sexta-feira, 1 de julho de 2016

Computação em Nuvem: que padrão adotar?

 A dificuldade no acompanhamento da elaboração e manutenção de padrões

O fato de algo ser difícil não implica diretamente que seja impossível. Uma dificuldade requer um maior empenho em sua solução ou uma avaliação dos benefícios oriundos de sua superação.

O mesmo pensamento se aplica ao acompanhamento das diversas atividades simultâneas e, muitas vezes, conflitantes no acompanhamento da produção ou manutenção de padrões, principalmente quando se leva em conta a dispersão geográfica de todas as entidades envolvidas.

Como exemplo, vou falar sobre o tema ao qual tenho me dedicado nos últimos anos: normas técnicas de computação em nuvem. Somente as organizações envolvidas na atualização da página http://cloud-standards.org/wiki/index.php?title=Main_Page já representam um universo de 16 entidades:

•    Cloud Standards Customer Council
•    Distributed Management Task Force (DMTF)
•    The European Telecommunications Standards Institute (ETSI)
•    Global Inter-Cloud Technology Forum (GICTF)
•    ISO/IEC JTC 1
•    International Telecommunications Union (ITU)
•    National Institute of Standards and Technology (NIST)
•    Open Grid Forum (OGF)
•    Object Management Group (OMG)
•    Open Cloud Consortium (OCC)
•    Organization for the Advancement of Structured Information Standards (OASIS)
•    Storage Networking Industry Association (SNIA)
•    The Open Group
•    Association for Retail Technology Standards (ARTS)
•    TM Forum
•    OpenCloud Connect

Faltam nesta lista, algumas organizações notáveis:

•    W3C, com o Cloud Computing Community Group (https://www.w3.org/community/cloud/)
•    IEEE (http://cloudcomputing.ieee.org/)
•    Cloud Security Alliance

Além disso, vários outros consórcios de empresas ou grupos de usuários vão surgindo e desaparecendo do mercado, alguns com alguma visibilidade e outros nascendo, vivendo e morrendo com pouco ou nenhum impacto efetivo no mercado.

Esta profusão de organizações e interesses é um reflexo claro das demandas que o mercado está impondo sobre esta nova forma de uso de recursos e serviços de TI. Quando o sistema de normalização entra em jogo, várias dúvidas dos consumidores são respondidas, diversos aspectos tecnológicos são melhor compreendidos e aqueles que se propõem a ser novos participantes do jogo tem uma base de regras sobre a qual se apoiar, facilitando seu processo de vendas e aquisição de clientes.

Para organizações que farão uso intenso da tecnologia ou estarão apenas iniciando uma fase de estudos, ficam algumas opções:

  • Nada a fazer, adota-se uma plataforma preferencial de um fornecedor tradicional e se aposta que este fornecedor de tecnologia será capaz de se manter atualizado e em conformidade com os padrões em produção
  • Acompanhar, via imprensa ou consultoria especializadas, os desdobramentos e ofertas do mercado
  • Ir mais a fundo em requisitos que demandem certificações dos fornecedores e garantam a qualidade e a disponibilidade dos serviços contratados
  • Assumir que depende da tecnologia e precisaremos acompanhar, diretamente, o desdobramento das discussões e evolução dos padrões em organizações selecionadas

As duas últimas opções são as que impõem um custo, não desprezível, à empresa e que devem ser avaliados com base no benefício esperado. Ao se considerar que a computação em nuvem, em alguns casos, pode representar uma redução sensível de custos com a troca de capex ("capital expenditures") por opex ("operational expenditures"), otimização da força de trabalho, aumento da capacidade que favoreça a expansão rápida a novos mercados e clientes, e menor consumo de recursos como energia e espaço físico, a matemática para a avaliação da participação ou estudo de requisitos tende a ficar melhor direcionada.

No caso da última opção, seria necessário criar internamente a expertise ou terceirizar o acompanhamento do desenvolvimento das normas, levando-se em conta que em muitos casos haverá um custo razoável de deslocamento das equipes (terceirizadas ou não) a reuniões internacionais ou a reuniões de grupos de debate local. Como benefício adicional, é possível estabelecer uma estratégia de influência na produção dos padrões que possa favorecer a própria empresa ou melhor prepará-la para a oferta de serviços em nível internacional. Como exemplo dos custos envolvidos neste acompanhamento direto, somente o subcomitê de normas internacionais de computação em nuvem do sistema ISO, o SC 38, se reunirá em Brisbane, Austrália, de 18 a 22 de julho/2016; em Berlim, Alemanha, de 17 a 21 de outubro/2016; em Chengdu, China, de 27 a 31 de março de 2017 e em São Francisco, EUA, de 11 a 15 de setembro de 2017. Uma forma mais econômica de garantir um acompanhamento adequado seria verificar qual das organizações alvo tem algum tipo de representação no Brasil que permita à empresa estar atualizada e apta a emitir comentários ou pareceres sobre o trabalho em produção.

Uma das grandes dificuldades para estes dois últimos casos, é determinar qual certificação ou organização são relevantes ao negócio, presente e futuro. Para isso, é necessária uma pré-avaliação de aspectos e serviços de computação em nuvem que serão potencialmente utilizados e, com isso, determinar quais das organizações avaliadas está envolvida na criação ou manutenção de normas que afetem os produtos ou melhorias administrativas da empresa.

Nada é impossível, mas a medida do benefício obtido a partir do grau de envolvimento da empresa deve ser sempre cuidadosamente avaliado.

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