando avançadas capacidades de gestão integrando as dimensões espaço e tempo. Com o avanço das redes inteligentes (Smart Grid) no panorama nacional, crescerá igualmente a importância da computação em cloud e híbrida – seja utilizando recursos próprios ou recursos na cloud, e capacidades de processamento de Big Data, devido ao altíssimo volume de dados recolhidos a partir dos sistemas de automação da rede, e que os modernos sistemas de GIS estão preparados para receber e transformar em informação útil.
Inteligência Geográfica como peça chave para a crise hídrica
O setor de saneamento (e a sociedade brasileira) enfrenta atualmente uma crise hídrica sem precedentes, no país que possui a maior disponibilidade de água doce do mundo. As empresas de saneamento têm pela frente grandes desafios: não apenas a expansão e universalização, mas também a redução de perdas, a eliminação de desperdícios em geral e a sustentabilidade dos mananciais que garantem a produção de água. Tudo isso exigirá grandes mudanças e mais investimento em tecnologias geoespaciais que suportarão uma gestão estratégica e proativa das companhias de saneamento considerando o território para realizar análises ao longo do tempo e serem capazes de se antecipar à resolução de problemas prevenindo crises como esta que vivemos.
Integração e compartilhamento da geoinformação no Governo Federal
Uma gestão adequada da produção e do compartilhamento da geoinformação será um diferencial para a gestão pública federal, principalmente quando se busca a racionalização dos gastos, melhoria dos processos de trabalho e aumento da transparência pública. O Governo Federal tem produzido uma enorme quantidade de dados geográficos, porém o grande desafio em 2015 é fazer com que estes dados transitem entre os órgãos interessados, sejam transformados em informação e suportem a tomada de decisão. Para isso, as Infraestruturas de dados espaciais (IDE) terão a sua importância ampliada, pois permitem a criação de um fluxo padronizado de compartilhamento de dados e integração entre diferentes órgãos de forma ágil e estruturada, principalmente em ações que envolvem diferentes ministérios, agências e autarquias.

Outra forte tendência mundial e que busca se consolidar no Brasil é a democratização da informação geográfica para os cidadãos, suportando o Governo Aberto (Dados abertos), ampliando a transparência pública e fortalecendo a democracia. Será notável também a utilização da Inteligência Geográfica em setores sem tradição em sistemas de informações geográficas (SIG), nas áreas de gestão, processamento de dados e estatísticas, principalmente unindo GIS com ferramentas de Business Intelligence (BI).

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