quarta-feira, 1 de junho de 2016

Desafios para Inovação na Gestão Pública

Quando eu coordenei o Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização - o Gespública -, um de nossos primeiros desafios era muito parecido com o contexto brasileiro atual, no que diz respeito à viabilidade ou não de termos mecanismos de indução dos órgãos e instituições a adotarem ferramentas para melhorarem sua tomada de decisão.

Apesar da ideia parecer, de início, bastante tentadora - ou seja, tornar obrigatório um mecanismo como a autoavaliação periódica da gestão, ou a modelagem permanente de seus processos, ou ainda a implantação de escritórios de projetos pela Esplanada -, há um ponto que sempre me incomodou nas conversas: a capacidade de nossos métodos acompanharem a dinâmica do seu entorno.

Explico melhor, retornando um pouco ao passado.

Ao assumir o escritório de processos e projetos da CAIXA, em 2002, tive um choque de realidade quando o novo superintendente declarou estar frustrado com o tempo que levávamos para concluir um projeto de modernização, ainda que eu alardeasse todo satisfeito que eram os mesmos padrões que concorrentes nacionais e internacionais adotavam. A visão de uma pessoa "do outro lado do balcão" mostrou que tal desculpa - "fazemos o mesmo que todos os demais" - já não era suficiente.

De volta ao Gespública, já em 2009, um colega me segredou que as últimas cinco tentativas de implantação de autoavaliações em nossa unidade haviam sido interrompidas antes da implantação das otimizações, pois ou "o secretário havia mudado", ou "outras prioridades haviam entrado na pauta", ou "o problema que havíamos identificado não mais existia", etc, etc, etc. Como no exemplo anterior, parecia que nossos métodos eram perfeitos - apenas o contexto público teimava em sempre mudando e atrapalhando sua aplicação. Como naquela anedota, "o serviço é ótimo! - o que atrapalha sua prestação são os tais clientes...".

Minha certeza: se nosso ambiente é caracterizado por instabilidades e mudanças, nossos métodos, instrumentos e ferramentas têm de conter tal DNA de forma intrínseca, senão seu aproveitamento será bem menor que o esperado e os resultados não ocorrerão.

Novamente estamos em meio a um período de incertezas - mas qual gestor não gostaria de dispor de auxílio que lhe permitisse reconhecer o que deve ser feito e navegar mais tranquilamente por tais águas? Há uma grande oportunidade para "inoveiros" fazerem suas ideias serem ouvidas no momento atual - basta que tenhamos algo realmente que agregue valor e, nunca é demais esquecer, que escolhamos a forma correta de comunicar o que possuímos.

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