quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Governança de Processos



A Gestão por Processos como método de gestão corporativa quando implantada corretamente é capaz de gerar grandes benefícios à organização através de um ciclo de melhoria contínua dos seus processos de negócio. No entanto muitas iniciativas neste sentido acabam por fracassar pela ausência de um sistema de Governança de Processos bem estruturado.

Governança nada mais é que direcionamento e controle.  O direcionamento para que os processos estejam alinhados com a Estratégia da organização (entrega de valor ao cliente) e controle para que no decurso do tempo os processos se mantenham naquela direção. Parece simples, não? Mas na prática a coisa complica um pouco.

Um sistema de governança abarca elementos subjetivos e objetivos. Os elementos subjetivos estão vinculados a questões culturais e de valores da organização, sua história, seu nível de maturidade e estilo de liderança. Tais questões, apesar de essenciais, são mais difíceis de se interferir e requerem um trabalho contínuo, no entanto, trazem benefícios duradouros.

Uma das principais questões subjetivas a serem trabalhadas é o modelo mental funcional ao qual fomos todos condicionados e que impede que os atores organizacionais vislumbrem o processo de negócio além de seus silos funcionais. A sensibilização através de treinamento contínuo se torna necessária para que haja a compreensão dos benefícios que a visão transversal dos processos pode trazer. Na mesma direção o trabalho de convencimento deve estar na agenda diária do profissional de processos.

Todas as ações sobre os processos de negócio da organização devem ser padronizadas e coerentes entre si. Portanto, métodos de modelagem, análise, desenho e medição, documentação, bem como notação, ferramentas, linguagens, etc; devem estar pré-estabelecidos em uma metodologia a ser adotada e constantemente atualizada.

No mesmo sentido, os processos de negócio devem estar inter-relacionados em uma arquitetura de processos que, por sua vez, deve fazer parte de uma arquitetura organizacional ou corporativa, onde se possa vislumbrar, em um nível de agregação adequado, a contribuição e gravidade de cada processo para o alcance dos objetivos estratégicos da organização.

A manutenção de um sistema de informação eficiente é importante para que haja o controle, manutenção e comunicação dos dados e informações relativas aos processos de negócio, de forma clara e tempestiva.

Para que haja uma correta valoração dos processos de negócio, torna-se necessária a adoção de um método adequado de custeio dos processos. Sendo o método ABC ou ABC híbrido uma tendência a ser considerada.

Os papeis, responsabilidades e níveis de decisão de cada um dos atores da gestão por processos: patrocinadores, analistas, donos de processos, executores etc; devem estar bem definidos e claros.

A organização e gestão de todos esses elementos de governança devem ser atribuídos a um ente organizacional: o Escritório de Processos.

O CBOK 3.0 orienta a constituição de um Conselho de BPM formada por líderes executivos, líderes funcionais e donos de processos, para dirimir questões relacionadas a integração funcional, conflitos entre processos e propriedade de processos, alocação de recursos e alinhamento estratégico.

Em um lapso de tempo que considere conveniente e de acordo com suas políticas de gestão e disponibilidade de recursos, cada organização irá implementar ações que possam gradativamente aumentar o nível de maturidade de sua governança de gestão por processos.

O objetivo central de estruturar um sistema de governança de processos, em última análise, é, portanto, fazer com que os ganhos da gestão por processo evoluam de ações isoladas e se tornem estruturados, duradouros e cíclicos e, principalmente, vinculados a estratégia da organização na busca de geração de valor ao cliente.
Até a próxima!!!

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