quarta-feira, 11 de março de 2015

Gato por lebre

Correndo para resolver umas questões na hora do almoço, recebi uma ligação da Cláudia, pedindo para eu passar na lotérica e tirar dinheiro para pagar o jardineiro que fazia um serviço lá em casa. Sensato que sou, nem discuti - virei o carro na direção contrária à que ia e resolvi tudo (sabe-se lá como) no tempo que dispunha.
No dia seguinte, passei a mão na carteira para buscar minha identidade e... cadê o cartão de débito do banco? Puxei no fundo da memória todos os lugares em que havia estado e a única explicação que encontrei foi, justamente, o saque feito na véspera. Será que ele ainda estaria lá?
Em menos de cinco minutos já estava no guichê do correspondente bancário e a simpática atendente sorria para mim:
- Pensei que não vinha mais buscá-lo. Da próxima vez, deixe ao menos a senha para que possamos usá-lo...
Aliviado, notei que outra pessoa também sorria para mim: um colega de escola de quase quarenta anos atrás, o qual não via desde que celebramos vinte anos de formatura do ensino médio, há dez anos:
- Bruno? É você mesmo, não é? Como vão as coisas?
Ainda meio tonto da confusão, cumprimentei-o efusivamente, chamando-o pelo nome.
"É mesmo, há muito não nos vemos".
"Será que a turma se anima a fazer outra grande festa pelos trinta anos de formados?"
"Tirando os cabelos brancos, você não mudou nada"!
Guardei meu cartão no bolso, despedi-me do amigo (de novo salientando seu nome, para mostrar o quanto dele me lembrava) e entrei no carro. Para variar, estava atrasado para um outro compromisso.
Foi quando dei-me conta de uma confusão ainda maior que havia feito: o colega era sim do Marista, mas... era outro, e não o que eu pensara ter encontrado! Em um instante, a ficha completa dele veio em minha cabeça, inclusive o sobrenome, Coelho. Tanta ênfase em demonstrar que reconhecera o amigo e, agora, com certeza ele me tomava por louco.
Fosse em outros tempos e estaria sofrendo com as duas mancadas: a perda do cartão e a troca de nomes. No entanto, sorri tranquilo e toquei em frente. Aprendi que a vida - assim como os processos - é um permanente aprendizado. Ficar remoendo situações passadas de nada adianta na hora em que temos de resolver desafios presentes. É mais importante pensarmos no que fazer para solucionar um problema do que ficarmos nos culpando pelo estado indesejado e vivendo, indefinidamente, a disfunção. Tudo tem um propósito e uma postura confiante e positiva, tanto individualmente quanto das equipes, é uma competência valiosíssima em nossa jornada diária.
Não consegui localizar o Roberto (este é o seu nome) nas redes sociais - se ele estiver lendo este "post" agora, saiba que minha memória ainda funciona (às vezes, com um pequeno atraso...).

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