segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O TOGAF é Realmente Difícil de Implantar?

O TOGAF[1] é um dos frameworks de arquitetura corporativa mais conhecidos no Brasil. Ele é desenvolvido e mantido pelo Fórum de Arquitetura do The Open Group. Eu falei um pouco sobre seu principal componente – o ADM – (1) e (2).

O padrão que descreve a versão 9.1 do TOGAF é um documento de quase 700 páginas! Nele encontramos orientações para implantação da prática de Arquitetura Corporativa em qualquer corporação.

Dentre essas orientações podemos destacar um método para desenvolvimento da arquitetura (o ADM) e um metamodelo descrevendo os elementos que devem ser modelados e mantidos pela prática de arquitetura (o Framework de Conteúdo). Podemos dizer que não há nenhuma surpresa nisso e que orientações como essas são esperadas (e, principalmente, desejadas!) de um framework de arquitetura.

O TOGAF contém ainda uma descrição detalhada do repositório de arquitetura e, também, um guia com as questões que devem ser consideradas para a institucionalização da prática de arquitetura. Esse guia, contempla, por exemplo, os processos de governança de arquitetura e de avaliação de conformidade. Mas, além de orientações como essas diretamente relacionadas à Arquitetura Corporativa, o TOGAF fornece técnicas, para, por exemplo, planejamento de migração, gestão de riscos e gestão de stakeholder. Tais orientações, embora úteis, transcendem o escopo da prática essencial de Arquitetura Corporativa.

Há alguns anos que sou instrutora do curso acreditado de TOGAF, mas admito: dada a sua complexidade, eu não domino em detalhes todo o framework. Eu tenho o hábito de sempre, antes de cada turma do curso, escolher um tema e estudar, com atenção, revendo o material e relendo as seções correspondentes do TOGAF. Mas, o maior aprendizado ocorre mesmo durante os cursos, com a troca de informações com os participantes. As discussões durante as aulas sempre trazem novas ideias e possibilitam o aprimoramento do entendimento do TOGAF.

Junto a isso a minha experiência como consultora e concluo que a percepção do uso do TOGAF passa por três estágios:

1º Estágio (a primeira impressão) -> “O TOGAF é muito extenso, muito complicado e é impossível adotá-lo.”

2º Estágio (depois de algum estudo) -> “Nossa! O TOGAF é muito bom! Ele aborda tudo o que é preciso para implantar Arquitetura Corporativa!”

3º Estágio (conhecimento aliado à experiência) -> “Opa! No caso da minha empresa, determinada orientação do TOGAF não pode ser implantada como ele sugere, preciso adaptá-lo.”

Esse é o ponto chave: ADAPTAÇÃO! O que muitas vezes é esquecido é que o próprio TOGAF diz que ele precisa ser adaptado. Isso está bem claro na fase preliminar do Método de Desenvolvimento da Arquitetura!
Figura. Passos referentes à Fase Preliminar

Como resultado do passo (5) Adaptar o TOGAF e, se for o caso, outros frameworks de Arquitetura da fase preliminar, você terá o Framework de Arquitetura Corporativa Adaptado para a realidade da sua empresa. Repare que, para fazer essa adaptação, você não precisa nem mesmo considerar apenas o TOGAF. O passo é bem explícito ao mencionar a possibilidade de uso de outros frameworks de arquitetura.

Nesse sentido é que temos o FACIN - Framework de Arquitetura Corporativa e Padrões de Interoperabilidade. O FACIN é, justamente, um framework de Arquitetura Corporativa adaptado para a realidade do governo brasileiro - assunto amplamente tratado neste blog e que será discutido no IV Fórum de Governança - O FACIN como padrão ePING.




[1] O TOGAF está disponível, gratuitamente, em http://www.opengroup.org/togaf/.

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