quinta-feira, 2 de junho de 2016

Planejando a Construção da Catedral de Milão

Planejando a Construção da Catedral de Milão
O que é Arquitetar?
No meu artigo anterior, ao contemplarmos a Catedral de Milão, refletimos a respeito da importância do planejamento ser alinhado aos objetivos traçados. Mas como esse planejamento deve ser feito?
Eu pensei em exemplificar alguns elementos que precisaríamos para construir uma catedral, mas esse conhecimento está fora do meu alcance e só pensei em itens óbvios. Prefiro, então, ir direto ao ponto e dizer que temos uma palavra para resumir todo esse planejamento:

Arquitetura

Como estou seguindo a linha histórica nesses primeiros artigos, citarei o relato mais antigo que temos sobre esse tema que remete ao século I a.C. e foi escrito por Marcos Vitrúvio Polião na obra de "De Architectura Libri Decem" (em português: Dez Livros sobre a Arquitetura).


Figura 1. Meu exemplar da obra "De Architecture" traduzida do latim diretamente para o português

Nesta obra, Vitrúvio descreveu, ao longo de 10 volumes, todos os detalhes que deveriam ser considerados pela arquitetura, desde a formação do arquiteto, passando pelos materiais a serem utilizados na construção e técnicas de hidráulica até defender que os arquitetos fossem responsabilizados pelos orçamentos que apresentassem, a fim de se evitar o exercício da profissão por pessoas não devidamente aptas, sabedoras e experientes. Além disso, ele ainda indicou como deveriam ocorrer as construções de templos, de diferentes tipos de prédios públicos e edifícios privados como casas urbanas e rurais. Em resumo, tudo relacionado a edificações no século I a. C. estava descrito nessa obra.

Segundo Vitrúvio, arquitetura consta de ordenação e disposição.

Por ordenação, ele entende a justa proporção na medida das partes da obra consideradas separadamente e numa visão de totalidade.


Figura 2. Ilustração do projeto de uma coluna de templo presente na página 137 do “Tratado de Arquitetura”.

Já a disposição é a colocação adequada das coisas e o efeito estético da obra com a qualidade que lhe vem dessas adequações.


Figura 3. Ilustração das fundações de um templo, com destaque para a exigência pelo número ímpar de degraus de forma a prevalecer o pé direito. Página 131 do “Tratado de Arquitetura”.

Analisando esses pontos e remetendo-nos ao mundo corporativo, eu pergunto:

A ordenação e a disposição estão sendo consideradas na instituição na qual você trabalha?

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