quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Decisões como dados dinâmicos - Um caso prático (parte 1)

Há poucos dias foi publicada no portal TeleSíntese uma entrevista com o novo titular da Secretaria de Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento-STI, Marcelo Pagotti, onde ele discorre sobre seus planos, prioridades e metas para o órgão. Vale a pena conferir...

Ao comentar sobre o "Portal da Cidadania", que objetiva disponibilizar serviços para o cidadão de um jeito simples, evitando que ele precise ir em várias agências para pegar uma informação de governo, Marcelo afirma:
"... para tirar o passaporte você tem que apresentar comprovante de eleição. Se for homem, você tem que apresentar quitação militar, também uma informação de governo. Queremos simplificar a vida do cidadão. Como é que a gente pode simplificar? Olhar como o governo oferece o serviço hoje e como a gente pode digitalizar de uma maneira mais racional. Ganha a população, ganha o governo, porque há um custo disso  hoje. O custo de  manter agências, seja do INSS, Ministério do Trabalho ou qualquer ponto de atendimento físico é muito caro para o governo. Quanto mais a gente trouxer o cidadão para um  serviço digital de qualidade é importante."
Este comentário me recorda uma postagem que publiquei há algum tempo no LinkedIn, onde  traduzi um texto de Dawn Levy, consultora americana na área de governos. No texto, Dawn defende com muita propriedade a aplicação do gerenciamento de decisões como uma ferramenta indispensável para o aumento da eficácia dos serviços eletrônicos prestados pelo Governo Americano:
"A experiência mostra que uma das principais causas de ineficiência na TI é a reconstrução contínua de sistemas baseados em decisões codificadas. A lógica de decisão de negócios é um tipo de dados, mas, ao contrário de elementos de dados tradicionais, que são armazenados e gerenciados em bancos de dados, é tipicamente codificada em software.
Modificar o software para refletir as mudanças na lógica de decisão de negócios é caro, pesado e lento. Ainda assim, sistemas de software codificados dominam a TI governamental. Estes sistemas são amplamente desenvolvidos por terceiros, no âmbito de contratos grandes, complexos e arriscados, com longos ciclos de vida de desenvolvimento. E, até recentemente, embutir a lógica de decisão nos sistemas era a única opção. Além disso, as agências compartimentadas nunca tiveram incentivos para coordenar os investimentos em sistemas por toda a administração. Como resultado, os sistemas de governo são muitas vezes sobrepostos, fragmentados, ou duplicados."
Ela continua listando os benefícios que o gerenciamento e modelagem de decisões pode trazer para as organizações:
  • Permite que a lógica de decisão se torne um ativo gerenciado, como outras formas de dados.
  • Reforça a governança sobre as decisões pelos analistas de negócios internos.
  • Diminui o tempo de resposta para políticas e regulamentos em contínua mudança.
  • Libera custos (até agora) fixos de desenvolvimento de sistemas e aplicativos
  • Encurta os ciclos de desenvolvimento de software e produz muito menos erros.
  • Supera os sistemas monolíticos resultantes dos métodos de desenvolvimento tradicionais.
  • Reduz a complexidade e o número de contratos de TI, e a dependência do trabalho de terceiros.

Um caso prático de modelagem de decisões

Juntando estes dois fatos, me propus a apresentar um caso prático de modelagem das regras de negócio que suportam uma decisão típica do Governo, no caso, a verificação da documentação para a emissão de passaportes para cidadãos brasileiros (outras regras se aplicam a outros tipos de passaporte, e não serão tratadas aqui). Gostaria de salientar que não tenho conhecimento específico na área de emissão de passaportes, e todas as informações aqui usadas foram coletadas em sítios da Internet. Caso algum especialista observe algum erro, ficarei agradecido se puder indicar para que o modelo seja ajustado.

Este caso prático será apresentado em pequenas postagens, cobrindo os seguintes temas:
- regras para apresentação de documentos, como publicado no sítio da PF
- análise das regras e construção do modelo de decisão
- análise e discussão  do resultado da modelagem

Vale lembrar que, como em qualquer modelagem de decisões, a construção deste modelo não pressupõe que esta é uma decisão que seria automatizada, em todo ou em parte. Antes de tudo, a modelagem de decisões se propõe a tornar explícita toda a lógica subjacente a uma decisão, expressa em uma linguagem (gráfica) que seja facilmente compreensível para pessoas do negócio (não especialistas) e pessoas comuns. Ao longo do desenvolvimento deste trabalho poderemos, eventualmente, pontuar onde algum método de automatização de decisões poderia ser empregado.

Aguarde as próximas postagens...

Próxima postagem nesta série

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