terça-feira, 14 de abril de 2015

Fundamentos de XBRL



XBRL é o padrão internacional para a representação eletrônica de relatórios financeiros. No coração do padrão XBRL está a Especificação XBRL 2.1, originalmente publicada em 2003. Essa especificação define os elementos constitutivos básicos de fatos, documentos de instância, conceitos e taxonomias, que são comuns a todas as implementações XBRL.
Esses itens são explicados em mais detalhes abaixo:

Documentos de instância

Um documento de instância é uma coleção de fatos que juntos formam um relatório financeiro. Tecnicamente, um documento de instância é um documento XML com um elemento raiz <xbrli:xbrl>.

Fato
Um fato é uma porção individual de informação em um relatório. Por exemplo, informar que o lucro da Acme Inc. em 2013 foi de $10mi seria um fato. O fato é representado reportando-se um valor de 10 milhões contra um conceito que represente “Lucro” e o associando com informações contextuais que representem as unidades (dólares), o período (2013) e a entidade (“Acme Inc.”). Tecnicamente, fatos são representados por elementos em um documento de instância.

Conceito
Um conceito é uma definição que fornece o significado para um fato. Por exemplo, “Lucro”, “Faturamento”, e “Ativo” seriam conceitos típicos. Tecnicamente, conceitos correspondem a definições de elementos em um XML Schema.

Taxonomia
Uma taxonomia é uma coleção de definições de conceitos. Tipicamente, uma taxonomia corresponderá a um domínio de relatório(s) específico(s). Por exemplo, existem taxonomias para muitos padrões contábeis como IRFS, para vários padrões regionais do GAAP, bem como para requisitos de relatórios de entidades reguladoras, agências governamentais e grandes empresas. Tecnicamente, uma taxonomia consiste em um documento XML Schema contendo definições de elementos e uma coleção de documentos XML (linkbases) que fornecem informação adicional, que faz parte das definições de conceitos.

Muito do poder do padrão XBRL se deve à habilidade em publicar requisitos de relatórios em um formato padronizado, conhecido como taxonomia. Taxonomias permitem a publicação de requisitos de relatórios de maneira que possam ser entendidos por software compatível. Esse software, por sua vez, pode usar esses requisitos para, por exemplo, elaborar relatórios (documentos de instância) que atendam aos requisitos especificados.
A maioria das implementações XBRL requerem:
  • A preparação e manutenção de uma taxonomia que capture e padronize requisitos de relatórios.
  • A publicação dessa taxonomia para que possa ser utilizada por organizações que necessitem preparar relatórios que atendam a esses requisitos.
  • A elaboração de documentos de instância por muitas organizações que necessitem prestar contas.
  • A validação e, se necessário, correção desses documentos (instâncias) por quem os elabora, de acordo com as restrições definidas na taxonomia.
  • A transmissão do documento de instância pela organização que presta contas aos destinatários relevantes.
  • O recebimento e validação de cada documento de instância pela organização (ou organizações) interessadas nos dados contidos nos relatórios.
  • O armazenamento, consolidação e análise dos dados contidos nos documentos de instância, bem como os metadados contidos na taxonomia dentro de sistemas de inteligência de negócio pelos destinatários dos relatórios.
Embora muito utilizado por reguladores, incluindo reguladores de seguros, reguladores prudenciais, reguladores tributários e registros de pessoas jurídicas pelo mundo, o XBRL também é usado por governos para informação intragovernamental, por bolsas de valores, por grandes cadeias de fornecimento, dentro de bancos de investimento e agências de análise, e por grandes e complexas empresas para permitir a elaboração de relatórios dentro dessas organizações.

Dados multidimensionais
A especificação XBRL v2.1 fornece um conjunto fixo de eixos em relação aos quais fatos podem ser reportados. Esses incluem o eixo de conceitos e um número menor de eixos pré-definidos como período e unidades. Os dados no mundo real são, entretanto, frequentemente multidimensionais por natureza. Por exemplo, uma entidade poderia informar o lucro em várias regiões demográficas. Embora fosse possível modelar isso definindo um conceito separado para “lucro” em cada região reportada, seria claramente preferível modelar “região” como um eixo separado, tanto para evitar a proliferação de conceitos, quanto para facilitar as análises.
A especificação XBRL Dimensions 1.0 é uma extensão modular da especificação XBRL 2.1 que permite a declaração de dados multidimensionais em XBRL. Essa especificação torna possível que as taxonomias definam as dimensões em relação às quais os fatos devem ser informados.
A combinação entre XBRL 2.1 e XBRL Dimensions 1.0 formam a base de quase todas as implementações em XBRL e podem ser consideradas o núcleo das especificações XBRL.

Extensibilidade
Um dos desafios da declaração de relatórios é que, em muitos setores, os padrões subjacentes para relatórios permitem uma flexibilidade considerável do que é reportado, tipicamente baseados no que é material para a entidade que envia o relatório. Isso torna impossível a criação de uma única taxonomia que enumere todos os conceitos e dimensões que poderiam ser solicitados para todas as entidades.
O XBRL foi concebido para permitir às taxonomias serem estendidas, possibilitando que sejam adaptadas para atender a requisitos de relatórios específicos. Por exemplo, taxonomias internacionais podem ser estendidas por reguladores nacionais ou por grandes empresas. Em alguns casos, particularmente para companhias de capital aberto, reguladas por comissões de valores,  é permitido que estas forneçam suas próprias taxonomias estendidas, para modelar precisamente necessidades de relatório específicas.

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