sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Como Arquitetura Corporativa pode apoiar a implantação de Transparência Organizacional

Como Arquitetura Corporativa pode apoiar a implantação de Transparência Organizacional
A Arquitetura TOGAF no apoio 
a implantação de Transparência – Fase C

No artigo anterior eu discuti o desenvolvimento da Fase B tendo como objetivo a implantação de transparência organizacional. 

O desenvolvimento das Fases B, C e D, acontecem a partir da Fase A do TOGAF, onde todos devem ter uma ideia comum e compartilhada da expectativa de como realizar o trabalho e do resultado esperado. O objetivo é construir os modelos necessários para entender os conceitos e como a organização funciona (chamada arquitetura de linha de base) e o que deve melhorar e se quer alterar/evoluir (chamada arquitetura alvo).

Repetindo o último artigo, na analogia com a construção de uma casa, imagina que agora é necessário criar os modelos que representem diversos aspectos da sua construção.

É assim também com transparência! Transparência não está somente na arquitetura de dados (uma informação que deve ser transparente), mas também nos processos de negócio, na visão estratégica, nos sistemas de informação, nas tecnologias utilizadas e na infraestrutura que suporta tudo isso. Quando se constrói e analisa cada modelo desses que é criado, transparência converte-se em um requisito desta análise.

Só um lembrete: Quando falamos que a partir da fase A, desenvolvemos as fases B, C e D, isso não quer dizer que serão sempre construídos modelos das três fases (alguns chamam de domínio). Exemplo: Um conjunto de informações não será trabalhado em nenhum sistema nesse momento, somente ficará armazenado no banco de dados (pensar em sistema está previsto em uma rodada futura). Então não faz sentido pensar na fase D para esse conjunto de informações. Dependendo do objetivo da rodada, não será nem trabalhado na fase C. Por isso a fase A é tão importante: Ela estabelece o que será trabalhado, e em que nível. Equaliza expectativas!

Mas vamos ao que interessa: Hoje eu vou falar sobre a Fase C. Arquitetura de Sistemas de Informação.

As perguntas, de uma forma geral, estão agora relacionadas à: Quais informações e sistemas a organização manipula e com elas se relacionam entre si? Como ela vê essas relações no futuro? 

Esta fase envolve a construção das arquiteturas de dados e de aplicativos de linha de base (atual / as-is) e alvo (futura / to-be). E a partir daí são analisadas as diferenças (gap analysis).

Um dos modelos de uma Arquitetura de Sistemas de Informação trata dos modelos de dados. 

Lá naquele nosso exemplo do artigo anterior, os processos X, Y e Z foram selecionados dentro do escopo da rodada de arquitetura na fase A. Na fase A, foram definidos os processos e foram definidos os requisitos de transparência que são relevantes, necessários ou mandatórios para o escopo definido. 

No exemplo as características de transparência selecionadas foram: Publicidade, Portabilidade, Clareza e Rastreabilidade. 

Agora na fase C, vamos modelar os dados manipulados pelos processos X, Y e Z. Esse é meu ponto de partida. Então quero olhar para o futuro e definir como deveria ser dado um horizonte de 12 meses?

Publicidade 

Uma das ações necessárias para implantar essa característica de transparência é identificar canais de divulgação dos processos X, Y e Z e dos dados relevantes a eles. É preciso definir, registrar e gerir essas informações. Também é necessário definir o grau de sigilo dessas informações. Atualmente os canais de divulgação dos processos até são conhecidos: internet e via sistema de workflow interno, porém não existe um modelo que relacione e mantenha o conhecimento sobre essa relação.

Portabilidade 
Uma das ações necessárias diz respeito a permitir o acesso às informações em diferentes formatos (sendo pelo menos um aberto). Então para cada processo e dado é necessário associar a ele os formatos em que serão disponibilizados, informação que atual é tácita, e está representada somente quando uma pessoa acessa o banco de dados e lê os tipos dos dados criados nas tabelas. :S

Clareza 

Uma das ações necessárias está relacionada a definir formas de apresentação da informação que sejam adequadas a cada público que a irá consumir. Então é necessário levar isso em consideração quando se for pensar na forma como cada ator vai tomar conhecimento sobre um processo. Hoje, em algumas situações até são estabelecidas linguagens diferentes para apresentar um mesmo assunto, mas não existe uma gerência transparente e sistemática sobre essas ações.

Rastreabilidade
Uma ação importante é identificar os responsáveis pelos processos e pelos dados. Normalmente essas informações acabam sendo registradas em documentos ou anotadas em algum papel e não são sabidas por todos.

Bem, em uma visão bastante simplificada, um modelo conceitual de dados que representasse essas questões colocadas seria poderia ser colocado da seguinte forma:

Clareza: Para cada processo e dado, podem ser definidos 1 ou mais formas de apresentação da informação. Ex.: Um processo X de justiça pode ser apresentado na íntegra contendo todo o “juridiquês” para aqueles que o entendem e pode também ser apresentado em uma linguagem mais simples (baseada em alguma regra de “tradução” definida pela organização).

Portabilidade: Para cada forma de apresentação de cada processo e dado, são definidos os formatos de apresentação dos mesmos. Ex.: A apresentação do processo de justiça “in natura” pode ser via um documento anexado na página. A apresentação do processo “fácil de ler” pode ser via uma página web com hiperlinks nas palavras mais difíceis explicando sua definição.

Publicidade: Para cada processo e dado é definido o seu grau de sigilo. Além disso, para cada forma de apresentação dos mesmos, são definidos os canais de divulgação. Ex.: Os processos com grau de sigilo “Confidencial” são divulgados na web somente para quem tem login e senha; Os processos com grau de sigilo “Alto” somente podem ser visualizados presencialmente mediante solicitação; Os processos com grau de sigilo “baixo” podem ser visualizados diretamente na web com acesso livre.

Rastreabilidade: Para cada processo é necessário definir um Gestor responsável e para dado deve haver um Responsável pela sua manutenção.

Esta é uma visão bastante simplificada, mas reparem que o modelo antes formalizava somente os conceitos de processo e dados. Os outros conceitos provavelmente já existem, mas normalmente não são formalizados e geridos, e por isso, não são claros.

Formalizar e sistematizar essa organização permite não só implantar transparência, mas desenvolver a arquitetura corporativa da sua organização.

No próximo artigo vou falar sobre a fase D que envolve desenvolver os modelos da arquitetura de tecnologia.

Ps.: O conceito de processos foi infinitamente simplificado. Peço desculpas aos meus gurus de processos, mas simplifiquei de propósito para não perder o foco no assunto deste artigo! J

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