terça-feira, 4 de outubro de 2016

Construindo Valor Público

(http://www.albuquerque.adv.br/)


No artigo anterior, discorremos sobre como mudar a visão dos colaboradores e gestores quanto aos seus processos e darmos aos mesmos uma noção de valor e agregação de valor de seus processos.

Mas o que é valor quando se trata de serviço público?

Para uma organização privada a criação de valor está ligada ao aumento da satisfação do cliente-consumidor. Se os processos forem mais eficientes, eficazes e efetivos provocarão um incremento positivo na relação entre custo e a percepção de valor pelo cliente e este estará disposto a dispender mais para obter o produto ou preferir este em detrimento de outro (vantagem competitiva), aumentando, portanto, a margem de lucro do empresário.

Em uma organização sem fins lucrativos, a criação de valor somente faz sentido se for apontada para o bem estar da coletividade. E, neste sentido, se torna importante não somente “o quê” vai ser feito, mas também “como” vai ser feito.

Os aspirantes a cargos eletivos ao se candidatarem, geralmente, montam um projeto de governo envolvendo saúde, educação, transporte, segurança etc, propondo uma forma de lidar com cada um daqueles assuntos de interesse social de determinada comunidade. Construindo, assim, um acordo (nem sempre cumprido) entre representantes e representados.

Ao se elegerem dão um primeiro passo para a formação do valor público: a legitimidade, isto é, se tornam agentes públicos que cuidam dos negócios públicos como legítimos representantes do Estado.

A partir de seus projetos, passam a criar políticas públicas para tratar dos problemas e demandas da população local, materializando, no cumprimento de seu mandato, aquilo que até então não passava de uma carta de intenções. A partir de então, os agentes políticos passam a construir valor público? Sim, desde que assim percebido pelo coletivo ao qual está vinculado.

A mensuração deste valor público é muito subjetiva, diferentemente da iniciativa privada que geralmente possui indicadores financeiros para mensurar o retorno de suas operações. Na administração pública geralmente se dá com a consulta à opinião pública, quanto ao serviços prestados e, principalmente, no caso de mandatos eletivos, no resultado das próximas eleições.

Portanto, ao realizarem os seus processos nas organizações públicas, os seus colaboradores e gestores deverão estar atentos aos aspectos técnicos que produzirão uma operação eficiente, utilizando racionalmente seus recursos e eficazes entregando o quê de fato suas missões determinaram. No entanto, não podem descuidar da dimensão política, fazendo com que seus processos tenham um impacto na sociedade, no sentido esperado por esta, isto é, sejam efetivos.

Quanto mais conscientes e alinhadas com os aspectos técnicos e políticos, as organizações tenderão a cooperarem e interoperarem para entregar serviços públicos de qualidade que, de fato, cumpram o seu papel constitucional de preservar direitos e produzir uma sociedade econômica e socialmente equilibrada.


Até a próxima!

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