quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Governança, tuc-tuc e bananas





Quando se fala em trânsito caótico logo se pensa na Índia. Nada mais justo, ao contemplar alguns minutos daquele turbilhão de tuc-tucs, motos, vacas, ônibus, macacos, gente e até carros, como o leitor pode conferir no vídeo acima, fica bem claro a total ausência de governança no trânsito daquele país. Será?
Como havia comentados em posts anteriores, a Governança Corporativa é estruturada com elementos subjetivos e objetivos. Os elementos subjetivos são aqueles formados a partir dos valores da organização, seu estilo de liderança, sua história e grau de maturidade. Os elementos objetivos são os diversos tipos de controles, normas e direcionadores formais instituídos pela mesma.
Voltando ao aparente caos do trânsito indiano, ao analisar de perto os motivos pelos quais o sistema de transporte urbano simplesmente não entra em colapso, verificamos que existem elementos de governança pouco aparentes que permitem que, mesmo que precariamente, as pessoas (e animais) circulem pelos centros urbanos daquele país.
Tais elementos são quase que exclusivamente subjetivos. A buzina é um instrumento fundamental no carro indiano. Os motoristas indianos buzinam para tudo, qualquer manobra é precedida pela buzina, o que para todos é muito normal e inclusive em ônibus e caminhões são colocadas placas: ¨Buzine, por favor¨.
A direção indiana é extremamente defensiva, nota-se que não há rádios nos carros justamente para não desviar a atenção dos motoristas das manobras dos outros veículos, inclusive transeuntes (humanos ou não). E por ser defensiva, os movimentos no trânsito são realizados de forma que o motorista que estiver melhor posicionado sempre tem a preferência para realizar a sua manobra.
Como em um baile lotado onde todos dançam sabendo que tem que respeitar o espaço alheio o trânsito flui e a vida continua. Bom, nem sempre. O trânsito indiano apesar de fluir e atingir seu objetivo de deslocamento urbano é um dos mais letais do mundo. De acordo com o Banco Mundial a Índia possui 1% da frota mundial e 15% das mortes por transito.
Olhando para a nossa realidade e analisando a legislação que trata de trânsito e deslocamento urbano, verificamos que existe uma grande preocupação com o assunto, com leis nas três esferas legislativas, conforme determina a Carta Magna. As penalidades por infrações no trânsito estão cada vez mais rigorosas. A partir de novembro de 2014 as multas de trânsito tiveram aumento de até 900%. Se compararmos ao trânsito indiano em termos de sinalização e de controle de tráfego o Brasil pode se considerara anos luz na frente, basta dar uma olhada no vídeo acima.
Mais uma vez fazendo um paralelo com a Governança Corporativa, vemos que no sistema de trânsito brasileiro estão presentes muitos elementos objetivos de Governança: sinalização, controles eletrônicos, legislação, penalização. Tais elementos necessários e que faltam no trânsito indiano, não são suficientes para conter os índices alarmantes de mortes no trânsito no nosso país. 

Se compararmos os números relacionados a violência no trânsito dos dois países, conforme dados do instituto Avante Brasil abaixo, verificamos que em termos absolutos a Índia figura em 2º lugar no ranking e o Brasil no 4º. Se compararmos a Taxa de Mortes por 100 mil habitantes, o Brasil tem resultado pior mas muito próximo da Índia.
Concluímos, portanto, que ambos os elementos objetivos e subjetivos devem estar presentes em um sistema de Governança eficaz. Controles e direcionadores formais de negócio, como elementos objetivos, funcionam melhor quando os valores, ambiente de negócio propício e lideranças eficazes estão presentes na organização. Estes evitam a utilização excessiva de controles que tornam custosa sua operação ou que venham a emperrar a máquina administrativa. Por outro lado, regras e controles na quantidade certa são sempre necessários para que a organização não seja submetida a um grau de risco fora do seu limite de tolerância.

Desta forma, os elementos subjetivos do sistema de Governança devem ser continuamente monitorados e cultivados através de programas sistemáticos de capacitações, sensibilizações e de imagem institucional. Tais elementos formarão uma base sob a qual os elementos objetivos de Governança poderão realizar de forma eficiente e eficaz sua função de manter a organização no caminho do cumprimento de sua missão estratégica.
Até a próxima!!!
 

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