sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Decisões como dados dinâmicos - Um caso prático (parte 4)


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A modelagem de uma decisão possui alguns padrões e estilos de abordagem, que facilitam o trabalho do analista de decisões. Neste exercício usaremos uma abordagem inspirada na metodologia The Decision Model (TDM), proposta por Barbara von Halle e Larry Goldberg em 2009, no livro "The Decision Model: A Business Logic Framework Linking Business and Technology". Um resumo do livro pode ser encontrado aqui.

Um ponto principal na abordagem TDM é o foco na integridade e completude dos modelos, e no entendimento de que uma decisão depende de dados (tipos de fato) precisamente definidos (em termos de negócio) para a qualidade do resultado da decisão. Isto, em geral, é feito através da construção de um glossário que mantém todas as informações sobre os vários tipos de fato de condição (dados de entrada) e de conclusão (dado de saída) que serão utilizados no modelo de decisão.

Portanto, a primeira tarefa em um projeto de modelagem é definir:
  • a decisão que queremos tomar
  • o tipo de fato de conclusão que expressa o resultado da nossa decisão
No nosso exemplo, a decisão que procuramos é determinar se a documentação apresentada por um requerente de passaporte brasileiro atende aos requisitos estabelecidos pela Polícia Federal, ou seja, determinar a Conformidade da Documentação para Solicitação de Passaporte Brasileiro, e definimos que este tipo de dado tem como domínio os valores Conforme e Não Conforme, como descrito no glossário abaixo:


Cumpre notar alguns aspectos em relação à construção do glossário:
  1. o padrão DMN (Decision Model and Notation) não estabelece a necessidade de um glossário, mas indica que os valores que os dados de entrada e saída podem assumir podem (opcionalmente) ser definidos. Na abordagem TDM o glossário é obrigatório, de forma que a abordagem TDM, mesmo sendo mais restritiva, pode ser usada em conformidade com o padrão DMN neste aspecto.
  2. tanto o nome dos Tipos de Fato como sua descrição e domínio de valores devem ser expressos em termos de negócio, não usando termos de TI, como nomes e tipos de variáveis de programas ou bancos de dados.
  3. o Tipo de Fato de Conclusão em uma Decisão é o que chamamos de Dado Dinâmico, pois este dado (que será usado nos processos que usam esta decisão) não existe de forma estática em um banco de dados, por exemplo, mas é determinado dinamicamente cada vez que a decisão é avaliada.
Assim sendo, começamos aqui a nossa modelagem com um primeiro DRD (Decision Requirements Diagram):




Como mostrado na postagem anterior, onde descrevemos de forma sucinta o padrão DMN, aqui representamos:
  • a Fonte de Conhecimento da decisão (Decreto 1983/76...)
  • a Decisão que estamos avaliando (Conformidade da Documentação...)
O próximo passo é incluirmos neste DRD as entradas de dados já identificadas (por enquanto, somente para maiores de 18):


Note que o DRD especifica quais são as informações (dados de entrada) que PODEM ser necessárias para a tomada de decisão, mas não especifica QUANDO elas são necessárias, nem qual o formato em que se encontram. Isto é proposital: a função do DRD é fornecer uma visão de alto nível dos REQUISITOS da decisão, ou seja, o que é necessário para que a decisão seja tomada (podem ser Entradas ou outras Decisões auxiliares). Quando (e como) estas entradas (ou as informações que elas contém) serão necessárias é definido e modelado através do Nível de Lógica de Decisão (Decision Logic Level), por meio de diversos tipos de artefatos. Neste estudo de caso usaremos as Tabelas de Decisão como mecanismo de descrição da lógica de decisão.

Mas, isso, é assunto para a próxima semana... até lá!

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