quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Os desafios de interoperabilidade e da portabilidade na nuvem


Outro projeto que está em pleno andamento no subcomitê de normas internacionais de computação em nuvem (JTC 1/SC 38) se propõe a estabelecer um entendimento comum sobre os conceitos de interoperabilidade e portabilidade sob o ponto de vista de provedores e usuários de serviços de computação em nuvem, identificando as preocupações mais comuns, as funções e componentes necessários para estabelecer essas funcionalidades e cria um mapeamento com outros padrões já desenvolvidos ou em desenvolvimento.

A tarefa mais difícil, talvez, seja a de definir os TIPOS de interoperabilidade e portabilidade e seus problemas relacionados, de forma a gerar um entendimento comum sobre o tema.

De acordo com os termos já definidos na norma ISO/IEC 17788, a portabilidade de aplicativos de nuvem é descrita como a "Habilidade de migrar um aplicativo de um serviço de nuvem para outro serviço de nuvem" enquanto a portabilidade dados de nuvem é descrita como "Portabilidade de dados de um serviço de nuvem para outro serviço de nuvem". Já a interoperabilidade é descrita como na Recomendação ITU-T Y.101: "A habilidade de dois ou mais sistemas ou aplicativos em trocar informações e utilizar a informação trocada mutuamente".

Dada a complexidade dessas duas características, esse novo projeto, em seu primeiro rascunho, define novos termos (em inglês): application behaviour portability, application instruction portability, application metadata portability, application syntactic portability, legal and organizational application portability, legal and organizational interoperability, legal and organizational data portability, pragmatic data portability, pragmatic interoperability, semantic data portability, syntactic data portability, transport interoperability.

No entendimento dos experts atuantes neste projeto, a interoperabilidade pode cobrir a habilidade de um cliente de serviços de nuvem em interagir com os serviços de nuvem de forma pré-definida para a obtenção de um resultado previsível. Pode também cobrir as propriedades necessárias a uma interação entre a infraestrutura interna de TI de uma empresa e um provedor de serviços de nuvem ou mesmo a interação entre dois ou mais provedores de serviços de nuvem. Cada interação envolve certo nível de troca de informações, com a expectativa de que a informação intercambiada possa ser usada para gerar resultados desejados. A análise da complexidade chega a ponto de admitir que, por exemplo, a interoperabilidade de um serviço de Identidades e Acessos esteja presente e bem definida, mas a interoperabilidade referente às capacidades de monitoração não exista pois, provavelmente, estará sendo fornecida por interfaces absolutamente diversas.

No tocante à portabilidade, considera-se neste rascunho que não seja um conceito binário no contexto de que não se pode afirmar categoricamente que serviços, aplicativos ou dados sejam ou 100% ou 0% portáveis. Uma outra grande questão da portabilidade se refere ao custo da manutenção desta capacidade: quantos recursos são necessários para sua implementação? Parte da portabilidade por ser implementada por frameworks, linguagens mais populares, padrões e ferramentas comuns, mas a portabilidade do contexto de uso de dados, por exemplo, é algo muito difícil de implementar e, provavelmente, muito custoso tanto em termos de investimento na criação e manutenção de metadados assim como no armazenamento necessário para a manutenção deste tipo de informação pouco utilizada. Entende-se que, no contexto da computação em nuvem, a portabilidade seja entendida como a movimentação de aplicativos e/ou dados de um ambiente de computação em nuvem para outro, com interrupção e impacto mínimos no serviço. Portabilidade pode também ser entendida como a habilidade de se mover uma entidade de um sistema a outro de forma que esta entidade possa ser usada no novo sistema.

Como disse, esse projeto ainda está em fase de rascunho, assim como o projeto de fluxo de dados relatado em meu post anterior, portanto ainda há tempo de termos uma colaboração efetiva dos experts brasileiros com estes grupos.

Se você gosta do assunto e quiser colaborar com o grupo brasileiro que vai iniciar as discussões sobres os dois temas, verifique a possibilidade de participar de nossa próxima reunião no dia 28 de agosto, na sede da ABNT no Rio de Janeiro, das 14:00 às 17:30. Mesmo que não possa participar presencialmente, podemos avaliar a possiblidade de abrir o acesso remoto caso haja solicitações para tanto. Se não puder participar agora mas tiver interesse em se juntar ao grupo, mande e-mail para mim em fernando.gebara@lucianogebara.com e eu me encarrego de providenciar sua inclusão no grupo.

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