terça-feira, 12 de maio de 2015

O lado bom da vida

Diz o Google que o termo em inglês "monty" refere-se ao montante total esperado ou desejado - daí o filme "The Full Monty" ter passado no Brasil com o título "Ou Tudo ou Nada". A comédia britânica mostra a mudança contextual que os habitantes de Sheffield sofrem quando a cidade vê a indústria de aço entrar em crise e as fábricas serem fechadas, levando os ex-trabalhadores - que não têm nada a perder - a montarem um show de strip-tease masculino. Típico caso de alterações dinâmicas em processos (nesse caso, com reflexões quanto a sua mecanização ou a sua humanização).
Também britânico é o grupo "Monty Python", formado no fim da década de 1960 por Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Michael Palin, Terry Jones e Terry Gilliam (este, o único norte-americano dos seis). Seu estilo surreal e irreverente de fazer humor fez grande sucesso na TV da Inglaterra, criou uma legião de admiradores pelo mundo e influenciou grupos similares que proliferaram até os dias de hoje.
O primeiro contato que tive com a obra dos Python se deu quando o anárquico "A Vida de Brian" foi lançado nos cinemas em 1979; sátira social e religiosa que tem como protagonista um anti-messias nascido na Judeia no ano zero, o filme foi produzido pelo beatle George Harrison, que chegou a hipotecar sua mansão para investir no grupo.

Dentre as várias cenas marcantes de "A Vida de Brian", há uma que sempre gosto de destacar quando falamos de gestão de processos e assuntos afins. Confundido com um salvador do povo, Brian abre a janela de sua casa e uma multidão de fieis pede a uma só voz que ele diga o que fazer, apontando a verdade eterna.
Atônito, ele os aconselha:
- Vocês não devem seguir ninguém.
E a multidão responde em uníssono:
- É, não precisamos seguir ninguém!!!
Vendo que sua dica não deu certo, Brian retruca:
- Vocês são todos diferentes.
Os seguidores respondem:
- É, somos todos diferentes!!!
Apenas um dos fieis destoa dos demais:
- Eu não, eu não sou diferente...
Ironia finíssima e que demonstra o cuidado que devemos ter, em nossos projetos de gestão de processos, com a padronização usada de forma inadequada. Cada ser humano é diferente (às vezes, aqueles que se imaginam iguais são os mais especiais) e um nível equivocado de regras e procedimentos tirará a criatividade e a capacidade de decisão em casos únicos, impedindo que as pessoas envolvidas sejam satisfeitas em suas necessidades. É a dosagem que difere o remédio do veneno.
Apesar de bastante crítico em todo o seu decorrer, o filme possui uma mensagem final bela e positiva, quando um improvável coro de condenados acha forças e bom-humor para entoar a canção "Always look on the bright side of life" - veja sempre o lado bom da vida.

Assino embaixo: enxergar os valores dos processos e vivenciá-los como se já fossem realidade é a primeira (e a mais inteligente) medida que uma equipe pode adotar.

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